O disjuntor é um elemento indispensável para a operação de sistemas elétricos de potência, sobretudo na proteção de sistemas elétricos. Para uma operação confiável, esse equipamento deve ser dimensionado para suportar as solicitações relacionadas a fenômenos eletromagnéticos inerentes à sua operação. Nesse contexto, a tensão de restabelecimento transitória refere-se
- A)à distorção do sinal de tensão encontrado nos terminais de um disjuntor após fechamento do circuito, devido ao carregamento da indutância interna do disjuntor.
Errada: descreve uma ideia imprecisa de distorção de tensão após fechamento, sem relação com a tensão de restabelecimento transitória na abertura do disjuntor.
- B)à tensão entre os terminais do disjuntor durante a abertura do circuito, cujo perfil deve ser suportado pelo seu dielétrico para que ocorra efetivamente a extinção da corrente.
Certa: a TRV é a tensão que surge entre os terminais do disjuntor após a interrupção da corrente e que precisa ser suportada pelo dielétrico para evitar reignição do arco.
- C)ao nível de isolamento mínimo necessário para que uma tensão oriunda de um surto atmosférico não degrade permanentemente seu isolamento.
Errada: isso se refere à coordenação de isolamento contra surtos atmosféricos, não à TRV do disjuntor.
- D)ao nível de isolamento mínimo necessário para que uma tensão oriunda de um surto de manobra não degrade permanentemente sua câmara de extinção.
Errada: também trata de nível de isolamento frente a surto de manobra, conceito de isolamento, não de tensão de restabelecimento transitória.
- E)à tensão máxima que o disjuntor suporta entre seus terminais, enquanto estes estão abertos, até o limiar de ocorrer um arco elétrico reverso sustentado.
Errada: a descrição fala de tensão máxima com contatos abertos e arco reverso, mas isso não define corretamente a TRV nem o fenômeno associado à extinção da corrente.
Gabarito: B
Em disjuntores de sistemas elétricos de potência, a grande preocupação na abertura de um circuito não é só interromper a corrente, mas também suportar o que acontece logo depois disso. Quando a corrente é extinta, surge entre os terminais uma tensão que reaparece rapidamente e pode ter crescimento muito abrupto. Essa é a tensão de restabelecimento transitória (TRV), um fenômeno clássico da análise de SEP e do dimensionamento de disjuntores. Na prática, o disjuntor precisa conseguir abrir o circuito e, ao mesmo tempo, suportar o perfil dessa tensão sem perder a capacidade dielétrica. Se o dielétrico entre os contatos não resistir, o arco pode reaparecer e a interrupção falha. Por isso, a TRV é ligada diretamente à coordenação entre a extinção da corrente e a recuperação do isolamento interno do disjuntor. A alternativa B descreve exatamente isso: a tensão entre os terminais do disjuntor durante a abertura do circuito, cujo perfil deve ser suportado pelo dielétrico para que a extinção da corrente seja efetiva. Em linguagem de prova, pense assim: o disjuntor abre, a corrente tenta morrer, e a TRV é o "teste final" para ver se o arco fica no passado ou se volta para atormentar a operação. As outras opções confundem TRV com nível de isolamento, surto atmosférico, surto de manobra ou tensão em circuito aberto. Isso é pegadinha comum da banca: ela mistura fenômenos de isolamento com fenômenos de manobra do disjuntor para ver se você separa proteção de coordenação dielétrica.