O peroá (Balistes sp.), tradicional peixe capixaba, apresenta um curioso comportamento reprodutivo durante a desova. Segundo estudos realizados em aquário, a fêmea prepara um ninho no substrato, enquanto o macho afasta qualquer animal indesejável. A desova ocorre no fim do dia, com dezenas de milhares de ovócitos formando uma massa cinzenta. Após a fecundação, fêmeas e machos protegem os ovos e em 55 horas eclode uma larva de 1,7mm, que logo assume condição planctônica. (https://www.scielo.br/j/rbzool/a/ZKJX6r7VwgP4V KRC9nHhyPv/?lang=pt&format=pdf. Adaptado.) Entre os aspectos reprodutivos do peroá, aquele que contribui diretamente para a geração de variabilidade genética e consequente capacidade adaptativa da espécie é o(a)
- A)período do dia em que ocorre a fecundação.
Errada, porque o período do dia em que ocorre a fecundação não altera, por si só, a variabilidade genética da prole.
- B)fecundação externa.
Errada, porque a fecundação externa é apenas o local/modo de encontro dos gametas, não a principal fonte de diversidade genética.
- C)comportamento de corte e cópula.
Errada, porque o comportamento de corte e cópula pode favorecer o acasalamento, mas não é o fator direto que gera variabilidade genética.
- D)reprodução sexuada.
Certa, porque a reprodução sexuada promove mistura de material genético entre dois indivíduos, gerando variabilidade genética.
- E)cuidado parental da prole.
Errada, porque o cuidado parental aumenta a sobrevivência dos ovos e larvas, mas não cria novas combinações genéticas.
Gabarito: D
A chave da questão está em separar o que gera variabilidade genética do que apenas ajuda na sobrevivência imediata da prole. Variabilidade genética nasce quando há mistura de material genético de dois indivíduos, com recombinação e formação de novas combinações gênicas. Em peixes como o peroá, isso ocorre na reprodução sexuada, porque gametas masculinos e femininos se unem e formam descendentes geneticamente diferentes entre si e dos pais. Por isso, o gabarito é a letra D. Na reprodução sexuada, a meiose produz gametas com combinações genéticas variadas e a fecundação junta dois conjuntos genéticos, aumentando a diversidade da população. Essa diversidade é o combustível da seleção natural: quanto maior a variação, maior a chance de alguns indivíduos sobreviverem melhor a mudanças do ambiente. As outras características citadas no texto são interessantes, mas não são o motor principal da variabilidade. Fecundação externa, horário da desova e cuidado parental dizem respeito ao modo como a espécie se reproduz e cuida dos ovos, mas não são, por si sós, a causa da diversidade genética. Em resumo: proteger os ovos ajuda a espécie a ter mais filhotes; misturar genes ajuda a espécie a ter filhotes diferentes. E é essa diferença que faz a adaptação acontecer.