Os governos militares no Brasil
- A)foram impopulares do início ao fim, em razão dos sucessivos fracassos econômicos.
Errada, porque os governos militares não foram impopulares do início ao fim por fracassos econômicos, já que houve fases de forte crescimento, como o "milagre econômico".
- B)evitaram interferir na independência do Poder Judiciário, tendo respeitado a integridade do Supremo Tribunal Federal.
Errada, pois o regime interferiu no Judiciário e limitou a atuação do STF, inclusive com cassações, aposentadorias compulsórias e atos institucionais.
- C)adotaram políticas neoliberais, marcadas pela ausência de interferências do Estado sobre a economia.
Errada, porque o período não adotou políticas neoliberais de ausência do Estado; ao contrário, houve forte intervenção estatal e planejamento econômico.
- D)promoveram o respeito aos direitos humanos e a liberdade de imprensa.
Errada, porque os governos militares restringiram direitos humanos e censuraram a imprensa, em vez de promovê-los.
- E)passaram por conflitos diplomáticos com os Estados Unidos da América, tendo o programa nuclear sido um dos pontos de atrito.
Certa, pois houve tensões diplomáticas com os Estados Unidos, especialmente em razão da política nuclear brasileira e da busca de maior autonomia externa.
Gabarito: E
Os governos militares no Brasil (1964-1985) não foram um bloco uniforme: eles alternaram repressão política, crescimento econômico em alguns momentos e crise em outros. Então cuidado com afirmações absolutas, porque em prova de CEBRASP isso costuma ser a primeira armadilha. A ditadura militar foi marcada pela restrição de direitos, censura, perseguição a opositores e forte intervenção estatal na economia. Isso já derruba ideias como "liberdade de imprensa" e "neoliberalismo", porque o período teve, na prática, um Estado bem presente, especialmente no planejamento e nos grandes projetos de infraestrutura. A alternativa correta é a letra E porque, no plano externo, o regime militar teve atritos com os Estados Unidos em temas estratégicos, especialmente na área nuclear. Um exemplo clássico é o acordo Brasil-Alemanha Ocidental de 1975 para cooperação nuclear, que gerou desconfiança e pressão norte-americana, em meio à lógica da Guerra Fria e ao debate sobre proliferação nuclear. Além disso, a política externa do período buscou certa autonomia em relação aos EUA, principalmente em governos como o de Ernesto Geisel, dentro da chamada "pragmatismo responsável". Ou seja: não era uma relação de total alinhamento e paz diplomática; havia interesses em choque, e o programa nuclear virou um ponto sensível dessa relação.