No universo tradicional africano, as máscaras não se constituíam apenas do "rosto" ou da "cabeça" esculpida. Para as populações de onde se origina, a máscara é o "mascarado", a "dança". O que chamamos máscara africana é apenas uma parte dela, aquilo que, nas coleções e museus, conseguiu-se preservar de um "conjunto multimídia" da máscara. Adaptado de http://www.arteafricana.usp.br/ Com base no trecho, assinale a afirmativa que descreve corretamente os sentidos atribuídos às máscaras africanas em seu contexto de origem.
- A)Sua fabricação e uso estão associados a festividades em que era permitido se fantasiar.
Errada, porque reduz a máscara a uma fantasia de festa, ignorando seu sentido ritual, simbólico e religioso.
- B)Sua qualidade técnica e material mostra que eram utilizadas como elementos de decoração.
Errada, porque a ênfase na técnica e no material não faz da máscara um objeto decorativo, mas um elemento de uso cerimonial.
- C)Sua expressividade servia para traduzir a emoção do indivíduo em um momento definido,
Errada, porque a máscara africana tradicional não serve principalmente para expressar a emoção individual, e sim forças coletivas e espirituais.
- D)Sua função era ritual e eram usadas como representação de forças normalmente invisíveis.
Certa, porque no contexto africano tradicional a máscara tem função ritual e representa entidades ou forças invisíveis.
- E)Sua qualidade estética demonstra que eram produzidas para serem contempladas como obras arte.
Errada, porque ela não foi criada prioritariamente para contemplação estética, mas para atuar em ritos e performances.
Gabarito: D
A questão trabalha uma ideia central da arte africana tradicional: a máscara não é um objeto isolado para ser apenas olhado, mas parte de uma performance maior, que envolve corpo, dança, música e rito. Ou seja, ela ganha sentido no uso, no movimento e no contexto comunitário. Quando o enunciado fala em "conjunto multimídia", está justamente dizendo que a máscara, sozinha, é só um pedaço da experiência completa. No contexto de origem, essas máscaras não eram produzidas para decoração de sala nem para exibição em museu. Elas tinham função social, religiosa e simbólica. Muitas vezes representavam ancestrais, espíritos, divindades ou forças da natureza, servindo como mediação entre o mundo visível e o invisível. É por isso que o significado delas depende do ritual, da performance e do grupo que as utiliza. Por isso, o gabarito é a letra D. Ela acerta ao afirmar que a função era ritual e que as máscaras eram usadas como representação de forças normalmente invisíveis. Esse é um ponto clássico da história da arte africana: a máscara não é só forma, é ação, presença e relação com o sagrado e com a coletividade. Em prova, desconfie quando a alternativa tratar a máscara africana como adorno, decoração ou mera obra para contemplação estética. Esse olhar é mais ocidental e museológico, e não traduz bem o sentido original desses objetos em seus contextos tradicionais.