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Artes Visuais · FGV · 2023

Questão comentada de Artes Visuais

Qualquer aproximação da obra cômica de Martins Pena tem de levar em consideração um pressuposto básico: ele era um homem de teatro e não o que vulgarmente se entende por escritor. Isto significa que seu texto tem de ser visto ou imaginado enquanto representação concreta, e não simplesmente texto escrito. Adaptado de ARÊAS, Vilma Sant´Anna. Na Tapera de Santa Cruz: uma leitura de Martins Pena. São Paulo: Martins Fontes, 1987, p. 139. Com base na perspectiva citada no trecho, as afirmativas a seguir indicam corretamente atributos da comédia de costumes de Martins Pena, à exceção de uma. Assinale-a.

Gabarito: A

Martins Pena é um nome central da comédia de costumes no teatro brasileiro do século XIX. Quando a questão lembra que ele era прежде de tudo um homem de teatro, ela está dizendo que a peça não deve ser lida como um texto literário frio e descritivo, mas como algo feito para ganhar vida no palco, na voz, no gesto e no ritmo da fala. Por isso, a comédia dele valoriza tipos sociais, linguagem coloquial, ironia e exagero cômico, sempre com forte efeito de cena. Nesse tipo de comédia, o objetivo não é reproduzir a realidade com neutralidade quase científica, como faria depois o naturalismo. O que interessa é satirizar costumes, expor comportamentos ridículos e mostrar, com humor, as precariedades da vida social. A linguagem das personagens também ajuda muito: cada fala combina com a posição social, moral e cultural de quem fala, o que cria verossimilhança teatral e reforça a crítica. A alternativa A está errada porque descreve uma postura naturalista, com reprodução da realidade do modo mais natural possível e exposição de engrenagens sociais como se a peça fosse um retrato objetivo do mundo. Isso não é a marca de Martins Pena, que trabalha com caricatura, tipificação e comicidade de cena, não com naturalismo. Em termos de história do teatro, ele antecipa uma visão crítica da sociedade, mas ainda dentro de uma estética cômica e popular. Assim, a questão cobra justamente a diferença entre representar a vida social no palco com humor e tipos reconhecíveis, e tentar copiar a realidade de forma naturalista. Em Martins Pena, a cena manda mais do que a página: a fala, o gesto e a comicidade são o coração da obra.

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