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Artes Visuais · CONSULPLAN · 2022

Questão comentada de Artes Visuais

Cândido Portinari, ao longo da trajetória de sua obra, estabeleceu diálogos mais ou menos intensos com os movimentos e os artistas que o marcaram durante sua formação. Na década de 1940, depois de ver Guernica (1937), de Picasso, no Museu de Arte Moderna de Nova Iorque, a admiração de Portinari pela obra do pintor espanhol, presente desde o início da carreira, é renovada. Um exemplo é o das pinturas com figuras esquematizadas, de forte cunho expressivo. São exemplos dessa fase:

Gabarito: D

Cândido Portinari passa por fases bem marcadas, e uma das mais fortes é a dos anos 1940, quando ele aprofunda a carga dramática social de suas figuras. Depois de conhecer Guernica, de Picasso, Portinari reforça uma linguagem mais dura, com corpos alongados, rostos esquematizados e grande tensão expressiva. É aquele momento em que a forma deixa de ser só bonita e passa a “gritar” o sofrimento humano. Nesse recorte, aparecem obras ligadas à tragédia social brasileira, com forte dramaticidade e composição impactante. Os personagens costumam parecer fatigados, quase esmagados pelo ambiente, o que dialoga muito com o clima de Guernica. Por isso, a banca busca obras dessa fase madura e expressionista, não as telas mais ligadas ao regionalismo inicial dos anos 1930. O gabarito é a letra D porque reúne obras de 1944-1945, justamente o período em que Portinari intensifica essa figuração esquemática e dramática: Enterro na Rede, Criança Morta e Os Retirantes. Todas elas carregam esse tom de denúncia social e expressividade forte, bem na linha pedida pelo enunciado. Resumo para guardar: se a questão falar em Portinari pós-Guernica, figuras esquematizadas e forte expressão, pense nas obras mais sombrias e dolorosas da década de 1940. A banca gosta muito dessa associação entre forma dramática e crítica social.

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