No planejamento de um projeto, os riscos devem ser levantados de modo a permitir que a equipe se prepare para tratá-los caso venham a ocorrer. Durante uma reunião para o planejamento de um projeto de construção de uma instalação hipotética, que tem prazo de entrega de quatro meses, foram levantados os itens enumerados a seguir: I. o prazo de entrega do material a ser comprado praticado por um possível fornecedor é de quatro meses; II. greve dos caminhoneiros; III. ocorrência de chuvas que impeçam a execução do trabalho. Pode(m) ser considerado(s) risco(s) somente:
- A)I;
Errada, porque o item I descreve uma restrição conhecida de prazo, e não um evento incerto.
- B)II;
Errada, porque a greve dos caminhoneiros é sim um risco, mas ela não é a única opção correta.
- C)III;
Errada, porque chuvas que impedem a execução também são risco, mas não sozinhas.
- D)I e II;
Errada, porque o item I não entra como risco na formulação da questão; ele é uma condição já conhecida do projeto.
- E)II e III.
Certa, porque greve e chuvas são eventos incertos que podem afetar diretamente o cronograma da obra.
Gabarito: E
Em gestão de projetos, risco é um evento ou condição incerta que, se acontecer, pode afetar prazo, custo, escopo ou qualidade. Ou seja, risco não é qualquer problema: ele precisa ter uma boa dose de incerteza e possibilidade de impacto. Se algo já é certo, virou restrição, premissa ou dado do cenário, e não um risco em sentido clássico. Isso cai bastante em prova porque a banca mistura “problema”, “limitação” e “risco” como se fossem a mesma coisa. No item I, o prazo de entrega do fornecedor é de quatro meses e o projeto também precisa ser entregue em quatro meses. Isso revela uma restrição séria de planejamento, mas não um risco no enunciado como está posto, porque o dado já foi levantado como prazo praticado pelo fornecedor. Não há incerteza descrita ali; há uma condição conhecida que exige decisão de compra ou de cronograma. Já o item II, greve dos caminhoneiros, é um evento incerto e externo, capaz de atrasar transporte de materiais e impactar o projeto. O item III, chuvas que impeçam a execução do trabalho, também é um risco típico de obra, porque depende de condição climática e pode paralisar atividades. Em obras, esse tipo de risco ambiental é clássico e muito cobrado. Por isso, o gabarito é E, pois apenas II e III trazem eventos incertos com potencial de impacto. A lógica está alinhada com a visão de gerenciamento de riscos adotada em normas e boas práticas, como a ISO 31000, que trata risco como efeito da incerteza sobre objetivos.