Artistas utilizam efetivamente as novas tecnologias, como os computadores e as redes de telecomunicação, criando uma arte aberta, rizomática e interativa. Ampliando as vanguardas do século passado, autor e público se misturam. A ênfase da arte eletrônica incide, agora, na circulação de informações e na comunicação. André Lemos. Cibercultura, alguns pontos para compreender a nossa época. In: André Lemos e Paulo Cunha (org.). Olhares sobre a Cibercultura. Porto Alegre: Sulina, 2003, p. 11-23 (com adaptações). Tendo o texto precedente como referência, é correto afirmar que os artistas que produzem com as novas tecnologias
- A)usam bits, redes, conexões e interfaces como matéria-prima.
Certa: descreve corretamente a matéria-prima da arte digital e interativa, formada por códigos, redes, conexões e interfaces.
- B)replicam as tecnologias digitais utilizadas pelos artistas das vanguardas modernas.
Errada: não é mera replicação das tecnologias digitais das vanguardas modernas, até porque essas vanguardas não operavam com esse ambiente tecnológico.
- C)fazem parte das vanguardas modernas.
Errada: artistas que usam novas tecnologias não pertencem automaticamente às vanguardas modernas, pois se trata de produção contemporânea.
- D)criam arte comunicacional necessariamente para serem veiculadas pelos canais de TV.
Errada: a arte comunicacional não depende necessariamente de televisão; ela pode circular em redes digitais e ambientes interativos muito mais amplos.
- E)produzem obras abertas via satélite, de uso restrito.
Errada: obras abertas e interativas não são de uso restrito, e a referência a satélite não define a arte tecnológica contemporânea.
Gabarito: A
A questão trata da arte produzida com novas tecnologias, especialmente no contexto da cibercultura e da arte eletrônica. A ideia central é que a obra deixa de ser só um objeto fechado e passa a funcionar como processo, rede e interação, com participação do público e circulação digital. É por isso que o texto fala em arte aberta, rizomática e interativa: não é uma arte parada, é uma arte que circula, conecta e responde. Na leitura de André Lemos, isso significa que computador, internet, telecomunicações e interfaces não são apenas ferramentas neutras. Eles entram na própria constituição da obra, como linguagem e matéria de criação. Em outras palavras, os artistas passam a trabalhar com bits, dados, conexões, códigos e ambientes interativos, explorando a lógica das redes. A alternativa correta é a letra A porque expressa exatamente essa noção: os artistas usam bits, redes, conexões e interfaces como matéria-prima. Isso está em sintonia com a noção de arte digital e cibercultura, em que a obra depende da mediação tecnológica e da participação do usuário. Não é uma questão de copiar as vanguardas do passado, mas de ampliar suas experiências com meios eletrônicos. As demais alternativas tropeçam em exageros ou reduções: não se trata de reproduzir as vanguardas modernas, nem de limitar a obra à televisão ou a usos restritos por satélite. O ponto é a comunicação em rede, a interatividade e a abertura da obra, bem na pegada da arte contemporânea ligada às tecnologias digitais.