O projeto para o país do segundo governo de Getúlio Vargas foi pautado pelo ideário do nacional-desenvolvimentismo. Para executar seus programas de industrialização, Getúlio concentrou-os em duas instâncias: o Ministério da Fazenda e a Assessoria Econômica. Internet: <memorialdademocracia.com.br> (com adaptações). O nacional-desenvolvimentismo foi iniciado por Getúlio Vargas, embora tenha tido seu salto maior no governo de Juscelino Kubitschek. Desde sua primeira passagem pelo governo federal, o governo Vargas já tinha elementos desenvolvimentistas. Uma das marcas mais fortes dos dois governos de Getúlio Vargas foi a
- A)associação com o capital externo, para o crescimento econômico.
Errada, porque o varguismo priorizou a ação estatal e a proteção de setores estratégicos, não uma dependência direta do capital externo como eixo principal do crescimento.
- B)democratização política para a condução econômica do país
Errada, porque o período Vargas teve forte centralização política e não se caracterizou por democratização como instrumento da política econômica.
- C)intervenção estatal em áreas consideradas de interesse nacional.
Certa, pois o varguismo marcou-se pela intervenção do Estado em setores estratégicos, base do nacional-desenvolvimentismo.
- D)ditadura política, para que houvesse o desenvolvimento econômico.
Errada, porque a industrialização varguista não dependeu de ditadura como requisito econômico; a marca central foi o intervencionismo estatal, não a forma autoritária em si.
- E)flexibilização das leis trabalhistas, para o aumento do vínculo empregatício.
Errada, porque a legislação trabalhista foi ampliada e regulada no período, e não flexibilizada para precarizar ou ampliar vínculos de forma liberal.
Gabarito: C
O nacional-desenvolvimentismo foi a ideia de que o Estado deveria puxar a modernização econômica, especialmente em um país ainda muito dependente de exportação de produtos primários. Em vez de deixar tudo nas mãos do mercado, o governo entra como planejador, investidor e indutor da industrialização. É uma lógica bem típica do período Vargas, sobretudo no segundo governo, com foco em energia, siderurgia, transporte e base industrial pesada. Getúlio Vargas já vinha, desde a década de 1930, fortalecendo a intervenção estatal na economia. No segundo governo, isso aparece com mais força no discurso desenvolvimentista: o Estado cria estruturas, coordena investimentos e assume setores considerados estratégicos para o interesse nacional. Isso combina com a criação e fortalecimento de órgãos como a Petrobras e com a ideia de que certos ramos não poderiam ficar totalmente entregues ao capital privado ou estrangeiro. Por isso, a alternativa C está correta: uma marca forte dos dois governos de Vargas foi a intervenção estatal em áreas consideradas de interesse nacional. Essa intervenção não era só administrativa, mas também econômica e estratégica, servindo para organizar o crescimento e reduzir a dependência externa. É a cara do projeto varguista: Estado forte, economia guiada de cima e industrialização acelerada. As demais alternativas fogem dessa lógica. Vargas não se notabilizou por democratização política, nem por flexibilização trabalhista. Muito menos por apostar, como eixo principal, na associação tranquila com capital externo. O centro da política econômica varguista foi justamente a presença ativa do Estado como motor do desenvolvimento.