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Artes Visuais · FGV · 2023

Questão comentada de Artes Visuais

“Eu redijo um manifesto e não quero nada, eu digo portanto certas coisas e sou por princípio contra os manifestos, como sou também contra os princípios.” TZARA, Tristan. “Manifesto Dadá”. In: Vanguarda europeia e modernismo brasileiro. Rio de Janeiro: José Olympio, 2012. O trecho acima expressa uma das principais características do movimento europeu conhecido como dadaísmo, a saber:

Gabarito: B

O dadaísmo surgiu como uma resposta radical ao horror da Primeira Guerra Mundial. Em vez de confiar na razão, no progresso e nas boas maneiras da arte tradicional, os dadaístas preferiram o choque, a provocação, o acaso e a recusa de qualquer sistema fechado. Era quase um anti-manifesto: escrever um manifesto para dizer que não acreditava em manifestos. Uma bela contradição, bem ao estilo Dadá. No trecho de Tristan Tzara, essa postura aparece com força: ele afirma algo e, ao mesmo tempo, nega o próprio gesto de afirmar. Isso traduz a recusa das certezas, dos princípios fixos e da lógica convencional. O dadaísmo brinca com o absurdo justamente para atacar a ideia de que a arte precisa ser racional, harmoniosa e “correta”. Por isso, o gabarito é a letra B. O movimento celebra o caos e o absurdo como forma de contestar a racionalidade dominante e denunciar a crise da civilização europeia. Em termos de história da arte, isso ajuda a diferenciar o dadaísmo de outras vanguardas: o surrealismo mergulha no inconsciente, o futurismo exalta a máquina, e o dadaísmo prefere desmontar tudo, inclusive a própria noção de arte. Se você lembrar de uma frase para a prova, guarde esta: o dadaísmo não quer construir uma nova ordem, mas expor o colapso da ordem anterior. Ele é, por essência, provocação, ironia e negação.

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