A identidade alemã/germânica se relaciona de diferentes formas com a história do Theatro Nicodemus e com a construção da cidade de Joinville. À época da inauguração do teatro, em 1917, os fundadores da cidade tiveram suas identidades negadas durante as guerras, mas, anos depois, essa mesma identidade passou a ser exaltada, como temos visto nas edições da Oktoberfest (desde a década de 1980), nas vestimentas, nas comidas típicas e na arquitetura. Kalb, C. & Flores, M.B. Estrelando o Theatro Nocodemus de Joenville (com adaptações). Considerando as informações precedentes, é correto afirmar que, historicamente, o Theatro Nicodemos constituiu-se em um espaço para o(a)
- A)difusão, de forma pioneira no país, do teatro do oprimido.
Errada, porque o enunciado não trata do teatro do oprimido, que é uma proposta ligada a Augusto Boal e à pedagogia teatral crítica, e não à história do Theatro Nicodemus.
- B)resistência da identidade artístico-cultural alemã.
Certa, porque o teatro aparece como espaço de preservação e afirmação da identidade artístico-cultural alemã/germânica em Joinville.
- C)disseminação dos ideais do teatro do estudante do Brasil.
Errada, pois não há relação com o teatro do estudante do Brasil, expressão que não corresponde ao contexto histórico apresentado.
- D)enfrentamento à segregação germânica na II Guerra Mundial.
Errada, porque o foco não é enfrentar a segregação germânica na II Guerra Mundial, mas compreender o teatro como lugar de manutenção cultural dessa identidade.
- E)divulgação e consolidação do teatro brasileiro de comédia.
Errada, já que o texto não aborda a divulgação do teatro brasileiro de comédia, e sim a memória cultural ligada à imigração alemã.
Gabarito: B
A questão mistura patrimônio cultural, identidade e memória histórica. O Theatro Nicodemus, em Joinville, não aparece aqui como um palco de ruptura política ampla nem como símbolo de um teatro específico brasileiro; ele é lido como parte da experiência da comunidade de origem alemã/germânica na cidade, especialmente num contexto em que essa identidade foi ora negada, ora valorizada ao longo do tempo. O ponto central é entender que equipamentos culturais também funcionam como lugares de memória. Eles guardam práticas, repertórios, costumes e formas de pertencimento de um grupo social. Quando a identidade germânica foi reprimida em certos momentos históricos, esses espaços ajudaram a manter viva a referência cultural, ainda que de modo indireto, preservando língua, hábitos, festividades e sociabilidades. Por isso, o gabarito B faz sentido: o teatro se constituiu historicamente como um espaço de resistência da identidade artístico-cultural alemã. A palavra-chave é resistência, porque não se trata apenas de diversão ou de arquitetura bonita; trata-se de manutenção e afirmação de uma herança cultural em meio a tensões históricas, especialmente no período das guerras e do nacionalismo. Na hora da prova, pense assim: se o enunciado fala de imigração, identidade, repressão e posterior valorização em festas e costumes, a banca quer que você reconheça patrimônio cultural como memória viva de um grupo. É o tipo de leitura que CESPE/CEBRASPE adora: menos decoreba e mais interpretação histórica.