Roland Barthes é um dos semiólogos que se dedicaram ao entendimento da essência da fotografia. Em um de seus escritos, ele, na posição de Spectator, destaca dois elementos que fundam a observação de uma imagem fotográfica. O primeiro remete a um campo que se liga ao saber e à cultura pessoal; o segundo é aquilo que o toca diretamente, ligado ao acaso, sem qualquer interferência cultural. Sobre o segundo elemento, ele acrescenta “é também picada, pequeno buraco, pequena mancha, pequeno corte – e também lance de dados. (....) é esse acaso que, na foto, me punge (mas também me mortifica, me fere).” (BARTHES, 2012, adaptado). Esse segundo elemento denomina-se
- A)Punctum.
Correta: punctum é o detalhe que fere, surpreende e toca o observador de modo pessoal e involuntário.
- B)Studium.
Errada: studium é o interesse cultural e interpretativo pela imagem, não o impacto acidental e íntimo.
- C)Noema.
Errada: noema é um conceito ligado à essência do que a fotografia é, não ao detalhe que punge o espectador.
- D)Spectrum.
Errada: spectrum refere-se ao referente da fotografia, isto é, ao que foi captado e esteve diante da câmera.
- E)Operator.
Errada: operator é a figura de quem fotografa, o fotógrafo, e não um elemento da recepção da imagem.
Gabarito: A
Roland Barthes, ao pensar a fotografia, separa a experiência em dois planos. O primeiro é o studium, que tem a ver com interesse, leitura cultural, repertório e aquele "entender" a imagem por conhecimento e contexto. Já o segundo é o ponto mais íntimo e inesperado da foto: aquilo que salta da imagem e atinge o observador de forma quase acidental. Esse segundo elemento é o punctum. Ele não depende de erudição nem de uma leitura técnica da cena. É como se a foto tivesse um detalhe que fura, fere ou "pica" você, chamando atenção de modo pessoal e involuntário. Barthes descreve justamente isso quando fala em picada, pequeno corte, lance de dados e no que o toca diretamente. Por isso, o gabarito é a letra A. A banca quer que você reconheça a distinção clássica de Barthes: studium para o campo cultural e punctum para o impacto singular, inesperado e afetivo da imagem. Em prova, essa dupla aparece com frequência, então vale guardar a ideia-chave: studium informa, punctum atravessa. As demais alternativas não nomeiam esse efeito fotográfico em Barthes. Algumas até parecem sofisticadas e tentam confundir pelo tom teórico, mas aqui o encaixe conceitual é bem direto. Se você lembrou da expressão que "pune" ou "fere" o espectador, matou a questão.