Em relação à Revolta dos Malês, assinale a opção correta.
- A)Ao final da revolta, foram mortos 70 revoltosos e 7 homens das tropas oficiais; quase 3 centenas de malês foram presos e julgados; e as penas aplicadas incluíam açoites, trabalhos forçados, deportação para a África e condenação à morte.
Errada, porque os números e a descrição da repressão não correspondem com precisão histórica ao desfecho da revolta.
- B)Todos os revoltosos pertenciam à etnia dos nagôs.
Errada, porque a revolta envolveu africanos de diferentes origens, e não apenas pessoas da etnia nagô.
- C)O fim da escravidão não era a principal reivindicação da revolta.
Certa, porque a principal pauta da Revolta dos Malês não era a abolição geral da escravidão, mas a resistência de africanos muçulmanos e suas condições específicas de opressão.
- D)Os revoltosos professavam religiões de matriz africana, daí o nome malês.
Errada, porque "malês" se refere a muçulmanos africanos, e não a praticantes de religiões de matriz africana.
- E)A Igreja Católica, como instituição, apoiou a Revolta dos Malês, dando continuidade à luta pela abolição da escravidão.
Errada, porque a Igreja Católica não apoiou institucionalmente a Revolta dos Malês nem liderou essa luta.
Gabarito: C
A Revolta dos Malês aconteceu em Salvador, em 1835, e foi organizada principalmente por africanos muçulmanos, muitos deles escravizados ou libertos. O nome "malê" vem de "imale", termo iorubá usado para designar muçulmano. Ou seja, o foco do movimento estava muito ligado à religião, à condição dos africanos e à resistência à opressão cotidiana. Aqui está o ponto-chave para acertar a questão: o fim da escravidão não era a principal reivindicação da revolta. Havia, sim, contestação à escravidão e à violência do sistema, mas a pauta central não era uma abolição geral como a gente pensaria em movimentos posteriores. A revolta tinha um recorte específico, ligado aos muçulmanos africanos e ao contexto urbano de Salvador. Por isso, a alternativa C é a correta. A questão costuma testar se você confunde a Revolta dos Malês com uma luta abolicionista ampla, e aí mora a pegadinha. Em concursos, esse tipo de revolta aparece muitas vezes como manifestação de resistência escrava, mas nem toda resistência tinha como programa principal acabar com a escravidão em sentido geral. Como apoio histórico, vale lembrar que a repressão foi dura, com execuções, prisões, açoites e deportações. O episódio mostra bem como o Império lidava com revoltas de escravizados e africanos: com força bruta e punição exemplar, não com diálogo de gabinete.