Elder Pereira Alves relata sua experiência como professor do Ensino Médio do Instituto Federal do Ceará em artigo publicado nos Anais do XXII Congresso da ABEM, em 2015. Segundo o autor, a música tem forte presença nessas instituições, incluindo alunos que já tocam e que gostariam de ter aulas de instrumento, o que o fez oferecer um projeto de iniciação instrumental aos alunos do Ensino Médio, usando a metodologia da pesquisa-ação como forma de acompanhar a elaboração, implementação e avaliação do projeto. (ALVES, E. P. O Ensino de Instrumentos Musicais na Educação Básica. In: XXII Congresso Nacional da Associação Brasileira de Educação Musical, 2015, Natal-RN. Educação Musical: formação humana, ética e produção de conhecimento, 2015). Em relação ao contexto acima, é pertinente afirmar que: I - A literatura sobre o ensino de instrumento discute a tendência de “ensinar como aprendemos”, perpetuando as boas práticas do ensino de instrumento. Isso mostra que o perfil mais adequado de professor para atuar no contexto descrito pelo professor Alves é o bacharel instrumentista, sem a necessidade de formação pedagógica, sendo esta necessária somente no caso do ensino de musicalização. II - Uma das críticas sobre a pesquisa científica é a dificuldade de aplicação em situações práticas. A metodologia da pesquisa-ação, usada pelo autor em seu projeto, mostra a falácia dessa afirmação, uma vez que prescinde da prática pedagógica para que seja realizada em seus vários estágios: elaboração, implementação e avaliação. III - Caso o professor Alves esteja atento às tendências metodológicas atuais e queira incluir todos os alunos e alunas interessados em seu projeto, terá de dar aulas individuais usando os métodos de ensino de instrumentos de sucesso dos conservatórios e outras instituições formais de ensino de música. IV - Apesar das formações específicas nas diferentes linguagens artísticas (música, artes visuais, artes cênicas), muitas instituições continuam exigindo uma atuação polivalente dos professores e professoras, o que pode comprometer a qualidade do ensino e sobrecarregar o/a professor/a. V - Dentro dos Institutos Federais, a extensão compreende um processo educativo, cultural e científico que se articula com o ensino e a pesquisa. Por essas razões, o projeto acima descrito se adéqua também aos cursos de extensão. Assinale a sequência de afirmativas CORRETAS:
- A)I, II e V.
Errada, porque I, II e V não estão todas corretas: I e II trazem concepções equivocadas sobre formação docente e pesquisa-ação.
- B)I, III e V.
Errada, porque I e III são problemáticas, ainda que V esteja correta.
- C)II, IV e V.
Errada, porque II e IV não podem ser tratadas como corretas ao mesmo tempo: II distorce a pesquisa-ação.
- D)IV e V.
Certa, porque apenas IV e V estão corretas no contexto apresentado.
- E)Todas as alternativas estão corretas.
Errada, porque várias afirmativas trazem generalizações ou erros conceituais.
Gabarito: D
A questão mistura ensino de música, pesquisa-ação, formação docente e extensão nos Institutos Federais. O ponto central é perceber o que está alinhado com a educação musical contemporânea e com a missão institucional dos IFs, que unem ensino, pesquisa e extensão. Também cai aqui a crítica ao velho modelo do “professor-polivalente” e do ensino de instrumento preso só ao conservatório. A afirmativa IV está correta porque, embora existam formações específicas em música, artes visuais e artes cênicas, muitas instituições ainda cobram do professor uma atuação polivalente. Isso costuma enfraquecer a qualidade do trabalho e aumentar a sobrecarga docente, crítica muito presente na área de Arte-Educação. A afirmativa V também está correta. Nos Institutos Federais, a extensão é parte da formação integral e se articula com ensino e pesquisa, conforme a lógica da Lei de criação dos IFs e das diretrizes da extensão na educação superior e profissional. Um projeto de iniciação instrumental com alunos do ensino médio pode, sim, se enquadrar como ação de extensão, desde que dialogue com a comunidade acadêmica e com a formação dos estudantes. As demais trazem ideias problemáticas: I supervaloriza o bacharel sem formação pedagógica, II deturpa a pesquisa-ação ao dizer que ela prescinde da prática, e III reduz o ensino de instrumento a aulas individuais e modelos tradicionais. Por isso, o gabarito é D, porque apenas IV e V ficam de pé.