Cândido Portinari, ao longo da trajetória de sua obra, estabeleceu diálogos mais ou menos intensos com os movimentos e os artistas que o marcaram durante sua formação. Na década de 1940, depois de ver Guernica (1937), de Picasso, no Museu de Arte Moderna de Nova Iorque, a admiração de Portinari pela obra do pintor espanhol, presente desde o início da carreira, é renovada. Um exemplo é o das pinturas com figuras esquematizadas, de forte cunho expressivo. São exemplos dessa fase:
- A)Café (1934); O Mestiço (1934); Os Retirantes (1944-1945).
Errada, porque Café, O Mestiço e Os Retirantes de 1944-1945 misturam obras de fases diferentes e só a última pertence claramente ao recorte pedido.
- B)Os Retirantes (1944-1945); Colona sentada (1935); O Mestiço (1934).
Errada, porque Colona sentada de 1935 e O Mestiço de 1934 são anteriores à fase mais intensa de figuras esquematizadas e expressivas dos anos 1940.
- C)O massacre dos inocentes (1943); Café (1934); Colona sentada de (1935).
Errada, porque Café e Colona sentada são obras da década de 1930, mais ligadas ao ciclo inicial de Portinari do que ao clima pós-Guernica.
- D)Eterro na Rede (1944); Criança Morta (1944); Os Retirantes (1944-1945).
Certa, porque Enterro na Rede, Criança Morta e Os Retirantes pertencem à fase de 1944-1945, marcada por forte dramaticidade e figuras esquematizadas.
Gabarito: D
Cândido Portinari passa por fases bem marcadas, e uma das mais fortes é a dos anos 1940, quando ele aprofunda a carga dramática social de suas figuras. Depois de conhecer Guernica, de Picasso, Portinari reforça uma linguagem mais dura, com corpos alongados, rostos esquematizados e grande tensão expressiva. É aquele momento em que a forma deixa de ser só bonita e passa a “gritar” o sofrimento humano. Nesse recorte, aparecem obras ligadas à tragédia social brasileira, com forte dramaticidade e composição impactante. Os personagens costumam parecer fatigados, quase esmagados pelo ambiente, o que dialoga muito com o clima de Guernica. Por isso, a banca busca obras dessa fase madura e expressionista, não as telas mais ligadas ao regionalismo inicial dos anos 1930. O gabarito é a letra D porque reúne obras de 1944-1945, justamente o período em que Portinari intensifica essa figuração esquemática e dramática: Enterro na Rede, Criança Morta e Os Retirantes. Todas elas carregam esse tom de denúncia social e expressividade forte, bem na linha pedida pelo enunciado. Resumo para guardar: se a questão falar em Portinari pós-Guernica, figuras esquematizadas e forte expressão, pense nas obras mais sombrias e dolorosas da década de 1940. A banca gosta muito dessa associação entre forma dramática e crítica social.