Tomai o fardo do Homem Branco Envia teus melhores filhos Vão, condenem seus filhos ao exílio Para servirem aos seus cativos; Para esperar, com arreios Com agitadores e selváticos Seus cativos, servos obstinados, Metade demônio, metade criança. Rudyard Kipling.O fardo do homem branco, 1899. O poema apresentado, de 1899, demonstra parte do pensamento imperialista e neocolonialista. Considerando as palavras do poema no contexto do período histórico em que ele foi escrito, assinale a opção correta.
- A)O fardo do homem branco europeu era levar a democracia e o autogoverno para a África e a Ásia.
Errada: o discurso imperialista falava em missão civilizadora, não em levar de fato democracia e autogoverno aos povos da África e da Ásia.
- B)A presença dos europeus na Ásia resumia-se a investigar o darwinismo social, que colocava os brancos como servos das demais raças.
Errada: o darwinismo social não colocava os brancos como servos, e sim como supostamente superiores, servindo de justificativa para a dominação colonial.
- C)Os países europeus buscaram dominar os territórios asiáticos e africanos, fosse pela invasão, fosse pela criação de zonas de influência.
Certa: os europeus dominaram territórios africanos e asiáticos por conquista direta e também por zonas de influência, típico do neocolonialismo.
- D)Os africanos aceitaram sem resistência a presença do colonizador branco, adotando o modelo civilizatório europeu.
Errada: houve resistência à colonização em várias regiões da África e da Ásia, e a presença europeia não foi aceita de forma pacífica e generalizada.
- E)O homem colonizador, por impor sua cultura, era considerado um ser maléfico, caracterizado no poema como “Metade demônio”.
Errada: o poema usa a expressão “metade demônio, metade criança” para reproduzir o olhar preconceituoso do colonizador sobre os povos dominados, não para condenar o colonizador como “maléfico”.
Gabarito: C
O poema de Kipling é um retrato clássico da mentalidade imperialista do fim do século XIX. Nessa época, as potências europeias defendiam, com pose de “missão civilizadora”, a expansão sobre a África e a Ásia, justificando a dominação como se fosse um favor aos povos colonizados. Na prática, por trás do discurso moralista, havia interesse econômico, estratégico e político: matéria-prima, mercados consumidores, áreas de influência e controle territorial. Esse contexto aparece muito bem no neocolonialismo, especialmente durante a chamada Partilha da África e na expansão europeia pela Ásia. Os europeus podiam ocupar diretamente um território, anexar áreas ou criar zonas de influência, isto é, espaços em que mandavam de fato sem precisar transformar tudo em colônia formal. Era o império agindo com várias engrenagens, sempre com o mesmo objetivo: mandar, explorar e lucrar. Por isso, a alternativa C está correta. Ela resume exatamente a forma como os países europeus atuaram: dominaram territórios africanos e asiáticos tanto pela invasão quanto pelo estabelecimento de zonas de influência. O poema reflete a visão arrogante e racista que sustentava essa expansão, vendo os povos colonizados como inferiores e “dependentes” da presença europeia. As demais alternativas tropeçam no enredo histórico. Não se tratava de levar democracia, nem de uma convivência pacífica, nem de um exercício acadêmico sobre darwinismo social. Era imperialismo com verniz moral, mas com fundo bem concreto: poder e exploração.