É preciso levar em conta que as obras de arte nos remetem, muitas vezes, a objetos já vistos, a formas ou fatos do cotidiano e passamos a identificar aspectos comuns entre os mesmos. Essas nuances passam despercebidas a um olhar desacostumado. No entanto, um olhar educado para ver perceberá as semelhanças e diferenças, fará analogias e, por consequência, identificará as inter-relações, isto é, o intertexto. Adaptado de KEHRWALD, I. P. “Ler e escrever em artes visuais”. In: NEVES, I. C. B.; et al. (Orgs.). Ler e escrever: compromisso de todas as áreas. Porto Alegre: Ed. da UFRGS, 2006, p. 28-29. Considerando o trecho, assinale a afirmativa que caracteriza corretamente o sentido atribuído à “leitura de imagens” pela autora.
- A)Abordagem triangular: o propositor trabalha determinado conteúdo mediante o fazer artístico, a fruição e a reflexão.
Errada: a abordagem triangular é uma proposta pedagógica importante, mas o trecho fala de inter-relações na leitura de imagens, não dessa metodologia em si.
- B)Pares opositores: a análise formal de imagens ocorre mediante a identificação da tensão entre linear x pictórico, forma aberta x forma fechada e unidade x fragmentação.
Errada: esses pares opositores pertencem à análise formal de imagem, mas não expressam a ideia de intertexto destacada pela autora.
- C)Alteridade como dispositivo de visualização: a percepção do outro refina a visualidade, sobretudo se desenvolver a capacidade de enxergar o outro em situações distantes das nossas.
Errada: alteridade pode dialogar com leitura visual, mas o texto não trata da percepção do outro e sim da relação entre imagens e repertórios.
- D)Intertextualidade: a pedagogia do olhar imagens é uma habilidade desenvolvida a partir de habilidades análogas às usadas na interpretação de textos.
Certa: a autora define a leitura de imagens como uma prática de comparação, analogia e reconhecimento de inter-relações, muito próxima da intertextualidade.
- E)Atlas Mnemosyne: as imagens são analisadas tentando mostrar a permanência de certos valores expressivos, dotados de uma força formadora de estilo.
Errada: o Atlas Mnemosyne se relaciona à memória das imagens e à permanência de formas simbólicas, mas não é o conceito usado no trecho.
Gabarito: D
A ideia central do trecho é simples: ler imagens não é só “olhar bonito”, mas perceber relações. A autora diz que obras de arte remetem a objetos, formas e fatos do cotidiano, e que um olhar educado consegue notar semelhanças, diferenças, analogias e inter-relações. Em outras palavras, a imagem não é vista como algo isolado, e sim como algo que conversa com outras imagens, experiências e referências culturais. Isso é muito próximo do que chamamos de intertextualidade. Na linguagem verbal, ela aparece quando um texto dialoga com outro texto; nas artes visuais, o raciocínio é parecido: a leitura da imagem acontece quando voce identifica ecos, citações, referências e aproximações entre imagens e repertórios visuais. Por isso, interpretar imagem exige repertório e atenção, quase como ler com os olhos e com a memória ao mesmo tempo. O gabarito é a letra D porque ela traduz exatamente esse sentido: a pedagogia do olhar para imagens como uma habilidade construída por analogia com a leitura de textos. A autora está dizendo que a leitura visual também demanda comparação, inferência e reconhecimento de relações entre obras e elementos do cotidiano. As demais alternativas fogem do foco do trecho. Elas trazem conceitos reais da história e da teoria da arte, mas que não correspondem ao que foi pedido na citação. Aqui, a chave é perceber que o texto fala de leitura relacional, não de um método formal específico, nem de pares de oposição, nem de atlas de imagens.