Observe a imagem do Museu Solar Ferreiro Torto (Macaíba/RN). Fonte: https://cclbdobrasil.blogspot.com Este edifício foi originalmente erigido no século XVII como um dos primeiros engenhos de cana-de-açúcar do Rio Grande do Norte. No século XIX ele foi ampliado e restaurado no estilo colonial, resultando no conjunto arquitetônico que abriga o Museu atualmente. Com base na imagem e em seus conhecimentos, assinale a opção que define incorretamente uma característica da arquitetura colonial brasileira.
- A)Uso de pilastras e frisos nos cantos do edifício, para conferir estabilidade estrutural e reforçar a simetria visual.
Está correta, pois pilastras e frisos aparecem como recurso de composição e reforço visual nas fachadas coloniais.
- B)Telhados aparentes de uma água, com telhas de barro, para auxiliar na drenagem da chuva e na ventilação interna.
Está incorreta, porque o mais típico na arquitetura colonial brasileira é o telhado de duas águas com telhas de barro, não de uma água como regra.
- C)Janelas e portas em sequência, com esquadrias coroadas com arcos, para garantir a ventilação e a iluminação natural, essenciais para um clima quente e úmido.
Está correta, já que vãos alinhados, portas e janelas em sequência e arcos nas esquadrias são comuns para ventilação, luz e ritmo da fachada.
- D)Sacada com gradis ornamentados no andar superior, possivelmente em ferro, para indicar a riqueza e a posição social de seus proprietários.
Está correta, pois sacadas com gradis, inclusive em ferro, eram usadas para marcar status social e dar destaque à residência.
- E)Inserção do solar na paisagem rural, com árvores e palmeiras ao redor, característica comum de propriedades coloniais que buscavam integrar a moradia à paisagem natural.
Está correta, porque muitos solares e engenhos coloniais se integravam à paisagem rural, com áreas arborizadas e presença de vegetação no entorno.
Gabarito: B
A arquitetura colonial brasileira, especialmente nas casas-grandes, solares, igrejas e engenhos, costuma combinar simplicidade volumétrica, alvenaria caiada, esquadrias ritmadas, beirais salientes, telhas cerâmicas e elementos que respondem ao clima quente, como ventilação e iluminação naturais. Ela não é um estilo “luxuoso por padrão”; muitas vezes o efeito de prestígio vem mais da composição da fachada do que de exagero decorativo. No caso do solar da imagem, faz sentido pensar em características como simetria, aberturas repetidas, uso de gradis, sacadas e enquadramento do edifício na paisagem rural. Isso aparece bastante em propriedades ligadas ao ciclo da cana-de-açúcar, em que a casa-sede buscava unir função, status social e adaptação ao ambiente. O gabarito é a letra B porque “telhados aparentes de uma água” não é uma característica típica da arquitetura colonial brasileira nesse contexto. Em geral, predominam telhados de duas águas ou soluções mais complexas, com telhas de barro, para escoar a chuva e favorecer o conforto térmico. Um telhado de uma água até pode existir em outras situações, mas não é o traço clássico que a questão quer associar à arquitetura colonial. Então, a banca testa se você sabe reconhecer os elementos mais recorrentes do período, sem cair numa descrição que parece plausível, mas escorrega no detalhe técnico. É aquela clássica armadilha: a frase soa histórica, porém troca a solução tradicional do telhado por outra menos característica.