Conforme o escritor árabe Ibn Batuta, em meados do século XIV, o rei do Mali, pela manhã, comemorou a data islâmica do fim do Ramadã e, à tarde, presenciou um ritual da religião tradicional realizado por trovadores com máscaras de aves (Mattos, 2007, p. 18). Nesse cenário, entende-se que
- A)ocorreu a incorporação da crença islâmica e a convivência com as religiões tradicionais africanas.
Correta, porque o trecho mostra a presença do islamismo sem apagamento das religiões tradicionais africanas.
- B)houve sincretismo – próprio da mistura de religiões – sendo preponderante, nesse caso, o Islamismo.
Errada, porque reduz o caso a um sincretismo com predomínio islâmico, quando o foco é a convivência entre práticas religiosas distintas.
- C)destaca-se a figura do rei como mediador do poder religioso, característica da teocracia.
Errada, porque o texto não destaca o rei como mediador exclusivo do poder religioso nem caracteriza teocracia.
- D)adotou-se o sincretismo religioso como forma de resistência, na tentativa de manter os rituais aceitos pelo islamismo, tais como os sacrifícios em funerais.
Errada, porque o enunciado não fala em resistência por sincretismo nem em manutenção de rituais específicos por aceitação islâmica.
Gabarito: A
A questão trata do Mali medieval, um grande reino da África Ocidental que manteve contato intenso com o mundo islâmico, sobretudo por causa do comércio transaariano e das viagens de peregrinação. Ibn Batuta observou exatamente isso: o rei participava de práticas ligadas ao islamismo, mas também convivia com rituais das religiões tradicionais africanas. Ou seja, não havia uma substituição total de uma crença pela outra. Esse cenário mostra convivência religiosa, algo bem comum em várias sociedades africanas islamizadas. O Islã se expandia, mas nem sempre apagava de imediato os costumes locais. Em vez de uma troca completa, ocorria uma adaptação prática do cotidiano político e religioso. Por isso, a alternativa correta é a A: ela expressa a incorporação da crença islâmica junto com a permanência das religiões tradicionais africanas. O rei do Mali aparece como alguém inserido em dois universos religiosos ao mesmo tempo, o que combina com a experiência histórica da região. Em outras palavras, o trecho não fala de um Islamismo dominante que elimina tudo ao redor, nem de uma teocracia pura. Ele mostra mistura de práticas e convivência cultural, bem mais realista do que uma adesão religiosa em linha reta, sem curvas nem surpresas.