Em uma sala existem vários equipamentos monofásicos instalados que são alimentados por circuitos que estão ligados a um quadro de distribuição trifásico. Este quadro é alimentado por um alimentador vindo do quadro geral de alimentação de toda a instalação. O histórico de manutenção mostra que pelo neutro desse alimentador circula uma corrente elétrica elevada. De forma repentina, ocorreu a queima de vários equipamentos simultaneamente nessa sala. Uma possível causa desse evento é:
- A)Rompimento de uma das fases do alimentador.
O rompimento de uma fase pode causar falta de energia ou desequilíbrio, mas não explica tão bem a queima simultânea de vários equipamentos monofásicos quanto a perda do neutro.
- B)Disjuntor inoperante.
Disjuntor inoperante é genérico demais e não justifica o sintoma específico de sobretensão em várias cargas ao mesmo tempo.
- C)Curto-circuito entre fases no quadro.
Curto-circuito entre fases tenderia a provocar atuação de proteção, interrupção do circuito e danos localizados, não o quadro típico de flutuação de tensão por problema no neutro.
- D)Rompimento do neutro do alimentador.
O rompimento do neutro faz o ponto neutro flutuar e pode elevar a tensão em parte das cargas monofásicas, o que explica a queima simultânea dos equipamentos.
- E)Contato indireto desses equipamentos com uma fase.
Contato indireto se relaciona a choque elétrico e proteção contra falhas de isolamento, não ao mecanismo de sobretensão que danifica vários aparelhos de uma vez.
Gabarito: D
Quando você tem vários equipamentos monofásicos ligados em um quadro trifásico, o neutro deixa de ser um fio “decorativo” e passa a trabalhar de verdade, conduzindo a corrente de desequilíbrio entre as fases. Se essa corrente no neutro já aparece elevada no histórico de manutenção, o sistema já estava avisando que havia desbalanceamento importante ou algum problema de ligação/projeto. O ponto-chave da questão é o rompimento do neutro do alimentador. Em um circuito com cargas monofásicas distribuídas entre fases, a quebra do neutro faz o ponto neutro “flutuar”. Aí a tensão deixa de se dividir de forma correta entre as cargas, e alguns equipamentos podem receber sobretensão enquanto outros ficam subalimentados. Resultado prático: queima simultânea de vários aparelhos, cenário bem típico e bem traiçoeiro. Esse raciocínio é compatível com a lógica da NBR 5410, que trata da necessidade de condutores adequados ao regime de neutro e do cuidado com desequilíbrios em sistemas trifásicos com cargas monofásicas. Não é magia, nem azar elétrico: é desequilíbrio + neutro interrompido = tensão fora do controle. Então, o gabarito D está correto porque a ruptura do neutro explica tanto a corrente elevada previamente observada quanto a queima simultânea dos equipamentos. É a clássica situação em que o neutro some e as tensões começam a fazer “bagunça” na instalação.