“Eu redijo um manifesto e não quero nada, eu digo portanto certas coisas e sou por princípio contra os manifestos, como sou também contra os princípios.” TZARA, Tristan. “Manifesto Dadá”. In: Vanguarda europeia e modernismo brasileiro. Rio de Janeiro: José Olympio, 2012. O trecho acima expressa uma das principais características do movimento europeu conhecido como dadaísmo, a saber:
- A)a exaltação do papel transformador da arte, para além da lógica científica.
Errada, porque o dadaísmo não exalta o papel transformador da arte de forma positiva, mas critica e ironiza qualquer pretensão de finalidade elevada.
- B)a celebração do caos e do absurdo, contra a racionalidade convencional.
Certa, pois o dadaísmo valoriza o absurdo, o acaso e a ruptura com a racionalidade convencional como forma de contestação.
- C)o alinhamento com o ideário socialista de construção de uma nova realidade.
Errada, porque o dadaísmo não se orienta por um projeto socialista de construção de nova realidade, e sim por uma postura de negação e provocação.
- D)a preocupação com a exploração de processos psicológicos profundos.
Errada, porque a exploração do inconsciente e de processos psicológicos profundos é marca mais ligada ao surrealismo.
- E)a intenção de erigir uma nova moralidade, compatível com a era das máquinas.
Errada, porque a ideia de uma nova moralidade adequada à era das máquinas está mais próxima do futurismo do que do dadaísmo.
Gabarito: B
O dadaísmo surgiu como uma resposta radical ao horror da Primeira Guerra Mundial. Em vez de confiar na razão, no progresso e nas boas maneiras da arte tradicional, os dadaístas preferiram o choque, a provocação, o acaso e a recusa de qualquer sistema fechado. Era quase um anti-manifesto: escrever um manifesto para dizer que não acreditava em manifestos. Uma bela contradição, bem ao estilo Dadá. No trecho de Tristan Tzara, essa postura aparece com força: ele afirma algo e, ao mesmo tempo, nega o próprio gesto de afirmar. Isso traduz a recusa das certezas, dos princípios fixos e da lógica convencional. O dadaísmo brinca com o absurdo justamente para atacar a ideia de que a arte precisa ser racional, harmoniosa e “correta”. Por isso, o gabarito é a letra B. O movimento celebra o caos e o absurdo como forma de contestar a racionalidade dominante e denunciar a crise da civilização europeia. Em termos de história da arte, isso ajuda a diferenciar o dadaísmo de outras vanguardas: o surrealismo mergulha no inconsciente, o futurismo exalta a máquina, e o dadaísmo prefere desmontar tudo, inclusive a própria noção de arte. Se você lembrar de uma frase para a prova, guarde esta: o dadaísmo não quer construir uma nova ordem, mas expor o colapso da ordem anterior. Ele é, por essência, provocação, ironia e negação.