Ainda que a fuga da família real portuguesa para o Rio de Janeiro tenha transformado várias das relações entre a sociedade e o Estado, a construção do Estado Nacional brasileiro se fez a partir de 1822. No que se refere a essa construção, assinale a opção correta.
- A)As fronteiras com as repúblicas sul-americanas estavam demarcadas desde o Tratado de Madri, em 1750, o que explica a ausência de conflitos internacionais no contexto da construção do Estado Nacional.
Errada, porque as fronteiras brasileiras não estavam totalmente demarcadas desde 1750 e ainda houve conflitos e negociações ao longo do século XIX.
- B)As instituições norte-americanas serviram de inspiração aos constituintes de 1824 no Brasil, os quais adotaram a mesma forma de governo adotada nos Estados Unidos da América.
Errada, porque a Constituição de 1824 manteve o Brasil como monarquia constitucional, sem adotar o modelo republicano dos Estados Unidos.
- C)As guerras de independência no Brasil foram semelhantes às ocorridas no restante da América Latina, por serem numerosas e de longa duração.
Errada, porque as guerras de independência no Brasil foram bem menos numerosas e prolongadas do que em grande parte da América Latina.
- D)O Exército Brasileiro foi peça fundamental da construção do Estado ao garantir a unidade nacional quando da independência.
Errada, porque o Exército brasileiro ainda estava em formação; a unidade nacional foi mais resultado da ação política do governo central e de acordos provinciais do que de uma força militar consolidada na independência.
- E)Extinguir o tráfico negreiro em razão das pressões estrangeiras, em uma sociedade escravista, foi uma das tarefas mais difíceis para a construção do Estado Nacional.
Certa, porque a repressão ao tráfico negreiro foi um grande desafio do Império, já que enfrentava interesses escravistas internos e forte pressão externa, sobretudo britânica.
Gabarito: E
A construção do Estado Nacional brasileiro, depois de 1822, não foi um passeio no parque. A independência foi proclamada, mas o novo Estado ainda precisava se firmar internamente e, ao mesmo tempo, responder a pressões externas, sobretudo britânicas, ligadas ao tráfico de africanos escravizados. Isso tornou a questão do tráfico negreiro uma das mais delicadas do período imperial. O Brasil era uma sociedade escravista, e a economia dependia fortemente da mão de obra cativa. Por isso, acabar com o tráfico não era só uma decisão moral ou diplomática: mexia com a base econômica e política do Império. As elites agrárias resistiam, e o governo precisava equilibrar a soberania nacional com as exigências da Inglaterra, que pressionava pelo fim do tráfico desde o início do século XIX. Na prática, essa tensão marcou várias etapas do período: tratados, promessas adiadas, leis de proibição pouco cumpridas e, depois, leis efetivas como a Lei Eusébio de Queirós, de 1850, que reprimiu o tráfico atlântico. Então, a alternativa correta é a que percebe esse ponto central: extinguir o tráfico negreiro, em uma sociedade escravista e sob pressão estrangeira, foi uma das tarefas mais difíceis da construção do Estado Nacional. Ou seja: o Brasil não nasceu pronto em 1822. Ele foi sendo montado aos poucos, com conflitos, interesses econômicos, disputa diplomática e muita resistência interna. E, nesse quebra-cabeça, o tráfico de escravos foi uma peça enorme.