No que diz respeito à proteção de transformadores trifásicos de potência, assinale a opção correta.
- A)A corrente mínima de operação do elemento de proteção diferencial não leva em consideração os erros de medição dos transformadores de corrente.
Errada, porque a corrente mínima de operação da diferencial deve considerar erros de medição dos TCs, além de desbalanços e transitórios.
- B)A proteção de falta à terra restrita permite detectar faltas próximas ao ponto neutro do lado aterrado do transformador.
Certa, porque a proteção de falta à terra restrita é justamente projetada para detectar faltas na zona próxima ao neutro do lado aterrado.
- C)A proteção diferencial de transformadores é imune a corrente de energização.
Errada, porque a proteção diferencial de transformadores pode ser sensibilizada pela corrente de energização e por isso usa recursos de bloqueio ou restrição harmônica.
- D)A proteção diferencial de sequência negativa não permite detectar curtos-circuitos entre espiras.
Errada, porque a proteção de sequência negativa pode ajudar a indicar desequilíbrios e faltas, e faltas entre espiras são tipicamente tratadas por outras técnicas, como a diferencial.
- E)A circulação de corrente de sequência zero no enrolamento delta de transformadores devido a curtos-circuitos monofásicos flui no sistema do lado estrela e não causa atuações indevidas.
Errada, porque correntes de sequência zero em conexões delta circulam internamente no delta, não seguindo para o sistema do lado estrela como a afirmação sugere.
Gabarito: B
Na proteção de transformadores de potência, a ideia é separar o que é falta interna do que é fenômeno normal de operação. A proteção diferencial olha a diferença entre as correntes que entram e saem do transformador: se a diferença passa do limite, suspeita de defeito interno. Mas ela não é perfeita nem universal, porque existem ajustes, bloqueios e proteções complementares para situações específicas. No caso de faltas à terra, a proteção de falta à terra restrita, ou REF (restricted earth fault), é muito usada para enxergar defeitos próximos ao neutro do enrolamento aterrado. Isso acontece porque ela supervisiona uma zona bem delimitada entre o transformador e o ponto de aterramento, ficando muito sensível a correntes de falta nessa região. É justamente por isso que ela consegue detectar faltas que outras proteções podem “ver com preguiça”. A alternativa B está correta por esse motivo: a proteção de falta à terra restrita é destinada a detectar faltas internas na zona restrita, inclusive próximas ao neutro do lado aterrado do transformador. Em proteção elétrica, o detalhe do ponto neutro faz toda a diferença, literalmente. Como referência doutrinária, isso é padrão em engenharia de proteção de sistemas elétricos: a REF é aplicada para cobrir a porção do enrolamento entre os TCs e o neutro, ampliando a sensibilidade para faltas fase-terra internas. Já a proteção diferencial e os demais esquemas precisam lidar com correntes de magnetização, sequência zero, erros de TC e outras “travessuras” do sistema.