A sociedade colonial brasileira assentou-se, entre outras instituições, no latifúndio e na escravidão. No que tange a esse assunto, assinale a opção correta.
- A)Empregando trabalhadores escravizados, a sociedade colonial deu início à produção de mercadorias no Brasil.
Certa, porque a produção colonial de mercadorias se estruturou com base no trabalho escravizado, especialmente nas grandes propriedades voltadas à exportação.
- B)As sociedades indígenas anteriores aos descobrimentos valorizavam a propriedade privada sobre terra, a qual foi aproveitada para a formação dos latifúndios na sociedade colonial.
Errada, porque a terra nas sociedades indígenas não seguia a lógica europeia de propriedade privada que depois sustentou o latifúndio colonial.
- C)As famílias seguiam fielmente os valores católicos de então quanto ao casamento e à sexualidade, sendo raras as certidões de batismos em que o pai não era declarado.
Errada, porque a vida familiar e sexual na colônia estava longe do ideal católico rígido, e eram comuns registros incompletos, inclusive sem o nome do pai.
- D)Na sociedade colonial, homens e mulheres eram considerados iguais em direitos e deveres.
Errada, porque a sociedade colonial era hierarquizada e patriarcal, sem igualdade jurídica entre homens e mulheres.
- E)A Igreja Católica opôs-se oficialmente à escravidão, favorecendo o abolicionismo.
Errada, porque a Igreja Católica não assumiu oficialmente uma posição abolicionista no período colonial, embora existissem críticas e tensões pontuais sobre certas formas de escravização.
Gabarito: A
A sociedade colonial brasileira foi montada sobre uma combinação bem conhecida: grande propriedade de terra, monocultura voltada ao mercado externo e trabalho compulsório, sobretudo escravo. Em outras palavras, não era uma economia de pequenos proprietários livres produzindo para si, mas um sistema pensado para exportar e lucrar. Isso ajuda a entender por que o latifúndio e a escravidão aparecem juntos como pilares da colonização. No Brasil colonial, a produção de mercadorias ganha força justamente com esse modelo. Açúcar, ouro e outros produtos entravam em circuitos comerciais amplos, e o trabalho escravizado foi central para fazer a engrenagem funcionar. Por isso, a alternativa A está correta: ao empregar trabalhadores escravizados, a sociedade colonial deu início e sustentação à produção mercantil no Brasil. As demais opções trocam a história por uma versão bem arrumadinha demais, e a realidade colonial era bem menos “civilizada” do que o enunciado tenta fazer parecer. As sociedades indígenas não se organizavam, em regra, por propriedade privada da terra nos moldes europeus; a família colonial não seguia fielmente os padrões católicos, havendo muita informalidade e registros incompletos; homens e mulheres não tinham igualdade jurídica; e a Igreja Católica, embora tenha havido críticas pontuais à escravização indígena em certos momentos, não foi uma força oficial abolicionista no período colonial. Se você lembrar de uma fórmula, guarde esta: colônia portuguesa no Brasil = grande propriedade + exportação + escravidão. É o trio clássico da nossa história colonial, e ele aparece com frequência em questões de vestibular e concurso.