A respeito de memória, oralidade e cotidiano no ensino de história, assinale a opção correta.
- A)A história oral é uma modalidade ou técnica de produção historiográfica que, utilizando-se de pressupostos teóricos e de adequada metodologia, dá ao entrevistado a oportunidade de fazer da memória elemento a mais para se produzir conhecimento histórico.
Certa: define bem a história oral como técnica com metodologia própria, em que a memória do entrevistado ajuda a produzir conhecimento histórico.
- B)A maior dificuldade que a história oral encontra no Brasil é a rigidez curricular das escolas, o que impossibilita entrevistas com alunos, familiares e membros da comunidade.
Errada: a principal dificuldade da história oral não é uma suposta rigidez curricular, e sim questões metodológicas, de fonte, seleção e interpretação dos relatos.
- C)Por não estar sujeita a subjetividades de qualquer espécie, a memória familiar ou comunitária é a fiel depositária do passado, sem a qual não se produz conhecimento histórico.
Errada: a memória não é neutra nem infalível, pois é subjetiva e seletiva, e por isso precisa ser criticada e cruzada com outras fontes.
- D)No ensino de história, o cotidiano e a vida de pessoas comuns podem ser abordados, mas sempre em caráter secundário em relação àquilo que o cânone da historiografia já registra.
Errada: o cotidiano e as pessoas comuns não são secundários por definição, porque também podem ser centrais para compreender processos históricos.
- E)A questão de gênero diz respeito basicamente a uma história das mulheres, sendo objeto de estudo de pesquisadores e demais profissionais da história desde seus primórdios.
Errada: história de gênero não se limita à história das mulheres e não surgiu apenas nos primórdios da historiografia; ela amplia a análise das relações sociais de gênero.
Gabarito: A
A história oral é uma forma de produzir conhecimento histórico a partir de depoimentos, lembranças e narrativas de quem viveu ou testemunhou certos acontecimentos. Mas atenção: ela não é simples coleta de conversa solta. Para virar história de verdade, precisa de método, crítica das fontes e base teórica. A memória entra como matéria-prima, não como prova absoluta e intocável. Na prática, isso significa ouvir entrevistas, comparar relatos, contextualizar o que foi dito e cruzar com outras fontes. A memória é seletiva, muda com o tempo e pode ser marcada por emoções, silêncios e interesses. Justamente por isso ela é valiosa para o historiador, porque revela não só fatos, mas também percepções e sentidos atribuídos ao passado. O gabarito é a letra A porque ela descreve corretamente a história oral como uma modalidade ou técnica de produção historiográfica que usa metodologia adequada e dá ao entrevistado a chance de transformar sua memória em elemento para a construção do conhecimento histórico. As demais alternativas caem em exageros ou simplificações, tratando memória como algo sem subjetividade, reduzindo gênero à história das mulheres ou diminuindo o valor do cotidiano. Em termos de ensino de história, isso conversa com uma visão mais ampla e crítica da disciplina, em que o cotidiano, a oralidade e as experiências de pessoas comuns também ajudam a explicar o passado. Não é papo de figurante: essas vozes entram no filme principal da história.