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Historia Mundial · CESPE/CEBRASPE · 2022

Questão comentada de Historia Mundial

Feministas assumidas ou não, as mulheres forçam a inclusão dos temas que falam de si, que contam sua própria história e de suas antepassadas e que permitem entender as origens de muitas crenças e valores, de muitas práticas sociais frequentemente opressivas e de inúmeras formas de desclassificação e estigmatização. De certo modo, o passado já não nos dizia e precisava ser reinterrogado a partir de novos olhares e problematizações, por meio de outras categorias interpretativas, criadas fora da estrutura falocêntrica especular. Margareth Rago. Epistemologia feminista, gênero e história. In: Joana Pedro e Mirian Grossi (Org.). Masculino, feminino, plural. Florianópolis: Mulheres, 1998. (com adaptações). A respeito do tema tratado no fragmento apresentado, assinale a opção correta.

Gabarito: D

O fragmento conversa com a ideia de que a história não é neutra nem fechada: ela pode e deve ser relida a partir de novos sujeitos, novas perguntas e novas categorias de análise. Quando os estudos de gênero entram em cena, não servem só para “acrescentar mulheres” à narrativa, mas para mostrar como relações de poder, identidades e desigualdades foram construídas historicamente. É aí que a história ganha profundidade, porque o passado deixa de ser um bloco pronto e passa a ser reinterrogado. Na linha de Margareth Rago, a história das mulheres e os estudos de gênero rompem com a visão tradicional, centrada no masculino como medida universal. Isso permite enxergar práticas sociais, crenças e formas de opressão que antes pareciam naturais. Em outras palavras: você não muda só o elenco, você muda também o roteiro da análise. Por isso, a alternativa D está correta: estudos de gênero e história das mulheres são relevantes justamente porque exigem novas interpretações do passado. Eles ampliam as perguntas, mostram silêncios da narrativa histórica e ajudam a entender como certas hierarquias foram produzidas e mantidas ao longo do tempo. Em termos de base normativa, esse debate conversa com a educação para a cidadania e com a valorização da diversidade cultural previstas na LDB (Lei 9.394/1996) e, de forma mais ampla, com a ideia de formação crítica prevista nas Diretrizes Curriculares Nacionais. O ponto central é simples: incluir gênero na história não é enfeite, é ferramenta para compreender melhor a sociedade.

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