No que se refere à escravização, aos escravizados e às resistências, assinale a opção correta.
- A)Durante a formação do Brasil colonial, o quilombo foi a forma mais expressiva de resistência da população escravizada
Certa: os quilombos foram uma das formas mais expressivas e organizadas de resistência dos escravizados no Brasil colonial.
- B)Os escravizados africanos e indígenas, no Brasil, eximiam-se à participação em revoltas.
Errada: africanos e indígenas escravizados participaram de revoltas, fugas e outras formas de resistência, não ficaram fora delas.
- C)A onda de transformações políticas e ideológicas, algumas revolucionárias, iniciada no final do século XVIII, não influenciou a rebeldia negra nas Américas.
Errada: as transformações políticas do fim do século XVIII influenciaram, sim, rebeldias negras nas Américas, inclusive no Brasil.
- D)Os quilombos não representavam uma ameaça concreta ao poder do colonizador, sendo inclusive aceita sua existência pelos fazendeiros.
Errada: quilombos eram vistos como ameaça real ao sistema escravista e jamais tiveram sua existência simplesmente aceita pelos fazendeiros.
- E)Os africanos e indígenas escravizados aceitaram de maneira completa o catolicismo, deixando de lado e renegando suas religiosidades originais.
Errada: não houve aceitação completa do catolicismo; houve preservação, adaptação e sincretismo com religiosidades africanas e indígenas.
Gabarito: A
A escravização no Brasil não foi marcada só pela violência e pela exploração: ela também gerou muitas formas de resistência. Entre elas, os quilombos tiveram destaque porque reuniam pessoas fugidas da escravidão e criavam espaços de autonomia, sobrevivência e enfrentamento ao sistema colonial. O exemplo mais famoso é o Quilombo dos Palmares, que mostra bem como essas comunidades podiam durar, crescer e até desafiar o poder local. Por isso, a letra A está correta: o quilombo foi, sim, uma das formas mais expressivas de resistência da população escravizada durante a formação do Brasil colonial. Não foi a única - houve fugas individuais, sabotagem, negociações, revoltas, preservação cultural e religiosa -, mas foi uma das mais simbólicas e organizadas. As revoltas e resistências negras também foram influenciadas pelo contexto atlântico do final do século XVIII e início do XIX. Ideias como liberdade, igualdade e ruptura com a ordem colonial circularam nas Américas e dialogaram com insurgências de escravizados e libertos. Ou seja, não dá para fingir que esse clima revolucionário passou longe da população negra escravizada. Em termos históricos, vale lembrar que o quilombo não era visto pelos senhores como algo “inofensivo”. Pelo contrário: era ameaça concreta à ordem escravista, à propriedade e à autoridade colonial. E também não houve uma adesão completa e pacífica ao catolicismo, porque africanos e indígenas mantiveram, adaptaram e recriaram práticas religiosas próprias, muitas vezes em sincretismo com a religião imposta.