Leia o texto a seguir sobre a fotografia. “Quando havia o negativo, havia o rastro físico: aquele negativo correspondia a pessoas, objetos e/ou cenários que foram fixados em frações de segundo. Mesmo com a tecnologia digital, as informações correspondentes àquela captação de imagem também ficam armazenadas chapa por chapa; há uma individualidade da impressão luminosa”. (BUITONI, 2012) A autora aponta que a gênese da fotografia, na qual ela é entendida como conexão física, traço, marca, depósito ou rastro, pode ser o que fundamenta a atividade fotojornalística, na medida em que a foto produzida e divulgada com finalidades jornalísticas precisa partir dessa conexão com o real já incorporada pelo senso comum. Essa gênese da fotografia, à qual a autora se refere, é seu caráter:
- A)indicial;
Certa, porque a autora destaca a fotografia como rastro físico e conexão causal com o real, característica do signo indicial.
- B)icônico;
Errada, porque o caráter icônico se relaciona à semelhança visual, e não ao contato físico com o objeto fotografado.
- C)transformador;
Errada, porque não existe na teoria semiótica da fotografia um caráter consolidado chamado transformador para definir sua gênese.
- D)conscientizador;
Errada, porque conscientizador é efeito possível do fotojornalismo, mas não uma categoria semiótica da natureza da fotografia.
- E)simbólico.
Errada, porque o simbólico depende de convenção social e arbitrária, não de marca física ou vínculo material com o referente.
Gabarito: A
A questão explora a ideia clássica de que a fotografia não é apenas uma imagem parecida com o objeto, mas também um traço deixado por ele. Em semiótica, isso é chamado de caráter indicial: o signo mantém uma conexão física ou causal com aquilo que representa, como fumaça indicando fogo ou pegadas indicando passagem. Na fotografia tradicional, essa relação fica bem clara porque a luz refletida pelo objeto atinge o filme ou o sensor e deixa uma marca. Por isso, a imagem fotográfica foi muitas vezes vista como prova, registro e evidência do real. No fotojornalismo, essa característica pesa ainda mais, porque a foto costuma ser entendida pelo senso comum como um recorte do acontecimento que realmente esteve diante da câmera. É verdade que a fotografia também pode ter aspecto icônico, pois se parece com o que mostra. Mas, no trecho da autora, o ponto central não é a semelhança visual e sim o rastro físico, o depósito, a marca deixada pela cena captada. Esse é exatamente o fundamento indicial da fotografia. Então, o gabarito A está correto porque a autora descreve a fotografia como conexão material com o real, e não apenas como imagem semelhante ou código convencional. Em termos semióticos, a foto funciona como índice: algo que aponta para a existência de um contato anterior com o objeto fotografado.