Um estudo ambiental em manguezal analisa a linha de costa e a distribuição de crustáceos, integrando dados topográficos, imagens de satélite e monitoramento da fauna. A modelagem espacial mais adequada para esse estudo, considerando a precisão geométrica e a variação contínua de fenômenos ambientais, deve priorizar:
- A)a utilização de dados matriciais, que modelam o terreno com precisão absoluta;
Errada, porque dados matriciais não trazem precisão absoluta e não são a melhor escolha para qualquer tipo de feição espacial.
- B)a sobreposição de dados matriciais, para garantir a correta representação da área;
Errada, porque sobrepor rasters não resolve, por si só, a adequação do modelo espacial nem garante representação correta da área.
- C)a conversão de dados vetoriais em matriciais, para melhor detalhamento das feições;
Errada, porque converter tudo para matricial não melhora automaticamente o detalhamento e ainda pode fazer perder precisão geométrica.
- D)a representação vetorial para a linha de costa, e a matricial para as espécies;
Certa, porque a linha de costa é melhor representada por vetor e a distribuição de espécies por raster, já que envolve variação contínua no espaço.
- E)a representação matricial para a linha de costa, e a vetorial para a modelagem da elevação.
Errada, porque elevações costumam ser melhor modeladas em matriz, enquanto a linha de costa tende a ser mais precisa em vetor.
Gabarito: D
Nesta questão, o ponto central é saber que nem todo fenômeno ambiental “pede” o mesmo tipo de representação. Em geoprocessamento, dados vetoriais funcionam melhor para objetos com limite bem definido, como linhas e polígonos. Já os dados matriciais (raster) são ótimos para fenômenos contínuos, como altitude, temperatura e umidade, porque distribuem o espaço em células. Em estudo ambiental, isso aparece o tempo todo: uma coisa é desenhar uma feição; outra é mapear um gradiente contínuo. No caso da linha de costa, o mais adequado é a representação vetorial. Afinal, ela é uma feição linear bem delimitada, e a geometria vetorial preserva melhor a posição e a forma dessa linha, o que ajuda na análise de recuo, avanço e comparação temporal. Para a distribuição de crustáceos, porém, a lógica muda: trata-se de um fenômeno espacialmente variável, associado ao habitat e à presença/ausência em áreas do manguezal, o que costuma ser modelado com superfícies, grades e interpolação, isto é, com estrutura matricial. Por isso o gabarito D está correto: usa vetorial para a linha de costa e matricial para as espécies. A banca FGV gosta muito dessa separação clássica entre feições discretas e fenômenos contínuos. Se você lembrar da regra prática, ela já resolve boa parte das questões: linha, limite e contorno tendem ao vetor; variável ambiental distribuída no espaço tende ao raster. Não há aqui um fundamento legal específico, mas a ideia é totalmente alinhada à doutrina de geoprocessamento e cartografia temática. Em prova, o que importa é a lógica técnica: precisão geométrica para a costa e representação espacial contínua para a fauna.