Considere que a atividade de mineração provoca uma gama de impactos diretos e/ou indiretos, de curto, médio e longo prazo em vários compartimentos ambientais. Contudo, é possível mitigar e/ou compensar tais efeitos danosos adotando determinados procedimentos. Dos exemplos a seguir, assinale aquele que possui pouca capacidade de mitigar tais impactos.
- A)Constantemente, deve-se promover a umidificação das estradas de acesso ao empreendimento minerador e também de acesso à lavra visando a diminuição do material particulado no ar.
Certa, porque a umidificação das vias reduz a suspensão de poeira e, portanto, diminui material particulado no ar.
- B)Todos os equipamentos, tanto os de britagem quanto os caminhões, devem passar por constante manutenção preditiva e preventiva visando a diminuição da emissão de poluentes atmosféricos e ruídos, bem como evitar acidentes com os trabalhadores durante os trabalhos.
Certa, porque a manutenção preventiva e preditiva reduz emissões, ruídos e falhas operacionais que podem causar acidentes.
- C)Os materiais utilizados para a explosão de rochas devem ser quimicamente corretos, ou seja, deve-se substituir a pólvora (que tem 75% de Nitrato de Potássio) por compostos que não contribuam para mudanças climáticas e nem para o aumento do buraco na camada de ozônio mesosférica.
Errada, porque traz justificativa tecnicamente inconsistente e pouca relação com os impactos reais da detonação na mineração.
- D)A supressão vegetal deverá ser previamente autorizada pelo órgão ambiental, planejada e executada de forma a conduzir a fauna para áreas vizinhas não habitadas; deve-se recuperar as áreas degradadas por lotes – conforme se encerram as atividades de extração em determinada área da frente de lavra.
Certa, porque a supressão vegetal deve ser autorizada, planejada e acompanhada de recuperação progressiva das áreas degradadas.
Gabarito: C
Na mineração, quase tudo pode e deve ser planejado para reduzir impacto: poeira, ruído, vibração, supressão vegetal, resíduos, risco ocupacional e até a recuperação da área depois do uso. O segredo, em prova, é perceber que a mitigação precisa ter relação direta com o impacto gerado pela atividade. Se a medida ataca a causa do problema, ela tende a ser correta; se ela parece “bonita no papel”, mas foge da realidade técnica, desconfie. A umidificação de vias, a manutenção de equipamentos e o manejo da supressão vegetal são exemplos clássicos de controle ambiental em mineração. Eles ajudam a reduzir material particulado, emissões, ruídos e perda de habitat, além de facilitar a recuperação progressiva da área. Isso conversa bem com a lógica do licenciamento ambiental e com a exigência de prevenção, mitigação e recuperação prevista na Política Nacional do Meio Ambiente (Lei 6.938/1981). O item C é o estranho da turma. Ele tenta falar de explosivos, mas mistura conceitos de forma tecnicamente inadequada: a pólvora não é o principal exemplo de explosivo de lavra, e a referência a mudanças climáticas e a “buraco na camada de ozônio mesosférica” não faz sentido prático nesse contexto. Em mineração, o impacto relevante da detonação está mais ligado a vibração, ruído, projeção de fragmentos, poeira e gases, não a uma suposta relação direta com destruição da camada de ozônio. Por isso, a proposta tem pouca capacidade real de mitigar os impactos da atividade. Em resumo, a banca quer que você identifique a medida tecnicamente coerente com o problema ambiental. Quando a alternativa se afasta do efeito real da mineração e usa justificativas ambientais mal encaixadas, ela costuma ser a errada da questão.