O processo de abolição da escravidão no Brasil foi longo e contou com várias medidas que afetaram o regime servil ao longo do século XIX, antes da Lei Áurea. A respeito desse processo, assinale a opção correta.
- A)Quando da abolição, apenas poucos milhares de pessoas ainda escravizadas, cerca de 10 mil, foram diretamente beneficiadas pela Lei Áurea.
Errada: a Lei Áurea libertou cerca de 700 mil pessoas ainda escravizadas, e não apenas uns 10 mil.
- B)A expectativa de que no Brasil houvesse um levante semelhante ao ocorrido no Haiti ou uma guerra semelhante à de secessão, ocorrida nos Estados Unidos da América, influenciou o processo de abolição da escravidão no Brasil.
Certa: o temor de uma revolta no estilo do Haiti ou de uma guerra como a Guerra de Secessão influenciou o ritmo e a forma da abolição brasileira.
- C)Não houve rebeliões escravas internas ao Brasil ao longo do século XIX, o que evidencia o caráter pacífico do processo de abolição da escravidão.
Errada: houve várias rebeliões, fugas, quilombos e resistências escravas ao longo do século XIX, então o processo não foi pacífico.
- D)A Lei do Ventre Livre e a Lei Áurea foram impostas pelo imperador, em confronto com o parlamento.
Errada: a Lei do Ventre Livre e a Lei Áurea não foram imposições pessoais do imperador contra o parlamento; elas fizeram parte de um processo político mais amplo no Império.
- E)O tráfico de pessoas escravizadas foi extinto na data prevista pelo Tratado de Independência, assinado com Portugal e Inglaterra.
Errada: o tráfico transatlântico foi proibido pela Lei Eusébio de Queirós, em 1850, e não por algum tratado de independência com Portugal e Inglaterra.
Gabarito: B
A abolição da escravidão no Brasil não aconteceu de uma vez, como num “estalo” histórico. Ela foi sendo desmontada aos poucos ao longo do século XIX, com leis que enfraqueciam o sistema servil antes da assinatura da Lei Áurea em 13 de maio de 1888, no fim do Império. Entre essas medidas estão a Lei Eusébio de Queirós (1850), que acabou com o tráfico atlântico, a Lei do Ventre Livre (1871), a dos Sexagenários (1885) e, por fim, a abolição total. O ponto central da questão é que a pressão pelo fim da escravidão não vinha só de razões morais: havia também medo de explosões sociais. A elite imperial e os formuladores da política percebiam o fantasma do Haiti, onde uma grande revolta de escravizados derrubou o sistema colonial, e também acompanhavam o impacto da Guerra de Secessão nos Estados Unidos, que culminou na abolição naquele país. Esse receio de desordem e de guerra social influenciou fortemente o ritmo e o desenho da abolição brasileira. Por isso a alternativa B está correta: ela captura bem esse contexto de medo de uma ruptura violenta, que ajudou a empurrar o Império para mudanças graduais e controladas. A abolição no Brasil não foi um simples gesto isolado, mas o resultado de pressões internas, mobilização abolicionista, resistência escrava e cálculo político da monarquia. Em linguagem de prova: se aparecer uma opção dizendo que a abolição foi pacífica, sem conflitos ou sem influência de revoltas externas e internas, desconfie. O processo foi lento, tenso e cheio de medo de que a história saísse do controle.