Um dos processos de tratamento de esgotos em crescente utilização são as wetlands. Consistem em unidades construídas como lagoas, bacias ou canais rasos (usualmente com profundidade inferior a 1,0 m), que abrigam certas espécies de macrófitas aquáticas e se baseiam em mecanismos biológicos, químicos e físicos para tratar os esgotos. Tais plantas não removem diretamente a matéria orgânica dos esgotos, pois são autótrofas – a remoção ocorre indiretamente. Deste modo, estão entre os principais serviços desempenhados por estes vegetais no tratamento de efluentes em wetlands, EXCETO:
- A)Liberação de exsudatos (compostos que auxiliam na remoção de constituintes de degradação mais difícil).
Está certa, pois as macrófitas podem liberar exsudatos radiculares que favorecem processos biológicos de degradação e remoção de certos contaminantes.
- B)Liberação de oxigênio (O2) pelo sistema radicular, ainda que em pequena quantidade se comparada com o consumo associado à carga de DBO do afluente.
Está certa, porque algumas plantas transferem pequena quantidade de oxigênio para a rizosfera, ajudando a atividade microbiana, embora isso seja limitado diante da carga orgânica.
- C)Aumento da capacidade de filtração da água no sistema; extração de nutrientes da água; porém, em quantidade limitada, não esgotando a carga disponibilizada pelos esgotos a serem tratados.
Está certa, pois a vegetação contribui para retenção de sólidos, filtração e absorção de nutrientes, mas essa remoção é parcial e não esgota a carga do esgoto.
- D)Disponibilização de locais, principalmente no sistema radicular, para o crescimento e o desenvolvimento da biomassa bacteriana responsável pelos processos de conversão e remoção dos poluentes da água.
Está certa, já que o sistema radicular oferece superfície e abrigo para biofilmes bacterianos responsáveis por grande parte da conversão dos poluentes.
- E)Aumento da polinização nas florestas e na vegetação ciliar dos corpos d’água próximos, visto que as inflorescências dos vegetais possuem adaptações atrativas à fauna polinizadora; quanto maior a produção de pólen maior a remoção de nutrientes da água.
Está errada, porque polinização de áreas vegetadas próximas não é serviço de tratamento de efluentes em wetlands nem mecanismo de remoção de poluentes da água.
Gabarito: E
As wetlands construídas funcionam como um “tratamento com ajuda da natureza”: a água residual passa por uma área com macrófitas aquáticas, solo/substrato e intensa atividade microbiana. As plantas, por si só, não “comem” a matéria orgânica do esgoto. O papel delas é indireto: criar ambiente favorável para bactérias, melhorar a circulação de oxigênio em pequenas zonas, reter partículas, absorver parte dos nutrientes e até liberar substâncias pelas raízes que ajudam na degradação de compostos mais difíceis. Em outras palavras, a estrela do tratamento não é a planta sozinha, mas o conjunto planta + substrato + microrganismos. O sistema radicular serve como suporte para biofilme bacteriano, e isso acelera a remoção de DBO, nitrogênio e outros poluentes. Esse é o tipo de raciocínio que a banca adora: lembrar que o efeito principal é indireto e ecológico, não mágico. Por isso, a alternativa E está correta como exceção. A polinização de florestas e vegetação ciliar não é serviço desempenhado pelas macrófitas no tratamento de efluentes em wetlands, nem tem relação com remoção de nutrientes da água. É um benefício ambiental geral de plantas em ecossistemas, mas não um mecanismo de depuração do esgoto. A literatura técnica de saneamento sobre wetlands construídas descreve exatamente os serviços listados nas alternativas A, B, C e D, e não esse da letra E.