Leia o trecho a seguir. No Brasil, os padrões de lançamento de efluentes em corpos de água superficiais são estabelecidos pela Resolução CONAMA 357/2005, alterada, entre outras, pela Resolução CONAMA nº 430/2011. É estabelecido um enquadramento dos corpos de água baseado nos níveis de qualidade que deveriam possuir para atender às necessidades da comunidade. O padrão de lançamento de atividades antrópicas é determinado de acordo com o enquadramento e as estações de tratamento de efluentes dessas atividades são projetadas para atender um determinado nível de tratamento. Existe um nível de tratamento que tem por objetivo principal a remoção dos remanescentes de nutrientes, patogênicos, metais pesados e compostos não biodegradáveis. Esse é o foco de estações de tratamento de esgoto de regiões com grande aporte de nutrientes, principalmente quando o lançamento final ocorre em corpos de água lênticos (lagos ou lagoas). Esse nível de tratamento é definido como
- A)inferior.
Incorreta, porque tratamento inferior não é a classificação usada para etapas de tratamento de esgoto.
- B)preliminar.
Incorreta, pois o tratamento preliminar remove materiais grosseiros e protege os equipamentos, não nutrientes ou metais.
- C)primário.
Incorreta, porque o tratamento primário atua principalmente na remoção de sólidos sedimentáveis e parte da matéria em suspensão.
- D)secundário.
Incorreta, já que o tratamento secundário é voltado sobretudo à remoção de matéria orgânica biodegradável.
- E)terciário.
Correta, pois o tratamento terciário ou avançado remove remanescentes de nutrientes, patogênicos, metais pesados e compostos não biodegradáveis.
Gabarito: E
O tratamento de esgoto costuma ser dividido em etapas, e cada uma tem um “trabalho de casa” diferente. No nível preliminar, você tira os sólidos maiores e protege a estação. No primário, a ideia é separar parte dos sólidos sedimentáveis e da matéria em suspensão. No secundário, o foco é a matéria orgânica biodegradável, geralmente com ajuda de processos biológicos. Até aqui, você já fez bastante, mas ainda não resolveu tudo. Quando o enunciado fala em remoção de remanescentes de nutrientes, patogênicos, metais pesados e compostos não biodegradáveis, ele está descrevendo um tratamento mais refinado, voltado para polimento do efluente. Isso é típico do tratamento terciário, também chamado de tratamento avançado, usado quando o corpo receptor é mais sensível ou quando o enquadramento exige um efluente de melhor qualidade. A lógica da questão conversa com a Resolução CONAMA 357/2005, alterada pela 430/2011, que liga o padrão de lançamento ao enquadramento do corpo d'água. Em corpos lênticos, como lagos e lagoas, a preocupação com nutrientes é ainda maior, porque o excesso pode acelerar eutrofização. Por isso, não basta parar no secundário: é preciso ir além. Então, o gabarito é a letra E, porque o tratamento terciário é justamente o estágio destinado à remoção de poluentes residuais mais difíceis, incluindo nutrientes e certos contaminantes específicos. Em resumo: preliminar tira o grosso; primário decanta; secundário “come” a matéria orgânica; terciário faz o acabamento fino.