Foi há cem anos que o calo de Villa-Lobos chocou e irritou uma plateia que não estava ainda preparada para aquilo chamado de “modernismo” ou de “arte moderna”. O festival organizado por gente do naipe de Oswald de Andrade, Mário de Andrade, Ronald de Carvalho, Anita Malfatti, Menotti del Picchia, Victor Brecheret, Di Cavalcanti e Villa-Lobos, entre as cortinas e paredes bem ornamentadas do Theatro Municipal – um templo das artes clássicas em São Paulo –, inaugurou um outro momento das artes. Jornal da USP. Uma semana que dura para sempre (com adaptações). Considerando as informações precedentes, é correto afirmar que, nas artes plásticas brasileiras,
- A)obras retrataram a tradição rural, oligárquica e escravocrata.
Errada, porque o modernismo brasileiro nao se limitou a retratar a tradicao rural, oligarquica e escravocrata; ele rompeu com esse olhar conservador e buscou novas linguagens.
- B)artistas romperam com o clássico e criaram técnicas próprias.
Errada, porque os artistas modernistas romperam com o classico, mas nem sempre criaram tecnicas totalmente proprias; eles dialogaram com vanguardas ja existentes e as adaptaram.
- C)artistas e obras aderiram ao modernismo específico do europeu.
Errada, porque nao houve simples adesao ao modernismo europeu especifico, mas uma apropriacao critica e criativa com temas nacionais.
- D)obras foram aclamadas pela crítica brasileira como inovação.
Errada, porque as obras modernistas foram inicialmente muito criticadas e ate hostilizadas; a aclamação veio depois, com a consagracao historica.
- E)artistas usaram técnicas europeias expressando temas nacionais.
Certa, porque o modernismo plastico brasileiro combinou influencias e tecnicas europeias com temas, tipos e paisagens nacionais, construindo uma arte de identidade brasileira.
Gabarito: E
A questao remete diretamente ao Modernismo brasileiro, especialmente a Semana de Arte Moderna de 1922, quando artistas e intelectuais quiseram sacudir a arte nacional e romper com o academicismo dominante. A ideia central nao era copiar servilmente a Europa, mas dialogar com as vanguardas europeias e, ao mesmo tempo, buscar uma expressao brasileira, com temas, cores, ritmos, paisagens e personagens do pais. Em outras palavras: forma renovada, assunto brasileiro. Essa mistura aparece com muita forca em nomes como Di Cavalcanti, Anita Malfatti, Tarsila do Amaral e Villa-Lobos, cada qual trazendo experimentalismo e identidade nacional. Por isso, o gabarito E esta correto: nas artes plasticas, os modernistas usaram tecnicas e linguagens influenciadas por movimentos europeus de vanguarda, mas aplicadas a temas nacionais. O resultado foi uma arte menos presa ao acabamento academico e mais aberta a deformacoes expressivas, simplificacao de formas, cores marcantes e valorizacao do cotidiano brasileiro. Nao foi uma copia da Europa nem um saudosismo rural tradicional; foi uma conversa com a modernidade para dizer algo do Brasil. Em termos historicos, a Semana de 1922 inaugura esse gesto simbolico de ruptura, embora a consolidacao do modernismo tenha vindo depois, com varias fases. A banca gosta muito dessa ideia de que o modernismo brasileiro nao foi isolamento nem imitacao pura, e sim apropriacao criativa. Se voce lembrar de 'forma europeia, conteudo brasileiro', ja tem meio caminho andado.