Anualmente a Prefeitura do Jaboatão dos Guararapes premia Mestres da Cultura Popular. Em 2019, foram homenageados os artistas Mestre Chôcho, Mestre Saúba, Dona Prazeres e Índia Morena. O primeiro foi um mestre de choro enquanto o segundo é um especialista em brinquedos como “mané gostoso”, “rói-rói” e carrinhos de madeira. Dona Prazeres é uma parteira com mais de cinco mil partos no currículo e Índia Morena é uma artista circense renomada. Antes de serem homenageados, todos haviam sido reconhecidos como Patrimônio Vivo de Pernambuco anteriormente. Adaptado de https://jaboatao.pe.gov.br/prefeitura-do-jaboatao-entrega-premiosaos-mestres-homenageados-na-mostra-cultural/ O relato exemplifica uma concepção de cultura popular relacionada a
- A)manifestações populares e tradicionais, desde que tenham alguma inserção no mercado produtivo e alimentem a economia do Estado.
Errada, porque reduz a cultura popular à inserção no mercado e à economia do Estado, o que não é o foco do conceito apresentado.
- B)tradições centradas na oralidade, que compartilham aprendizados pautados na valorização dos conhecimentos e das vivências de múltiplos saberes.
Certa, porque relaciona cultura popular a tradições transmitidas pela oralidade e a saberes práticos compartilhados entre gerações.
- C)formas de notório saber, reconhecidas como patrimônio histórico e material do Estado de Pernambuco, em campos variados.
Errada, porque mistura patrimônio imaterial com 'histórico e material' e fala em notório saber de modo genérico, sem captar o sentido de tradição viva.
- D)saberes e técnicas de trabalho formalizados, que foram preservados por não poder ser substituídos pela tecnologia contemporânea.
Errada, porque trata os saberes populares como se fossem técnicas formais preservadas pela falta de tecnologia, o que distorce a ideia de cultura popular.
- E)celebrações, formas de expressão e sítios de excepcional diversidade biológica a serem preservados para o desenvolvimento cultural local.
Errada, porque cita categorias da Convenção da UNESCO para patrimônio cultural e natural, mas não corresponde ao caso de mestres da cultura popular.
Gabarito: B
A questão trabalha a ideia de cultura popular como conjunto de saberes, práticas e expressões transmitidos entre gerações, muito ligados à memória coletiva, à oralidade e ao fazer cotidiano de uma comunidade. Não se trata apenas de “arte bonita” ou de algo que dá lucro: é, antes de tudo, conhecimento vivido, aprendido na prática e mantido pela convivência social. Por isso, mestres de choro, brinquedos populares, parteiras e artistas circenses cabem muito bem nesse universo. Repare que o enunciado destaca pessoas reconhecidas como Patrimônio Vivo de Pernambuco. Esse título, no estado, valoriza justamente mestres e mestras detentores de saberes tradicionais, protegendo suas práticas como patrimônio cultural imaterial. A lógica é preservar a transmissão desses conhecimentos, para que não virem peça de museu sem gente viva por trás. O gabarito é a letra B porque ela descreve tradições centradas na oralidade e na circulação de aprendizados baseados em vivências e múltiplos saberes. Isso conversa diretamente com a noção de patrimônio cultural imaterial prevista na Constituição Federal de 1988, art. 216, e com a proteção dada a modos de criar, fazer e viver. Aqui, a cultura popular aparece como algo vivo, compartilhado e ensinado de pessoa para pessoa. As demais alternativas fogem desse núcleo: algumas puxam para mercado, outras para formalização técnica, e outras misturam categorias de patrimônio que não têm a ver com o caso narrado. Em resumo: quando a cultura popular é apresentada como saber vivido, transmitido e reconhecido pela comunidade, você já acende a luz da oralidade e da tradição.