A pintura “Eu vi o mundo...ele começa no Recife” (1929) foi produzida pelo artista pernambucano Cícero Dias (1907-2003). A obra, um marco para a história do modernismo no Brasil, causou escândalo quando foi exibida ao público. Causou escândalo pelo tamanho,
- A)pelas imagens oníricas, perspectivas arbitrárias e diferenciadas e pelos nus ousados para a época.
Correta, porque a obra escandalizou pelo caráter onírico, pela liberdade na perspectiva e pelos nus ousados para a época.
- B)pela temática nacionalista, representada com formas geometrizadas, influência do cubismo, cores neutras e delimitadas por um desenho linear.
Errada, porque a descrição fala em temática nacionalista, cubismo e cores neutras, elementos que não correspondem ao impacto principal da obra.
- C)por representar o sofrimento, utilizando conceitos do expressionismo alemão, deformação das formas, cores intensas, dentro de uma perspectiva linear.
Errada, porque associa a pintura ao expressionismo alemão e ao sofrimento, o que não caracteriza essa obra de Cícero Dias.
- D)por apresentar temas ligados à realidade brasileira, o movimento dos grandes centros, com uma representação aproximada ao Manifesto Antropofágico.
Errada, porque menciona realismo social e aproximação ao Manifesto Antropofágico, mas isso não explica o escândalo provocado pela obra.
Gabarito: A
A obra "Eu vi o mundo... ele começa no Recife", de Cícero Dias, é um bom exemplo de como o modernismo brasileiro rompeu com a pintura mais comportada e acadêmica. Em vez de seguir uma cena certinha, com perspectiva linear e composição previsível, o artista aposta em imagens livres, quase de sonho, como se a tela estivesse misturando memória, desejo e imaginação ao mesmo tempo. Isso dá à obra um ar inquieto e moderno, bem diferente do que o público da época esperava ver. O escândalo não veio só pelo tamanho da pintura, mas principalmente pelo conteúdo visual: figuras oníricas, perspectivas arbitrárias e nus ousados para a época. Em 1929, isso era forte demais para muita gente, porque a arte ainda era cobrada por um certo "bom comportamento" visual. Cícero Dias faz justamente o oposto: desarruma a ordem, embaralha espaços e provoca o olhar. Por isso, o gabarito é a letra A. Ela resume exatamente os elementos que chocaram o público: o clima de sonho, a liberdade na construção do espaço e a presença do nu com tratamento ousado. É uma resposta bem alinhada com a leitura modernista da obra. Se você memorizar a lógica, fica fácil: no modernismo, muitas vezes o impacto não está em "copiar a realidade", mas em reinventá-la. E Cícero Dias fez isso com muita personalidade, quase dizendo para o público: "acostuma que tem mais".