A cerimônia de sepultamento de João Pedro Teixeira tomou as ruas de Sapé, na Paraíba, com a participação de cerca de 5 mil camponeses da região. Um ato organizado pelos trabalhadores para o 1.º de maio, semanas após a sua morte, reuniu em torno de 40 mil pessoas na capital do estado. Essas movimentações mobilizaram a opinião pública, que cobrava punição mais rigorosa sobre o caso. Internet: https://memoriasdaditadura.org.br (com adaptações). O assassinato do líder camponês João Pedro Teixeira, em 1962, foi um marco na história da luta pela terra no Brasil. Acerca da história das ligas camponesas, assinale a opção correta.
- A)As reivindicações dessas ligas foram atendidas pelo governo de Jango no intuito de desestruturar o movimento.
Errada, porque o governo João Goulart não atendeu as reivindicações das Ligas para desestruturá-las; ao contrário, o tema da reforma agrária seguia em disputa e gerava forte tensão política.
- B)Essas ligas prestavam apoio jurídico aos seus membros, levando a juízo conflitos sociais do campo.
Certa, porque as Ligas Camponesas também ofereciam apoio jurídico e organizavam a defesa dos trabalhadores rurais em conflitos de terra.
- C)A compra de terras por meio de contribuições de membros das ligas era uma das estratégias usadas para promover a reforma agrária.
Errada, porque a compra de terras com contribuições dos próprios membros não foi a estratégia típica central das Ligas para promover a reforma agrária.
- D)A indenização pela desapropriação era a principal reinvindicação dos proprietários de terras, razão pela qual incentivaram a sindicalização rural.
Errada, porque a indenização por desapropriação era uma pauta ligada aos proprietários e ao debate agrário mais amplo, não uma reivindicação que levou os proprietários a incentivar a sindicalização rural.
- E)O assassinato de João Pedro Teixeira encerrou os conflitos na região de Sapé, com a conciliação entre foreiros e proprietários de terra.
Errada, porque o assassinato de João Pedro Teixeira não encerrou os conflitos na região de Sapé, que continuaram marcados por tensão e mobilização camponesa.
Gabarito: B
As Ligas Camponesas foram um dos movimentos mais marcantes da luta pela terra no Brasil, especialmente no Nordeste, antes do golpe de 1964. Elas reuniam trabalhadores rurais em torno de reivindicações como melhores condições de vida, resistência aos abusos dos proprietários e defesa de uma reforma agrária mais profunda. O nome mais lembrado é o de Francisco Julião, mas a mobilização teve lideranças locais importantes, como João Pedro Teixeira, em Sapé, na Paraíba. A ideia central das Ligas não era simplesmente fazer assistência, mas organizar politicamente o camponês. Em vez de ficar isolado diante do coronel e do despejo, o trabalhador passava a ter apoio coletivo, inclusive com orientação para reivindicar direitos na Justiça e enfrentar conflitos fundiários. Isso faz a alternativa B ficar correta: as ligas também prestavam apoio jurídico aos seus membros, levando disputas do campo para o Judiciário. As demais opções tentam embaralhar o tema com meias verdades. O governo João Goulart não conseguiu desestruturar o movimento atendendo suas pautas, e a questão fundiária continuou explosiva. Também não era uma política típica das Ligas comprar terras com contribuições dos próprios membros para fazer reforma agrária. Depois do assassinato de João Pedro Teixeira, a tensão não terminou por conciliação mágica, porque conflito agrário não costuma resolver no abraço, infelizmente. Como pano de fundo histórico, vale lembrar que a questão da terra já aparecia na legislação brasileira, como o Estatuto da Terra, de 1964, mas o contexto de repressão pós-golpe freou fortemente esses movimentos. Por isso, em prova, a banca costuma cobrar as Ligas como expressão de mobilização camponesa, luta por direitos e enfrentamento da estrutura fundiária tradicional.