A escultura de Nossa Senhora do Rosário (século XVIII) retratada a seguir integra o acervo do Museu de Arte Sacra de Natal e é um exemplo do Barroco no Rio Grande do Norte. Fonte: https://www.nataldasantigas.com.br/blog/museu-de-arte-sacra A respeito da escultura barroca colonial brasileira, assinale a afirmativa que descreve corretamente uma de suas características.
- A)É simétrica e busca perfeição geométrica.
Errada, porque o Barroco prefere movimento, contraste e dramatização, não a simetria rígida e a perfeição geométrica.
- B)Privilegia o mármore como matéria prima.
Errada, porque na escultura colonial brasileira eram comuns materiais locais como a madeira policromada, e não uma dependência do mármore.
- C)É decorativa e laica, dessacraliza a vida religiosa.
Errada, porque a arte barroca colonial é essencialmente religiosa e devocional, não laica nem voltada a dessacralizar a fé.
- D)Apresenta um panejamento movimentado.
Certa, porque o panejamento movimentado é uma característica típica do Barroco, reforçando dinamismo, emoção e teatralidade.
- E)Imita o modelo europeu e recusa referências locais.
Errada, porque a arte colonial brasileira não apenas imita a Europa: ela adapta modelos europeus às condições locais e incorpora soluções próprias.
Gabarito: D
A escultura barroca colonial brasileira costuma fugir da ideia de equilíbrio frio e perfeito. O Barroco quer emoção, movimento, intensidade religiosa e impacto visual, como se a imagem estivesse “vivendo” diante de voce. Por isso, nas obras sacras do período, é comum encontrar corpos em pose dinâmica, roupas com dobras profundas e gestos que criam sensação de drama. No Brasil colonial, essa linguagem foi muito usada em imagens de devoção, produzidas para igrejas, irmandades e procissões. Em vez de uma beleza racional e estática, o Barroco busca tocar o fiel, despertar sentimento e aproximar a figura sagrada da experiência religiosa cotidiana. A arte não quer ficar quietinha no canto: ela quer comover. É exatamente aí que a alternativa D acerta. O panejamento movimentado é uma marca forte da escultura barroca, porque as vestes aparecem cheias de curvas, volumes e dobras que reforçam a sensação de movimento e teatralidade. Esse recurso ajuda a dar vida à imagem e a intensificar sua carga devocional. As demais alternativas contradizem o estilo barroco colonial: não se trata de simetria geométrica perfeita, nem de preferência obrigatória por mármore, nem de arte laica que dessacraliza a religião. Também não há recusa de referências locais, pois a produção colonial brasileira adaptou modelos europeus às condições e materiais do território.