Um dos erros mais comuns no tratamento com antibióticos é o esquecimento da hora de tomar o remédio. O intervalo entre as doses é calculado de acordo com a chamada meia-vida do remédio. Os horários devem se adequar à rotina do paciente, seus horários de trabalho e sono. Quando se esquece de tomar o medicamento, pode ocorrer a volta dos sintomas. "Se a pessoa está tomando antibióticos e atrasa um período inteiro, as bactérias podem tornar a se multiplicar e criar resistência ao medicamento". (Adaptado de Notícias, Conselho Regional de Farmácia do Estado do Paraná) A explicação dada pela Teoria Sintética da Evolução para a multiplicação das bactérias após o uso inadequado ou por tempo insuficiente de antibióticos é que a seleção natural
- A)deixa de agir, pois não há mais remédio circulando no corpo da pessoa e as bactérias retomam seu crescimento, levando ao retorno da doença.
Errada, porque a simples ausência de antibiótico não explica a resistência; o ponto evolutivo é a seleção das bactérias menos sensíveis.
- B)produz, nas bactérias, mutações que as tornam resistentes ao antibiótico, tornando seu uso inútil e podendo provocar o retorno da doença.
Errada, porque a seleção natural não produz mutações nas bactérias, apenas favorece as que já possuem resistência.
- C)estimula as bactérias a criarem resistência ao antibiótico; essas bactérias resistentes acabam predominando na população, multiplicando-se e levando ao retorno da doença.
Errada, porque as bactérias não “criam” resistência por estímulo direto do antibiótico; ocorre seleção das resistentes já existentes.
- D)favorece as bactérias que apresentam resistência ao antibiótico, que acabam predominando na população e multiplicando-se, podendo provocar o retorno da doença.
Certa, pois o antibiótico seleciona as bactérias resistentes, que passam a predominar e se multiplicar.
- E)elimina as mutantes e mantém a variante selvagem que, graças às recombinações produzidas pela seleção, torna-se resistente.
Errada, porque seleção natural não elimina mutantes por si nem usa recombinações para transformar a variante selvagem em resistente.
Gabarito: D
A ideia central aqui é simples: antibiótico não “cria” bactéria resistente. O que ele faz é selecionar as que já têm alguma vantagem para sobreviver. Quando você toma o remédio corretamente, muitas bactérias sensíveis morrem e a população tende a diminuir. Mas, se o uso é inadequado ou interrompido cedo demais, as bactérias mais resistentes podem sobreviver, se multiplicar e voltar a dominar o cenário. Na Teoria Sintética da Evolução, a seleção natural age sobre variações já existentes na população. Em outras palavras, o ambiente impõe uma pressão seletiva, e os indivíduos com características vantajosas deixam mais descendentes. No caso do antibiótico, a “vantagem” é justamente resistir ao medicamento. Não é o remédio que fabrica a resistência, mas ele favorece quem já resistia melhor. Por isso, o gabarito é a letra D. A seleção natural favorece as bactérias que apresentam resistência ao antibiótico, e essas acabam predominando na população, multiplicando-se e podendo causar o retorno da doença. É a velha história do “quem aguenta o tranco fica para a próxima rodada”. Um detalhe importante: mutação e recombinação geram variabilidade, mas a seleção natural não produz essas mudanças, ela apenas filtra o que já apareceu. Essa é a pegadinha clássica em questões de evolução e resistência bacteriana.