Uma equipe de filmagem está gravando uma entrevista documental em um escritório com grandes janelas, que permitem a entrada abundante da luz natural do dia. O ambiente também possui iluminação artificial composta por refletores de tungstênio, que emitem luz quente (aproximadamente 3200K). Ao conferir a imagem no monitor, o diretor de fotografia percebe que há um desequilíbrio na temperatura de cor. Para corrigir esse problema e garantir que a iluminação dos refletores se iguale à luz do dia, garantindo uma imagem uniforme e natural, a equipe deverá
- A)aplicar gelatinas azuis, CTB (Color Temperature Blue), nos refletores de tungstênio para aumentar a temperatura de cor.
Certa: o gel CTB aumenta a temperatura de cor do tungstênio, aproximando sua luz da luz do dia.
- B)aplicar uma gelatina âmbar (CTO - Color Temperature Orange) nos refletores para reforçar o tom quente e combinar melhor com a luz do sol.
Errada: o CTO deixa a luz ainda mais quente, afastando-a da luz diurna.
- C)cobrir a janela com uma gelatina azul (CTB) para reduzir a temperatura de cor da luz do sol e combinar com os refletores de tungstênio.
Errada: cobrir a janela com CTB não é a solução usual e não faz sentido prático para igualar a luz do dia ao tungstênio.
- D)aplicar uma gelatina verde (Plus Green) nos refletores para corrigir a discrepância de temperatura de cor.
Errada: o Plus Green corrige desvio para verde, não diferença de temperatura de cor entre quente e frio.
- E)ajustar o White Balance (balanço de branco) da câmera para um valor de temperatura de cor de 3200K, eliminando assim a necessidade de usar gelatinas.
Errada: ajustar o white balance pode compensar a imagem na câmera, mas não resolve a mistura física das fontes de luz no ambiente.
Gabarito: A
Em iluminação cinematográfica, a temperatura de cor precisa ser pensada como um ajuste de clima da imagem: a luz do dia costuma ser mais fria, por volta de 5600K, enquanto o tungstênio é mais quente, em torno de 3200K. Quando essas duas fontes aparecem no mesmo ambiente, a câmera “enxerga” uma mistura que pode ficar esquisita, com partes da cena puxando para o azul e outras para o laranja. Para resolver isso, o mais comum é corrigir a fonte artificial com filtros de conversão de cor. Como os refletores são de tungstênio e a cena recebe muita luz natural do dia, a equipe deve elevar a temperatura de cor desses refletores, tornando sua luz mais fria e aproximando-a da luz do ambiente externo. É exatamente isso que faz o gel azul CTB (Color Temperature Blue): ele “esfria” a luz quente do tungstênio, ajudando a levá-la para a faixa da luz do dia. Em linguagem de set, é como dar um banho de gelo no refletor sem precisar chamar o ar-condicionado da cenografia. Por isso, a alternativa A está correta. As demais tentam corrigir na direção errada ou confundem ajuste de câmera com correção física da luz. Em cinema, o balanço de branco pode ajudar na captura, mas não substitui a equalização das fontes quando a intenção é manter uma iluminação mais uniforme e natural na cena.