Um técnico foi chamado para averiguar a queima de alguns equipamentos que estavam ligados em uma fase específica da instalação. Foi relatado a ele que não houve nenhuma descarga atmosférica por ocasião da queima. Uma possível causa dessa queima é
- A)desbalanceamento das fases seguida de uma abertura no neutro do alimentador do quadro.
Correta, pois o desbalanceamento com abertura do neutro pode provocar sobretensão em algumas fases e queimar os equipamentos ligados nelas.
- B)rompimento da fase em que os equipamentos estavam ligados.
Errada, porque o rompimento da fase normalmente causa falta de alimentação naquela fase, e não queima por sobretensão.
- C)sobrecarga nos circuitos em que os equipamentos estavam ligados.
Errada, pois sobrecarga gera aquecimento e desgaste por corrente excessiva, mas não explica bem a queima concentrada em uma fase específica sem outro indício.
- D)sobrecarga na alimentação do quadro.
Errada, porque sobrecarga na alimentação do quadro tende a afetar o conjunto da instalação, não apenas uma fase de forma localizada.
- E)abertura indevida do disjuntor geral do quadro de alimentação.
Errada, já que a abertura do disjuntor geral interrompe o fornecimento, mas não produz o quadro típico de queima de equipamentos.
Gabarito: A
Quando equipamentos queimam apenas em uma fase, o primeiro suspeito costuma ser um problema de desequilíbrio entre as fases combinado com falha no neutro. Isso porque, em uma instalação trifásica com cargas desbalanceadas, o neutro ajuda a manter as tensões de fase próximas do valor nominal. Se o neutro abre, o ponto comum das cargas fica “solto” e as tensões se redistribuem de forma desigual, podendo elevar demais a tensão em alguns aparelhos e reduzi-la em outros. Resultado: alguns equipamentos recebem sobretensão e podem queimar mesmo sem ter havido descarga atmosférica. É exatamente por isso que o gabarito aponta a alternativa A. A combinação de desbalanceamento das fases com abertura do neutro do alimentador é clássica em queima localizada de cargas monofásicas. Em linguagem de prova: não é a fase em si que “explode”, mas a tensão que deixa de ser controlada no circuito por causa da perda do neutro. As outras alternativas tentam jogar a culpa em excesso de corrente ou em falta de energia, mas isso não explica tão bem a queima em uma fase específica. Sobrecarga normalmente aquece e danifica por corrente elevada ao longo do tempo, enquanto abertura de disjuntor ou rompimento de fase tende a causar interrupção, não sobretensão seletiva nos equipamentos que sobraram ligados. Na prática, esse é um tema bem cobrado em distribuição: desbalanceamento de carga, neutro aberto, variação de tensão e queima de equipamentos. É o tipo de situação em que a instalação não “pede socorro com sirene”, mas entrega tudo pela conta de luz e pelo cheiro de componente queimado.