Em um projeto de sistema de esgotamento sanitário, a equipe técnica precisa dimensionar diferentes componentes das unidades operacionais. Durante a análise, um engenheiro sugere que todas as estruturas devem ser projetadas para a vazão média. No entanto, um colega discorda, argumentando que algumas unidades devem ser dimensionadas considerando a vazão máxima horária, garantindo maior segurança ao sistema. Com base nessa situação, devem ser dimensionadas para a vazão média:
- A)todas as unidades operacionais;
Errada, porque nem todas as unidades operacionais são dimensionadas pela vazão média; várias precisam considerar vazões de pico, conforme sua função no sistema.
- B)canalizações precedidas de tanques de acumulação com descarga em regime de vazão constante;
Certa, porque a presença de tanque de acumulação com descarga constante regulariza o escoamento, permitindo dimensionamento pela vazão média.
- C)estações elevatórias de esgoto bruto;
Errada, porque estações elevatórias de esgoto bruto devem considerar as vazões de pico, já que precisam vencer as condições mais críticas de afluência.
- D)extravasores;
Errada, porque extravasores são dispositivos de alívio e devem responder às condições máximas do sistema, não à vazão média.
- E)medidores.
Errada, porque medidores precisam registrar adequadamente as condições de operação e não são, em regra, dimensionados pela vazão média quando sujeitos a variações relevantes.
Gabarito: B
Em projetos de esgotamento sanitário, a vazão de cálculo muda conforme a função da unidade. Não faz sentido tratar tudo igual: algumas estruturas precisam aguentar picos de uso, enquanto outras trabalham com fluxo mais estável. É aquela clássica lição de hidráulica aplicada: o sistema não é um bloco único, ele tem peças com comportamentos diferentes. A regra geral é olhar para o que passa dentro da unidade. Se a estrutura recebe variações diretas da rede, o dimensionamento costuma considerar a vazão máxima horária, porque o esgoto chega em “ondas”, como se o sistema respirasse em horários de pico. Já quando existe um tanque de acumulação antes da condução e a descarga ocorre em regime praticamente constante, a vazão de projeto passa a ser a vazão média, pois o próprio tanque amortece os picos. Por isso o gabarito é a letra B. Canalizações precedidas de tanques de acumulação com descarga em regime de vazão constante são dimensionadas pela vazão média, porque o reservatório equaliza a contribuição ao longo do tempo. Esse entendimento é compatível com a lógica adotada em manuais de saneamento e em normas de projeto, em que o tipo de unidade e o regime hidráulico definem a vazão de cálculo. Em resumo: se há amortecimento e descarga constante, você olha para a média; se há risco de pico direto, você olha para a máxima horária. A prova tenta confundir justamente isso: trocar “segurança” por “maximização” sem observar a função da unidade.