Pode-se entender por aterramento elétrico a ligação elétrica de um equipamento ou de componente de um sistema elétrico à terra por meio de condutores de eletricidade adequados. Para que um sistema de energia elétrica opere corretamente, com uma adequada continuidade de serviço, com um desempenho seguro do sistema de proteção e, mais ainda, para garantir os limites de segurança pessoal, é fundamental que o quesito aterramento mereça um cuidado especial. A Norma ABNT NBR 5410 apresenta três tipos de aterramento: TN, TT e IT. Dadas as afirmativas quanto aos esquemas de aterramento elétrico em circuitos de baixa tensão, I. O esquema IT é usado em instalações em que haja custos excessivos ou até mesmo risco de morte se houver um desligamento dos circuitos devido a uma sobrecorrente. Alguns tipos de indústria e de hospitais fazem uso desse esquema de aterramento que usa para limitar as correntes de curto-circuito uma impedância de valor elevado para o aterramento do neutro ou até mesmo o isolamento total do neutro para a terra. II. Antes de o novo padrão de tomadas ser instituído, a maioria das instalações elétricas residenciais tinha tomadas de 2 (dois) pinos e o aterramento das massas dos equipamentos era realizado de forma local, prioritariamente em equipamentos como máquinas de lavar, chuveiros elétricos e geladeiras. Esse tipo de esquema de aterramento era o TT. III. Com o novo padrão de tomadas, veio a obrigatoriedade da chegada no neutro em todas as tomadas das casas. O esquema de aterramento foi alterado para o TN-S que, igualmente ao TT, tem o neutro diretamente aterrado, mas, diferentemente do TT, com todas as cargas aterradas no mesmo eletrodo em que foi aterrado o neutro. verifica-se que está/ão correta/s
- A)I, II e III.
A alternativa reúne as três afirmações como se todas descrevessem corretamente os esquemas IT, TT e TN-S. As duas primeiras estão de acordo com a NBR 5410: o IT admite neutro isolado da terra ou ligado por impedância elevada e é usado quando a continuidade do serviço é crítica, e o TT corresponde ao aterramento local das massas por eletrodo próprio. Já o item III distorce o TN-S ao dizer que todas as cargas são aterradas no mesmo eletrodo do neutro e ao impor neutro em todas as tomadas, quando no TN-S o condutor de proteção é separado do neutro e o padrão de tomadas não cria essa obrigação universal.
- B)I e III, apenas.
A alternativa seleciona I e III. O item I descreve corretamente o IT, com fonte isolada ou aterrada por impedância e aplicação em locais como hospitais e certas indústrias, onde a interrupção por sobrecorrente pode ser indesejável ou perigosa. O item III, porém, erra ao confundir TN-S com TT e ao afirmar que o novo padrão de tomadas impôs neutro em todos os pontos, porque no TN-S o neutro e o condutor de proteção seguem separados e a tomada pode ser fase-neutro ou fase-fase conforme o circuito.
- C)I e II, apenas.
A alternativa marca I e II, que são justamente as proposições compatíveis com os conceitos da NBR 5410. O IT é o sistema que limita a corrente de falta à terra e preserva a continuidade de serviço em instalações críticas, enquanto o TT é o arranjo em que as massas são ligadas a um eletrodo local independente do aterramento da fonte, como ocorria em muitas instalações antigas com alguns equipamentos específicos. Como o item III mistura características de TN-S com TT e ainda exagera a exigência de neutro em todas as tomadas, a combinação I e II é a única que se sustenta.
- D)III, apenas.
A alternativa indica apenas o item III, mas esse é o trecho mais problemático do enunciado. TN-S não significa que todas as cargas ficam ligadas ao mesmo eletrodo do neutro; significa que o neutro e o condutor de proteção permanecem separados após o ponto de alimentação, com as massas conectadas ao PE. Além disso, o novo padrão de tomadas não tornou obrigatório o neutro em todas as tomadas residenciais, de modo que a afirmação mistura conceitos distintos e fica tecnicamente incorreta.
- E)II, apenas
A alternativa fica só com o item II, mas o item I também está correto. O TT realmente corresponde ao aterramento local das massas por eletrodo próprio, sem depender de uma ligação direta com o neutro da concessionária, o que explica seu uso histórico em alguns equipamentos residenciais. Como o IT é justamente o esquema voltado a manter a continuidade em instalações críticas, com neutro isolado ou por impedância, excluir o item I não faz sentido.
Gabarito: C
Quando a gente fala em aterramento, está falando de caminho seguro para a terra, tanto para proteger pessoas quanto para ajudar as proteções a agir direito. A ABNT NBR 5410 classifica os esquemas de aterramento em TN, TT e IT, e cada um tem uma lógica própria de ligação do neutro e das massas metálicas dos equipamentos. No esquema IT, o ponto neutro da fonte fica isolado da terra, ou ligado a ela por uma impedância alta. Isso reduz a corrente de falta e é útil em locais onde a interrupção imediata do circuito pode causar grande prejuízo ou colocar vidas em risco, como em hospitais e certos processos industriais. Por isso, a afirmativa I está correta. O esquema TT é aquele em que as massas da instalação ficam ligadas a um eletrodo de aterramento próprio, independente do aterramento da fonte. A ideia da afirmativa II é essa mesma: antes do padrão atual de tomadas, era comum haver aterramento local de massas em alguns aparelhos, o que corresponde à lógica do TT. Então a II também está correta. Já a III mistura conceitos. No TN-S, o neutro da fonte é aterrado, mas as massas não vão para o mesmo eletrodo do neutro como a frase sugere; além disso, não existe obrigatoriedade de "chegada do neutro em todas as tomadas" como regra geral do esquema. Por isso, a banca considerou apenas I e II corretas, o que leva ao gabarito C.