Em determinadas pesquisas, os índios aparecem como sujeitos ativos nos processos de colonização, agindo de formas variadas e sendo movidos por interesses próprios. A violência da conquista e da colonização não os impediu de agir, mobilizando as possibilidades a seu alcance para atingir seus interesses, que se transformavam com as novas situações vivenciadas. Maria Regina Celestino de Almeida. Os índios na história do Brasil. Rio de Janeiro: FGV, 2010, p. 10 (com adaptações). No que diz respeito às formas de resistência indígena no Brasil colonial, assinale a opção correta.
- A)A declaração da guerra justa, instituída pelos indígenas contra a civilização portuguesa, impunha a resistência bélica.
Errada, porque a guerra justa era uma justificativa colonial portuguesa para guerrear e escravizar indígenas, não uma resistência instituída pelos próprios indígenas.
- B)Os aldeamentos missionários coloniais aniquilaram as práticas religiosas indígenas com a imposição do cristianismo.
Errada, porque os aldeamentos missionários não apagaram totalmente as práticas indígenas; houve convivência, adaptação e até ressignificação de costumes e crenças.
- C)Os indígenas aliados foram proibidos de se alistarem em regimentos militares.
Errada, porque indígenas aliados podiam sim integrar forças militares coloniais, inclusive como auxiliares, soldados e aliados estratégicos.
- D)A criação de vilas pombalinas sacramentou a resistência ao entregar a administração desses locais aos próprios indígenas.
Errada, porque as vilas pombalinas não foram criadas para entregar a administração aos indígenas, mas para reforçar o controle colonial e a assimilação.
- E)Os indígenas negociaram sua participação na sociedade colonial, ocupando cargos e aceitando mercês.
Certa, porque muitos indígenas negociaram sua inserção na ordem colonial, ocupando cargos, firmando alianças e recebendo mercês como forma de defender interesses próprios.
Gabarito: E
No Brasil colonial, resistência indígena não foi só guerra aberta. Muita gente imagina o indígena apenas em fuga ou em conflito armado, mas a história é bem mais esperta que isso: houve alianças, negociações, uso estratégico das instituições coloniais e até participação em cargos locais e militares. Em outras palavras, os povos indígenas também tentaram sobreviver e defender seus interesses dentro do jogo colonial, e não apenas contra ele. A alternativa correta é a que mostra exatamente esse movimento de negociação. Muitos grupos indígenas aceitaram certos vínculos com a Coroa portuguesa em troca de proteção, reconhecimento, acesso a bens, isenções ou vantagens políticas. Isso podia incluir ocupar funções locais, atuar como aliados militares e receber mercês, isto é, recompensas e privilégios concedidos pelo rei. Era uma forma de resistência e adaptação, não de submissão simples. Esse comportamento aparece bem em estudos sobre o período colonial: os indígenas não foram atores passivos. Eles aproveitaram brechas do sistema colonial para preservar comunidades, disputar territórios e ganhar margem de ação. Então, quando a questão fala em negociar participação na sociedade colonial e ocupar cargos e mercês, ela está apontando para uma estratégia real e recorrente. Se você guardar uma ideia, fique com esta: resistência indígena no Brasil colonial podia ser feita com arco e flecha, mas também com diplomacia, alianças e negociação. A colonização tentou controlar, mas os indígenas também aprenderam a jogar com as regras do colonizador.