A década de 1930 marcou um novo momento para as artes no Brasil. A queda da bolsa de valores de Nova Iorque, em 1929, a Revolução de 1930, o governo provisório de Getúlio Vargas (até 1936, a ditadura no Estado Novo, 1937 a 1945) afetaram, até certo ponto, o direcionamento da ideia oficial de “modernidade”. Sobre esse segundo momento da modernidade brasileira, assinale a afirmativa correta.
- A)Retorno total à arte clássica, com temáticas e formas realistas. As produções modernas extinguiram-se, totalmente, após o início dos anos de 1930.
Errada, porque não houve retorno total à arte clássica nem desaparecimento das produções modernas nos anos 1930.
- B)Retorno à arte clássica como projeto oficial do governo, com temas nacionalistas. As produções modernas continuavam a existir, com obras significativas de Tarsila do Amaral e Vicente do Rego Monteiro, com forte crítica social.
Errada, porque simplifica demais o período ao falar em projeto oficial clássico e ainda mistura nomes e características de forma imprecisa.
- C)Continuam as tensões entre os princípios antagônicos de vanguarda e de tradição tanto teóricas quanto no próprio sistema de formas, mesmo com o incentivo do governo para o retorno à arte clássica. Artistas modernos continuam sendo patrocinados pela aristocracia agrária.
Errada, porque acerta ao falar da tensão entre tradição e vanguarda, mas erra ao dizer que os modernos continuavam sendo patrocinados pela aristocracia agrária como traço predominante do período.
- D)Promoção, pelo governo, de artistas modernos vinculados ao realismo para retratar fielmente o Brasil da época, uma mescla de elementos conservadores e modernos, valores nacionais através da exaltação, sobretudo, das temáticas do trabalho e do trabalhador, como as obras produzidas por Cândido Portinari, em 1934.
Certa, porque expressa bem a convivência entre incentivo estatal, temas nacionais e uma arte moderna com viés social, como nas obras de Portinari ligadas ao trabalho e ao trabalhador.
Gabarito: D
A década de 1930, no Brasil, não apagou a arte moderna; ela mudou o jogo. Depois do impacto de 1929, da Revolução de 1930 e da reorganização política com Vargas, a modernidade brasileira passou a conviver com mais pressão por temas nacionais, sociais e de identidade. Em vez de uma ruptura total com o moderno, o que se vê é um segundo momento, mais tenso, em que tradição e vanguarda continuam disputando espaço. O Estado, sobretudo no período Vargas, tende a valorizar uma arte mais ligada à ideia de nação, ao povo e ao trabalho, mas isso não elimina a produção moderna.