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Artes Visuais · FGV · 2025

Questão comentada de Artes Visuais

A artista visual Mônica Ventura incorpora a pesquisa de filosofias e processos construtivos pré-coloniais afroameríndias à sua prática artística. Os elementos de sua ancestralidade afro-indígena se destacam na obra O Sorriso de Acotirene (2018), por meio da qual Ventura reconta a história de Acotirene, mulher vinculada ao Quilombo dos Palmares que lutou contra a escravidão. Detalhe de O sorriso de Acotirene (2018) - Cabaças, sisal, miçangas, palha e materiais diversos, 240 x 200 cm. In: https://projetoafro.com/artista/monicaventura/ A respeito da obra O sorriso de Acotirene analise as afirmativas a seguir e assinale (V) para a verdadeira e (F) para a falsa. ( ) A artista utiliza cabaças, miçangas e sisal, todos elementos da cultura material da sociedade quilombola, para recontar a história de Acotirene, e, assim, amplifica o significado que essa figura histórica evoca. ( ) A artista dialoga com a tradição cultural afro-ameríndia e explora o universo feminino, sobretudo o de mulheres negras, seja pelo tema da obra, como pelo uso da cabaça que, simbolicamente remete à ancestralidade e à fertilidade. ( ) A artista propõe uma reflexão sobre raça e desigualdade, uma vez que se utiliza de materiais pobres, como o sisal e as cabaças, para fazer arte e demonstrar o potencial poético dos despossuídos. Assinale a opção que indica a relação correta, de cima para baixo.

Gabarito: A

A obra de Mônica Ventura conversa com memórias afro-indígenas e com a história de resistência negra, usando materiais e formas que não são só “enfeite”, mas parte do sentido da peça. Em artes visuais, isso importa muito: matéria, técnica e símbolo caminham juntos. Aqui, cabaças, sisal, miçangas e palha ajudam a construir uma narrativa de ancestralidade, corpo, território e memória coletiva. Na primeira afirmativa, o raciocínio está correto porque a artista mobiliza elementos associados a culturas tradicionais e quilombolas para recontar a trajetória de Acotirene, ampliando sua presença histórica e simbólica. Não se trata de ilustrar um fato de modo literal, e sim de reinventar a memória por meio da forma e da materialidade. Isso é bem típico de uma arte contemporânea que trabalha com identidade e reparação histórica. A segunda também está certa porque a obra dialoga com matrizes afro-ameríndias e põe em destaque o universo feminino negro. A cabaça, em muitas tradições, remete a ancestralidade, fecundidade e proteção, então ela não entra na obra como simples objeto, mas como signo cultural. É a arte falando baixo, mas dizendo muito. A terceira está errada porque reduz a obra a uma leitura pobre versus rico, como se usar sisal e cabaças fosse apenas “arte dos despossuídos”. Isso empobrece a discussão e apaga o projeto estético e político da artista. O foco da obra está na potência simbólica dos materiais e na reconstrução da memória, não numa ideia genérica de precariedade. Por isso, o gabarito é A: V - V - F.

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