Em animais, as trocas gasosas sempre envolvem difusão dos gases por meio de alguma superfície fina, semipermeável, úmida ou imersa em água. Em todos esses organismos, incluindo os terrestres, há necessidade de um meio aquoso para que a difusão de gases ocorra: nos animais aquáticos, a superfície respiratória está em contato com a água e, nos terrestres, essa superfície é mantida úmida pelo próprio corpo do animal. LOPES, S. Biologia. São Paulo: Ed. Saraiva, 3ª ed. 2016. Com relação à respiração de cordados, analise as afirmativas a seguir e assinale (V) para a verdadeira e (F) para a falsa. ( ) Nas brânquias de peixes, o sangue dos capilares, pobre em O2, flui no sentido oposto ao da água que entra pelas brânquias. Esse fluxo contracorrente estabelece um gradiente de pressão parcial de O2 no interior dos capilares, favorecendo a difusão de O2 da água para o sangue. ( ) Nos anfíbios, o ar inspirado pelas narinas é conduzido até os pulmões por pressão positiva, exercida pela elevação do assoalho da cavidade bucal. Já a maioria dos répteis, aves e mamíferos ventilam seus pulmões através de pressão negativa, resultante da expansão da cavidade torácica. ( ) Nas aves, em vez dos alvéolos, a hematose ocorre nos sacos aéreos. Estas estruturas aumentam a superfície de trocas gasosas, o que permite às aves um excelente desempenho na obtenção de gás O2 em elevadas altitudes. As afirmativas são, na ordem apresentada, respectivamente,
- A)F – V – F.
Errada, porque a primeira e a segunda afirmativas são verdadeiras, e apenas a terceira é falsa.
- B)F – F – V.
Errada, porque a primeira e a segunda afirmativas não são falsas; elas descrevem corretamente a respiração de peixes e anfíbios/reptéis, aves e mamíferos.
- C)V – F – F.
Errada, porque a primeira afirmativa está correta: nas brânquias dos peixes há fluxo contracorrente que favorece a difusão de O2.
- D)V – V – F.
Certa, pois a sequência correta é V - V - F: peixes com contracorrente, anfíbios com pressão positiva e aves sem hematose nos sacos aéreos.
Gabarito: D
A questão mistura três ideias clássicas da respiração dos cordados: brânquias, ventilação pulmonar e sistema respiratório das aves. Em peixes, a troca gasosa nas brânquias é muito eficiente porque a água e o sangue passam em sentidos opostos, mantendo o gradiente de difusão de O2 por quase todo o trajeto. Isso é o famoso fluxo contracorrente: a água sempre encontra sangue com menos oxigênio, então o gás continua entrando no capilar. É uma solução elegante da natureza, quase um truque de economia de energia. Nos anfíbios, a ventilação pulmonar ocorre por pressão positiva: o animal “engole” o ar ao elevar o assoalho da cavidade bucal e empurrá-lo para os pulmões. Já a maioria dos répteis, aves e mamíferos usa pressão negativa, isto é, expande a caixa torácica e cria sucção para a entrada de ar. Essa diferença é clássica em Biologia e costuma aparecer muito em prova. A terceira afirmativa é a armadilha: nas aves, a hematose não acontece nos sacos aéreos. Quem faz a troca gasosa são os pulmões, especialmente os parabronquíolos, enquanto os sacos aéreos funcionam como reservatórios e ajudam na ventilação unidirecional. Eles não aumentam a superfície de troca gasosa; o que eles fazem é manter o fluxo de ar contínuo, o que melhora a eficiência respiratória, inclusive em grandes altitudes. Por isso, a sequência correta é V - V - F, que corresponde à alternativa D. O ponto central aqui é não confundir estrutura de ventilação com estrutura de hematose: nas aves, o ar circula muito bem, mas quem troca gases mesmo é o pulmão, não o saco aéreo.