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Redação

Redação

A trilha completa em uma aula só. Manual de Redação da Presidência da República (3ª edição revista, 2018) com a unificação do Padrão Ofício; pronomes de tratamento, vocativos e fechos atualizados; Mensagem, Exposição de Motivos e demais expedientes; texto dissertativo-argumentativo; argumentação e falácias; coesão e coerência com conectivos; norma culta (concordância, regência, crase, pontuação); vícios de linguagem.

Aula01 / 01
DisciplinaRedação
Duração~ 180 min
NívelAvançado
AtualizadoAbr / 2026
Nesta aula

Sumário

Dez módulos costurados em uma só trilha. Cada bloco traz a regra do Manual de Redação da Presidência (3ª edição, 2018), os exemplos comparativos e a doutrina linguística aplicada. No final, mapa mental, revisão consolidada, dez pegadinhas e dez questões comentadas.

  1. Características da redação oficial
    Impessoalidade, formalidade, padronização, concisão, clareza, norma culta
    p. 04
  2. Pronomes de tratamento, vocativos e fechos
    3ª edição da Presidência: simplificações; Atenciosamente x Respeitosamente
    p. 07
  3. Padrão Ofício
    A unificação da 3ª edição (ofício, memorando e aviso); estrutura e formatação
    p. 11
  4. Mensagem e Exposição de Motivos
    CF arts. 84 XI, 165, 166; EM informativa e propositiva
    p. 15
  5. Outros expedientes oficiais
    Parecer, despacho, ata, atestado, declaração, certidão, apostila, e-mail
    p. 18
  6. Texto dissertativo-argumentativo
    Estrutura, tese, progressão temática
    p. 22
  7. Argumentação e falácias
    Tipos de argumento; falácias clássicas (ad hominem, falsa analogia, causa falsa)
    p. 26
  8. Coesão, coerência e conectivos
    Mecanismos de articulação; conectivos por relação semântica
    p. 30
  9. Norma culta
    Concordância, regência, crase, pontuação, acentuação, ortografia (Acordo de 1990)
    p. 34
  10. Vícios de linguagem e estilo
    Ambiguidade, pleonasmo, cacófato, eco, solecismo, barbarismo
    p. 40
  11. Mapa mental, revisão e pegadinhas
    A aula inteira em três páginas
    p. 44
  12. Questões comentadas
    10 questões no formato CESPE, FGV e FCC
    p. 48
Meta desta aula
Sair daqui sabendo redigir com a norma culta da língua portuguesa, aplicar o Padrão Ofício da Presidência da República (3ª edição, 2018), identificar pronomes de tratamento corretos, estruturar texto dissertativo-argumentativo com argumentação sólida, coesão e coerência, e evitar os vícios de linguagem clássicos.
Antes de começar

O que você vai aprender

01
Características oficiais

Aplicar as seis características da redação oficial: impessoalidade, formalidade, padronização, concisão, clareza e uso da norma culta.

02
Pronomes e vocativos

Memorizar os pronomes de tratamento atualizados pela 3ª edição (V.Exa., V.Sa.) e os vocativos por cargo.

03
Padrão Ofício

Operar a estrutura do Padrão Ofício (cabeçalho, identificação, endereçamento, assunto, texto, fecho, signatário) e a formatação técnica (fonte Calibri, margens 4-2-3-1,5).

04
Mensagem e EM

Distinguir Mensagem (CF arts. 84, 165, 166) de Exposição de Motivos (informativa ou propositiva, conjunta ou individual).

05
Estrutura dissertativa

Estruturar texto em introdução (contextualização + tese), desenvolvimento (argumentação) e conclusão (retomada + proposta).

06
Argumentação

Identificar tipos de argumento (autoridade, exemplificação, causa-consequência, comparação, dados) e falácias (ad hominem, falsa analogia, causa falsa).

07
Coesão e conectivos

Aplicar mecanismos de coesão referencial e sequencial; usar conectivos por relação semântica (adição, oposição, causa, consequência, finalidade).

08
Norma culta

Dominar concordância, regência, crase, pontuação, acentuação e ortografia atualizada (Acordo de 1990).

Dica do Fuffu

Redação é a matéria que mais separa candidatos em concursos. A teoria parece simples, mas a aplicação exige treino. O Manual da Presidência (3ª edição, 2018) trouxe mudanças importantes que ainda confundem cursinhos desatualizados: unificação do Padrão Ofício (ofício + memorando + aviso), simplificação de pronomes de tratamento, padronização da formatação. Em prova, conhecer essas atualizações é diferencial.

Pré-requisitos

Conhecimento básico de língua portuguesa, especialmente gramática normativa. Se você já viu a Aula 01 de Português, esta aula é a aplicação prática. Mesmo sem esse pré-requisito, a aula traz cada conceito do começo, com a doutrina linguística e os exemplos comparativos.

Prof. Affonsinho explica, Módulo 01

1 Características da redação oficial

A redação oficial é a forma de comunicação dos atos da Administração Pública. Tem regime próprio, distinto da redação literária ou jornalística, com regras claras de impessoalidade, formalidade e padronização. A fonte normativa atual é o Manual de Redação da Presidência da República, 3ª edição revista, atualizada e ampliada (2018), que substituiu a 2ª edição de 2002. Conhecer essa atualização é decisivo para concursos.

Fundamento constitucional

A redação oficial decorre dos princípios da Administração Pública (CF art. 37, caput): legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência (LIMPE). A comunicação oficial é instrumento de transparência e profissionalismo do Estado.

As seis características essenciais

O Manual de Redação da Presidência sistematiza seis características da redação oficial:

  1. Impessoalidade: a comunicação não é feita pelo sujeito particular do agente, mas pelo cargo ou órgão. O texto refere-se à instituição, não à pessoa.
  2. Formalidade: respeito às regras de tratamento, à hierarquia e à norma culta. Sem coloquialismos, gírias ou expressões íntimas.
  3. Padronização: uniformidade da estrutura, da formatação e do tratamento, conforme o Manual.
  4. Concisão: economia verbal; dizer o necessário sem palavras supérfluas.
  5. Clareza e precisão: compreensão imediata; vocabulário preciso, sem ambiguidade.
  6. Uso da norma culta da língua portuguesa: respeito à gramática normativa e à ortografia atualizada (Acordo Ortográfico de 1990).

Impessoalidade detalhada

A impessoalidade tem três planos:

  • Impessoalidade do remetente: quem fala não é o agente como pessoa, mas como ocupante do cargo. Por isso, evita-se "eu" e "meu" em favor de "este Ministério", "esta Secretaria" ou "submeto à apreciação".
  • Impessoalidade do destinatário: o destinatário é tratado como ocupante de cargo, não como pessoa privada. Daí o uso dos pronomes de tratamento (V.Exa., V.Sa.).
  • Impessoalidade da matéria: o assunto é tratado em termos objetivos, sem subjetividade.

Concisão x prolixidade

A concisão pede economia verbal, mas sem sacrifício da clareza. Não significa redação seca ou abreviada: significa eliminar excessos. Exemplos:

Prolixo (errado)Conciso (correto)
Em virtude do fato de quePorque / Como / Já que
Levar ao conhecimentoComunicar / Informar
No que diz respeito aQuanto a / Sobre
É de extrema importância queÉ importante que

Bate-papo com o Seu Teoffilo

A doutrina linguística (Domingos Paschoal Cegalla, Pasquale Cipro Neto, Evanildo Bechara) reconhece que a redação oficial é gênero próprio, com regras dogmáticas que precisam ser aprendidas separadamente da redação geral. A 3ª edição do Manual de Redação da Presidência é leitura obrigatória para qualquer candidato que vá enfrentar prova de redação oficial. As mudanças trazidas em 2018 ainda confundem materiais antigos: unificação dos expedientes em Padrão Ofício, eliminação de "Excelentíssimo" para a maioria das autoridades, padronização da formatação.

Clareza e precisão

Clareza é a qualidade do texto que permite a compreensão imediata pelo leitor. Precisão é o uso da palavra exata para o sentido pretendido. As duas andam juntas. Inimigos da clareza:

  • Ambiguidade: frase que admite mais de um sentido. Ex.: "O ministro encontrou-se com o presidente em seu gabinete" (de quem é o gabinete?). Solução: "...em seu próprio gabinete" ou "...no gabinete do presidente".
  • Vocabulário rebuscado: palavras inusuais que afastam o leitor. Não confundir com vocabulário técnico, que é necessário.
  • Frases longas: períodos sintáticos extensos com muitas subordinadas. O Manual recomenda frases curtas a médias.
  • Voz passiva indevida: a voz passiva é instrumento de impessoalidade, mas seu uso excessivo gera obscuridade. "A reunião foi adiada por motivo de força maior" é melhor do que "Tornou-se necessário, por motivo de força maior, o adiamento da reunião".

Uso da norma culta

A norma culta é o conjunto de regras gramaticais consagradas pela tradição literária e gramatical. A redação oficial exige seu pleno respeito. As regras gramaticais cobradas:

  • Concordância verbal e nominal (Módulo 9).
  • Regência verbal e nominal (Módulo 9).
  • Crase (Módulo 9).
  • Pontuação (Módulo 9).
  • Acentuação gráfica conforme o Acordo Ortográfico de 1990 (Decreto 6.583/2008, Decreto 7.875/2012).
  • Ortografia atualizada: trema (eliminado, salvo em nomes próprios estrangeiros), hífen (regras novas), acentuação de paroxítonas (mudanças).

Formatação geral (3ª edição do Manual)

A 3ª edição padronizou a formatação dos documentos oficiais:

  • Fonte: Calibri ou Carlito, tamanho 12 (corpo) e 11 (citações longas e notas de rodapé).
  • Margens: superior 4 cm, inferior 2 cm, esquerda 3 cm, direita 1,5 cm. Padrão A4 (210 × 297 mm).
  • Espaçamento entre linhas: simples.
  • Espaçamento entre parágrafos: 6 pontos antes e 6 pontos depois.
  • Recuo de primeira linha: padronizado conforme o tipo de expediente.
  • Numeração de páginas: a partir da 2ª, no canto superior direito (1cm da borda superior, alinhada à margem direita).
  • Cabeçalho: brasão da República na 1ª página, centralizado, com identificação do órgão expedidor.

Mudanças entre a 2ª e a 3ª edição (resumo)

Tema2ª edição (2002)3ª edição (2018)
ExpedientesOfício, memorando, aviso (separados)Padrão Ofício (unificado)
FonteTimes New Roman 12Calibri ou Carlito 12
Vocativo "Excelentíssimo"Para várias autoridadesApenas para Pte República, Pte STF e Pte Congresso
Pronomes de tratamentoLista ampla (Vossa Magnificência etc.)Lista enxuta (V.Exa., V.Sa. principalmente)
FechosVariadas opçõesApenas Atenciosamente e Respeitosamente

Alerta do Examinador

A banca cobra a 3ª edição do Manual (2018). Material antigo, baseado na 2ª edição (2002), pode levar o candidato a errar. Atenção a duas mudanças: unificação do Padrão Ofício (não há mais distinção entre ofício, memorando e aviso) e simplificação dos vocativos (Excelentíssimo só para três autoridades). Outra pegadinha: a fonte. 3ª edição = Calibri ou Carlito 12. 2ª edição = Times New Roman 12. Cursinhos antigos ainda ensinam Times New Roman; está desatualizado.

Prof. Affonsinho explica, Módulo 02

2 Pronomes de tratamento, vocativos e fechos

Os pronomes de tratamento são os instrumentos formais de respeito e hierarquia na redação oficial. A 3ª edição do Manual da Presidência (2018) simplificou drasticamente a lista, eliminando formas anteriores em desuso e padronizando o uso.

Pronomes de tratamento - Manual da Presidência (3ª edição)

Os pronomes mantidos pela 3ª edição:

PronomeAbreviaturaCabimento
Vossa ExcelênciaV.Exa.Pte da República, Vice-Pte, Min. de Estado, Comandantes Forças Armadas, Embaixadores; Pte do STF, Min. STF, Pte do CNJ, demais magistrados; Senadores, Deputados Federais e Estaduais; Pte do TCU e demais Tribunais de Contas; PGR, Procuradores; Conselheiros
Vossa SenhoriaV.Sa.Particulares, servidores graduados ou em cargos sem tratamento especial; comunicações entre servidores de mesmo nível, sem hierarquia formal definida

Outros pronomes (Vossa Magnificência para reitores, Vossa Eminência para cardeais) não são previstos no Manual. Foram eliminados na 3ª edição por desuso prático e pela busca de padronização.

Concordância com pronomes de tratamento

Apesar de "Vossa Excelência" parecer 2ª pessoa do plural, gramaticalmente é tratado como 3ª pessoa do singular ou plural (conforme o número). Atenção:

  • Concordância verbal: 3ª pessoa. "Vossa Excelência vai a Brasília" (não "vais").
  • Concordância pronominal: pronomes possessivos e oblíquos na 3ª pessoa. "Vossa Excelência e seus assessores" (não "vossos"). "Submeto à apreciação de Vossa Excelência o seguinte..." (não "à vossa apreciação").
  • Concordância de gênero: depende do sexo do destinatário. "Vossa Excelência é considerado" (homem) ou "Vossa Excelência é considerada" (mulher).

Uso por extenso ou abreviado

A regra do Manual da Presidência: na primeira menção, use por extenso; nas menções subsequentes no mesmo documento, pode-se abreviar. Exemplo:

  • 1ª menção: "Comunico a Vossa Excelência que..."
  • 2ª menção: "Solicito a V.Exa. providências..."

Em endereçamento e assinatura, sempre por extenso.

Sua Excelência (3ª pessoa)

Quando se fala sobre a autoridade (não com ela), usa-se "Sua Excelência" (e não "Vossa Excelência"). Exemplos:

  • "Sua Excelência o Senhor Presidente da República determinou..."
  • "O documento foi assinado por Sua Excelência o Ministro da Justiça..."

Distinção fundamental: Vossa Excelência = falo com você; Sua Excelência = falo sobre ele/ela.

Pegadinha da Dotôra Soffya

A banca afirma que "Vossa Excelência" exige verbo na 2ª pessoa do plural. Errado. 3ª pessoa do singular ou plural, conforme o número. "Vossa Excelência vai", não "Vossa Excelência vais". Outra pegadinha: dizer que pronomes possessivos com Vossa Excelência são "vosso/vossa". Errado: usa-se seu/sua. "Vossa Excelência e sua equipe" (não "vossa equipe"). Outra: confundir Vossa Excelência (com você) com Sua Excelência (sobre ele/ela).

Vocativos - 3ª edição

O vocativo é a forma de invocação do destinatário no início do documento. A 3ª edição padronizou:

DestinatárioVocativo
Pte da República, Pte do STF, Pte do Congresso (Senado ou Câmara)Excelentíssimo Senhor Presidente da República, / Excelentíssimo Senhor Presidente do Supremo Tribunal Federal, / Excelentíssimo Senhor Presidente do Senado Federal,
Demais autoridades tratadas por Vossa ExcelênciaSenhor + cargo, (ex.: Senhor Ministro, / Senhor Senador, / Senhor Juiz,)
Particulares e demais servidores (V.Sa.)Senhor + cargo ou nome,

Importante: a 3ª edição reservou "Excelentíssimo Senhor" apenas para os três Presidentes (República, STF, Congresso). Para Ministros, Senadores, Deputados, Magistrados e demais autoridades, usa-se apenas "Senhor + cargo". Mudança em relação à 2ª edição, que usava "Excelentíssimo" mais amplamente.

Fechos

A 3ª edição reduziu os fechos a apenas dois:

  • Atenciosamente, - usado por autoridade de hierarquia igual ou inferior ao destinatário. Caso comum: ofício entre servidores ou entre órgãos sem relação hierárquica clara.
  • Respeitosamente, - usado por autoridade de hierarquia inferior ao destinatário. Caso comum: ofício de servidor a autoridade superior, ou de Ministro ao Pte da República.

Fechos antigos como "Cordialmente", "Com elevada estima e consideração", "Saudações cordiais" foram eliminados pela 3ª edição. Em concurso, usar fechos antigos é erro.

Identificação do signatário

A 3ª edição padronizou a identificação:

  • Espaço para a assinatura (sem traço ou linha pontilhada).
  • Nome em letras de forma (CAIXA-ALTA).
  • Cargo do signatário, em fonte normal (não em maiúsculas).

Exemplo correto:



JOÃO DA SILVA
Diretor de Recursos Humanos

O traço ou linha entre o fecho e o nome do signatário, antes comum, foi eliminado pela 3ª edição. Usar traço hoje é erro de padronização.

Endereçamento

O endereçamento é o local onde se identifica o destinatário. Fica abaixo do local e da data, alinhado à margem esquerda. Estrutura padrão:

  • Linha 1: forma de tratamento (Excelentíssimo Senhor / Senhor)
  • Linha 2: nome completo do destinatário
  • Linha 3: cargo
  • Linhas 4-5: endereço (rua, número, complemento)
  • Linha 6: CEP, cidade-UF

O Manual prevê que o endereçamento pode ser simplificado em comunicações entre órgãos da mesma estrutura administrativa, sem necessidade do endereço físico completo.

Bate-papo com o Seu Teoffilo

A 3ª edição do Manual da Presidência (2018) é uma das simplificações mais bem-sucedidas da burocracia brasileira. Reduziu vocativos rebuscados, eliminou fechos pomposos, padronizou a formatação. A doutrina (Pasquale Cipro Neto, Sacconi, Cegalla) tem reconhecido a 3ª edição como referência atualizada. Em prova, a referência é sempre essa edição. Conhecer as mudanças entre a 2ª (2002) e a 3ª (2018) é especialmente útil para distinguir armadilhas em provas baseadas em material antigo.

Prof. Affonsinho explica, Módulo 03

3 Padrão Ofício

A grande novidade da 3ª edição do Manual da Presidência (2018) foi a unificação de três expedientes em um só padrão. Antes da 3ª edição, havia três comunicações distintas:

  • Ofício: comunicação externa entre órgãos.
  • Memorando: comunicação interna, entre seções de um mesmo órgão.
  • Aviso: emitido por Ministros de Estado.

A 3ª edição eliminou essa distinção e criou o Padrão Ofício, unificado, aplicável a todas as comunicações oficiais. A justificativa: facilitar a redação, padronizar a formatação, eliminar dúvidas sobre qual expediente usar.

Estrutura do Padrão Ofício (8 partes obrigatórias)

  1. Cabeçalho: brasão da República, nome do órgão emissor, endereço institucional. Centralizado, na 1ª página apenas.
  2. Identificação do expediente: tipo, sigla do órgão, número sequencial e ano. Exemplo: "Ofício nº 123/2026/CGU".
  3. Local e data: alinhados à margem direita. Exemplo: "Brasília, 15 de abril de 2026.".
  4. Endereçamento: forma de tratamento + nome + cargo + endereço + CEP. Alinhado à margem esquerda.
  5. Assunto: resumo do conteúdo, em poucas palavras. Em negrito, sem ponto final. Exemplo: "Assunto: Solicitação de informações sobre o processo XXX".
  6. Texto: corpo do documento. Estruturado em introdução, desenvolvimento e conclusão. Pode ter parágrafos numerados.
  7. Fecho: Atenciosamente ou Respeitosamente, conforme a hierarquia.
  8. Identificação do signatário: nome em CAIXA-ALTA + cargo em fonte normal.

Anexos, quando houver, são listados após a identificação do signatário.

Texto do ofício

O texto pode seguir duas estruturas, conforme a finalidade:

  • Texto de exposição: para encaminhar matéria, dar ciência, apresentar informações. Estrutura mais livre, mas com clareza e objetividade.
  • Texto de mero encaminhamento: para encaminhar documento ou processo. Pode ser mais sucinto, com fórmulas como "Encaminho a Vossa Excelência..." ou "Para conhecimento e providências...".

Numeração de parágrafos

A 3ª edição prevê que os parágrafos do texto possam ser numerados a partir do segundo, com numeração sequencial. O primeiro parágrafo nunca é numerado. A numeração é facultativa, mas, quando usada, deve ser consistente. Exemplo:

  • 1º parágrafo: sem número.
  • 2º parágrafo: "2.".
  • 3º parágrafo: "3.".
  • (...)

Esse recurso facilita a referência cruzada em respostas e em discussões internas.

Alerta do Examinador

A banca cobra a unificação do Padrão Ofício. Não há mais distinção entre ofício, memorando e aviso na redação oficial federal. Material antigo (2ª edição, 2002) ainda separa. Outra pegadinha: dizer que o cabeçalho deve aparecer em todas as páginas. Errado: apenas na 1ª página. Da 2ª em diante, há apenas o número da página no canto superior direito.

Formatação técnica completa (3ª edição)

A 3ª edição padronizou minuciosamente a formatação:

ItemEspecificação
PapelA4 (210 x 297 mm)
MargensSuperior 4 cm; inferior 2 cm; esquerda 3 cm; direita 1,5 cm
Fonte do corpoCalibri ou Carlito, tamanho 12
Fonte de citações longas e notasCalibri ou Carlito, tamanho 11
Espaçamento entre linhasSimples
Espaçamento antes/depois do parágrafo6 pontos antes e 6 pontos depois
JustificaçãoTexto justificado
Numeração de páginasA partir da 2ª, no canto superior direito (1 cm da borda superior)
Cabeçalho institucionalApenas na 1ª página
Caracteres especiaisPermitidos só os necessários (acentos, cedilha)

Espaçamento entre os elementos

A 3ª edição também padronizou os espaçamentos entre os blocos do documento:

  • Entre o cabeçalho e a identificação do expediente: cerca de 2 espaços (12 pt).
  • Entre a identificação e o local/data: 1 espaço.
  • Entre o local/data e o endereçamento: 1 espaço.
  • Entre o assunto e o texto: 2 espaços.
  • Entre os parágrafos: 6 pt antes e 6 pt depois (espaçamento padrão).
  • Entre o fecho e a identificação do signatário: cerca de 4 a 5 espaços, para permitir a assinatura.

Sigla e numeração

A identificação do expediente segue padrão estrito:

  • Tipo do expediente: "Ofício nº" (com "nº" abreviado).
  • Numeração sequencial dentro do ano corrente.
  • Sigla do órgão expedidor após a barra.
  • Ano após a sigla.

Exemplos:

  • "Ofício nº 123/2026/CGU" - Ofício 123 de 2026, da Controladoria-Geral da União.
  • "Ofício nº 45/2026/SE/MJSP" - Ofício 45 de 2026, da Secretaria Executiva do Ministério da Justiça e Segurança Pública.

Cabeçalho institucional

O cabeçalho deve conter:

  • Brasão da República: imagem oficial, em destaque centralizado.
  • Identificação do órgão expedidor: nome completo do Ministério, Secretaria ou unidade.
  • Hierarquia: do mais geral (Ministério) ao mais específico (departamento), em linhas separadas.
  • Endereço institucional: opcional, com endereço, CEP, telefone, e-mail.

Em órgãos não-federais, substitui-se o brasão pelo símbolo institucional próprio (governo estadual, prefeitura, autarquia).

Assinatura digital

A 3ª edição reconhece a validade da assinatura digital com certificação ICP-Brasil para documentos oficiais. A assinatura digital substitui a assinatura manuscrita, com as mesmas garantias jurídicas. Em documentos digitalmente assinados, dispensa-se o espaço físico para assinatura.

Pegadinha da Dotôra Soffya

A banca cobra os números da formatação: fonte Calibri 12, margens 4-2-3-1,5, papel A4, espaçamento simples, parágrafo 6 pt antes/depois. Decora os números. Outra pegadinha: dizer que a fonte é Times New Roman 12. Errado: era da 2ª edição (2002); a 3ª edição (2018) mudou para Calibri ou Carlito. Outra: confundir as margens. 4-2-3-1,5: superior 4, inferior 2, esquerda 3, direita 1,5 (em centímetros).

Prof. Affonsinho explica, Módulo 04

4 Mensagem e Exposição de Motivos

Mensagem - definição e cabimento

A Mensagem é a comunicação formal do Pte da República ao Congresso Nacional. Tem fundamento na CF/88 (arts. 84, XI; 165; 166) e é instrumento essencial da relação entre Executivo e Legislativo.

Hipóteses constitucionais da Mensagem

  • Abertura da sessão legislativa (CF art. 84, XI): em 2 de fevereiro de cada ano, o Pte envia Mensagem ao Congresso, expondo a situação do País e solicitando providências legislativas.
  • Encaminhamento de proposições: projetos de lei, indicações, ofícios sobre matérias constitucionais. Acompanha geralmente a EM (Exposição de Motivos) do Ministro da pasta.
  • Veto presidencial (CF art. 66 §1º): comunicação do veto ao Pte do Senado, com motivação.
  • Convocação extraordinária do Congresso (CF art. 57 §6º).
  • Indicação de autoridades sujeitas a aprovação prévia (Min. STF, Pte BACEN, PGR, embaixadores).
  • Encaminhamento das contas anuais (CF art. 84, XXIV).
  • Solicitação de delegação legislativa (CF art. 68, caput).

Estrutura da Mensagem

  1. Identificação do expediente: "Mensagem nº" + número + ano.
  2. Local e data.
  3. Vocativo: "Senhor Presidente do Senado Federal," (em casos de veto, encaminhamento) ou "Excelentíssimas Senhoras e Senhores Membros do Congresso Nacional," (em abertura).
  4. Texto: corpo da Mensagem, com a matéria a ser comunicada.
  5. Fecho: geralmente sem fecho específico, com encerramento próprio.
  6. Assinatura do Pte da República.

Exposição de Motivos (EM) - definição

A Exposição de Motivos é o expediente pelo qual o Ministro de Estado dirige-se ao Pte da República, com finalidade informativa ou propositiva. É instrumento de articulação interna do Executivo, anterior à decisão presidencial.

Tipos de Exposição de Motivos

  • EM informativa: apenas comunica situação ou atualiza o Pte sobre tema específico. Não solicita decisão. Estrutura mais livre.
  • EM propositiva: solicita decisão presidencial concreta. Pode ser:
    • Para envio de Projeto de Lei ao Congresso.
    • Para edição de Medida Provisória.
    • Para edição de Decreto presidencial.
    • Para autorização para missão oficial no exterior.

EM Conjunta

Quando dois ou mais Ministros submetem matéria conjunta ao Pte, a EM é assinada por todos. Exemplo clássico: matéria orçamentária com competência partilhada (Min. Fazenda + Min. Planejamento). A EM Conjunta tem ordem de assinaturas conforme protocolo institucional.

Estrutura formal da EM

  1. Cabeçalho: brasão e identificação do Ministério.
  2. Identificação: "EM nº" + número + ano + sigla do Ministério.
  3. Local e data.
  4. Vocativo: "Senhor Presidente da República,".
  5. Texto: parágrafos numerados a partir do segundo. Conclusão com formula como "Estas, Senhor Presidente, são as razões que submeto à elevada apreciação de Vossa Excelência..." (na propositiva).
  6. Fecho: Respeitosamente,
  7. Assinatura do Ministro.

Casa Civil e o filtro institucional

As Exposições de Motivos passam, em regra, pela Casa Civil da Presidência da República, que faz a coordenação institucional, verifica a conveniência política e a compatibilidade com a agenda do governo. A Casa Civil tem competência regimental para devolver EMs com observações, sugerir alterações ou submetê-las ao Pte com parecer.

Bate-papo com o Seu Teoffilo

A doutrina (Pasquale Cipro Neto, Sacconi, Cegalla) reconhece que a Mensagem e a Exposição de Motivos são instrumentos típicos do presidencialismo brasileiro. A Mensagem é a "voz pública" do Pte ao Congresso; a EM é a "voz interna" dos Ministros ao Pte. Em sistemas comparados (parlamentarismo europeu, congressmen americanos), há instrumentos análogos com formatos distintos. Em prova, distinguir Mensagem de EM é fundamental: Mensagem = Pte → Congresso; EM = Ministro → Pte.

Prof. Affonsinho explica, Módulo 05

5 Parecer e Despacho

Além do Padrão Ofício, da Mensagem e da Exposição de Motivos, a Administração Pública usa um conjunto de expedientes deliberativos e declaratórios. Eles aparecem em prova com frequência, principalmente em concursos de tribunais, Câmaras e órgãos do Executivo. Vamos pelos dois principais agora: parecer e despacho.

Parecer - definição e função

O parecer é o expediente em que um agente público, normalmente especialista (jurídico, técnico, contábil), opina fundamentadamente sobre questão submetida à sua análise. É instrumento de subsídio à decisão administrativa: quem decide é a autoridade competente; o parecer apenas orienta.

O parecer tem natureza opinativa, mas, em regra, vincula a decisão quando emitido por órgão consultivo obrigatório (ex.: parecer da AGU em contratação direta, parecer do controle interno em prestação de contas). A jurisprudência do STF (MS 24.631/DF, rel. Min. Joaquim Barbosa) firma a tese de que o parecerista pode ser responsabilizado quando o parecer for vinculante e contiver vício grave.

Estrutura clássica do parecer

  1. Identificação: "Parecer nº" + número + ano + sigla do órgão. Ex.: "Parecer nº 123/2026/CONJUR/MJSP".
  2. Ementa: resumo em letras maiúsculas ou negrito, com a matéria, a tese e a conclusão. Funciona como índice rápido. Ex.: "LICITAÇÃO. PREGÃO. EXIGÊNCIA DE CERTIDÃO. POSSIBILIDADE. PARECER PELA REGULARIDADE."
  3. Relatório: exposição dos fatos e do que se pede, em linguagem objetiva.
  4. Fundamentação: análise jurídica, técnica ou contábil. Cita lei, doutrina, jurisprudência, normativos internos. É o coração do parecer.
  5. Conclusão: resposta direta às consultas formuladas, em parágrafo numerado ou destacado. "Diante do exposto, opina-se pela..."
  6. Local, data e assinatura do parecerista.

Tipos de parecer

  • Facultativo: a autoridade decide se solicita. Não vincula.
  • Obrigatório não vinculante: a autoridade tem de pedir, mas pode discordar com motivação.
  • Obrigatório vinculante: a autoridade tem de pedir e deve seguir, salvo se demonstrar erro técnico do parecer.

Em prova, a banca explora a distinção entre parecer vinculante e não vinculante e a responsabilidade do parecerista. Cuidado: parecer técnico e parecer jurídico têm regimes diferentes; o jurídico, em regra, segue a Lei nº 8.906/94 (EOAB) quanto à inviolabilidade do advogado público.

Despacho - definição e função

O despacho é a manifestação da autoridade competente sobre matéria que lhe é submetida. Diferente do parecer, o despacho decide: defere, indefere, encaminha, determina, restitui. É o instrumento decisório por excelência da gestão pública.

Pode ser ordinatório (rotina, sem conteúdo decisório - "Encaminhe-se ao setor X"), decisório (resolve mérito - "Defiro o pedido com base em...") ou saneador (corrige vício processual - "Intime-se o interessado para complementar a documentação").

Dica do Fuffu

Na hora de identificar parecer ou despacho, você olha o objetivo. Parecer opina, fundamenta, recomenda. Despacho decide, defere, indefere. Se o texto termina com "opina-se pela...", é parecer. Se termina com "defiro" ou "indefiro", é despacho.

Prof. Affonsinho explica, Módulo 05

5 Expedientes declaratórios e e-mail oficial

Ata

A ata é o registro circunstanciado do que ocorreu em reunião, sessão ou assembleia. É documento histórico e probatório. Características: redação em parágrafo único e contínuo, sem espaços em branco, sem rasuras, com erros corrigidos pela expressão "digo" ou "em tempo". Os números devem ser escritos por extenso. Ao final, todos os presentes assinam.

  • Cabeçalho: identificação da reunião (órgão, número da sessão, data, hora, local).
  • Presentes: nomes dos participantes.
  • Pauta: itens deliberados.
  • Deliberações: o que foi decidido, com motivação resumida.
  • Encerramento: hora de término, assinatura do secretário e dos presentes.

Em prova, atenção: ata não tem parágrafos separados (escrita corrida) e os números vão por extenso. Detalhe que cai muito.

Atestado

O atestado é a declaração formal de fato presenciado pela autoridade ou de existência de situação verificada. Diferença com a declaração: o atestado afirma fato observado pessoalmente (ex.: atestado de comparecimento, atestado de capacidade técnica); a declaração comunica situação jurídica.

Estrutura: cabeçalho institucional, título "ATESTADO", texto direto ("Atesto, para os devidos fins, que..."), local, data e assinatura.

Declaração

A declaração é o expediente em que se afirma a existência ou inexistência de direito, fato ou situação jurídica. Difere do atestado por não exigir necessariamente verificação direta: pode declarar-se algo com base em registros, prontuários, anotações funcionais.

Exemplos: declaração de não acumulação de cargos, declaração de bens, declaração de hipossuficiência. Estrutura paralela à do atestado: título "DECLARAÇÃO", texto direto, local, data, assinatura.

Certidão

A certidão é o documento que reproduz, com fé pública, dado constante de assentamento oficial. Diferente da declaração e do atestado, a certidão pressupõe registro prévio em livro, processo ou banco de dados oficial. É expedida por servidor competente e tem valor probatório forte.

Tipos: certidão de inteiro teor (reprodução literal); certidão por extrato (resumo dos pontos relevantes); certidão narrativa (descrição do que consta); certidão negativa (atesta inexistência - ex.: certidão negativa de débitos).

Apostila

A apostila é o assentamento administrativo que averba alteração no registro funcional do servidor (mudança de nome, retificação de dados, registro de gratificação concedida). É expedida pela autoridade que controla o registro funcional. Tem natureza meramente declaratória, sem inovação no direito.

E-mail oficial - Correio Eletrônico

O Manual de Redação da Presidência da República, 3ª edição, reconhece o e-mail como expediente oficial válido para comunicações administrativas. Pressupostos:

  • Endereço institucional: nunca conta pessoal. Sempre @gov.br ou domínio institucional.
  • Assinatura institucional: nome, cargo, unidade, telefone, e-mail.
  • Linguagem: formal, mas sem o protocolo do Padrão Ofício. Sem vocativos solenes em e-mails internos breves.
  • Assunto: claro, objetivo, com referência se houver ("Re:", "Fwd:" devem ser evitados em primeiro envio).
  • Anexos: PDF preferencial; nomear com data e assunto ("2026-04-28_Relatorio_Trimestral.pdf").
  • Confidencialidade: cuidado com a classificação da informação (LAI - Lei nº 12.527/2011); informações sigilosas não podem trafegar em e-mail comum.
  • Validade jurídica: o e-mail oficial pode ter força probatória, sobretudo quando assinado digitalmente.

Bate-papo com o Seu Teoffilo

O regime do e-mail oficial dialoga com a Lei nº 14.063/2020 (assinaturas eletrônicas no setor público) e com o Decreto nº 10.543/2020. Há três níveis de assinatura eletrônica: simples (login/senha), avançada (com certificado próprio) e qualificada (com certificado ICP-Brasil). Quanto maior o impacto jurídico, maior a exigência de nível de assinatura. Para concursos, decora os três níveis.

Prof. Affonsinho explica, Módulo 06

6 Estrutura, tese e progressão temática

Aqui sai o cenário burocrático e entra o cenário discursivo. O texto dissertativo-argumentativo é o coração da prova de redação em concursos públicos: ENEM, vestibulares, Cespe/Cebraspe, FGV, FCC, Vunesp, Quadrix, todas cobram a competência de defender uma tese com argumentos sólidos.

Definição

Texto dissertativo-argumentativo é aquele em que o autor expõe uma tese sobre tema controverso ou relevante e a sustenta com argumentos, exemplos, dados e raciocínios. Diferente do dissertativo-expositivo (apenas explica) e do narrativo (conta uma história), o dissertativo-argumentativo defende um ponto de vista.

Estrutura tradicional - três partes

  1. Introdução: apresenta o tema, contextualiza e enuncia a tese. Deve ser breve (1 parágrafo, 4 a 6 linhas), funcional, sem rodeios. Termina com a frase-tese, que será o fio condutor do texto.
  2. Desenvolvimento: dois ou três parágrafos, cada um com um argumento principal. Cada parágrafo deve conter: tópico frasal (frase-resumo do argumento), explicação, exemplo ou dado, e fechamento que prepare a transição.
  3. Conclusão: retoma a tese, sintetiza os argumentos e propõe encerramento (síntese pura, proposta de intervenção, reflexão final). Em provas estilo ENEM, exige-se proposta de intervenção com 5 elementos: agente, ação, modo/meio, finalidade, detalhamento.

A tese - o ponto mais importante

A tese é a opinião defendida pelo autor. É a frase que organiza todo o texto. Sem tese clara, o texto vira mera dissertação expositiva e perde pontos.

Critérios de uma boa tese:

  • Clara: sem ambiguidade. O leitor identifica imediatamente o que você defende.
  • Específica: não é genérica. Em vez de "a educação é importante", afirme "a educação básica brasileira precisa de investimento federal direto para superar a desigualdade regional".
  • Defensável: você consegue argumentar a favor com dados, exemplos, raciocínios. Tese indefensável é tese ruim.
  • Polêmica em grau adequado: nem óbvia (não cabe argumentação), nem absurda (você se complica).

Progressão temática

A progressão temática é o avanço lógico do texto: cada parágrafo acrescenta informação nova, conectada com a anterior, sem repetição vazia. Existem três padrões clássicos:

  • Progressão linear: o tema do parágrafo anterior vira ponto de partida do seguinte. Garante coesão forte.
  • Progressão constante: o tema central se mantém, mudam-se os comentários a seu respeito. Útil para textos focados em um único objeto.
  • Progressão por hipertema: cada parágrafo trata de um aspecto diferente do tema geral. Útil para análises panorâmicas.

Erros típicos de progressão

  • Salto temático: o autor pula do tema A para o tema C sem ligar via tema B.
  • Circularidade: o autor repete a mesma ideia em parágrafos diferentes, sem avançar.
  • Quebra do fio condutor: a tese é abandonada no meio do texto, e a conclusão não retoma o que foi prometido.

Truque da Raffinha

Antes de escrever, faça um esquema rápido em 5 linhas: tese, argumento 1, argumento 2, argumento 3, conclusão. Cada linha vira um parágrafo. Esse esqueleto previne 80% dos problemas de progressão. Não pule essa etapa, mesmo com pouco tempo de prova.

Prof. Affonsinho explica, Módulo 06

6 Técnicas de introdução, desenvolvimento e conclusão

Técnicas de introdução

A introdução tem função tripla: apresentar o tema, contextualizar e enunciar a tese. Existem padrões consagrados:

  • Contextualização histórica: situa o tema em período ou processo histórico. Ex.: "Desde a Constituição de 1988, o Brasil reconhece a saúde como direito universal..."
  • Citação ou alusão: usa referência intelectual (filósofo, escritor, dado oficial) como ponto de partida. Cuidado: a citação deve ser precisa e relevante; chute aqui é fatal.
  • Definição: começa esclarecendo conceito-chave. Útil em temas técnicos.
  • Pergunta retórica: provoca reflexão e estabelece o debate. Use com parcimônia: 1 pergunta, no máximo.
  • Dado estatístico: número impactante e verificável. IBGE, IPEA, OMS, ONU. Nunca invente número.
  • Comparação ou paradoxo: contraste entre dois cenários para gerar tensão argumentativa.

Técnicas de desenvolvimento

Cada parágrafo de desenvolvimento deve ter quatro elementos: tópico frasal, explicação, exemplo/dado, arremate com transição.

  • Tópico frasal: primeira frase do parágrafo. Resume o argumento. Ex.: "A desigualdade no acesso à internet aprofunda a desigualdade educacional."
  • Explicação: justifica o tópico frasal com raciocínio causal. Por que isso é verdade?
  • Exemplo ou dado: ilustra o argumento com fato concreto. Ex.: pesquisa do IBGE 2023 sobre conectividade domiciliar.
  • Arremate com transição: encerra o parágrafo conectando-o ao próximo. Evita texto fragmentado.

Padrões de organização interna do desenvolvimento

  • Causa e consequência: argumento 1 mostra a causa; argumento 2, a consequência.
  • Comparação: contraste entre duas realidades, dois períodos, dois cenários.
  • Argumento + contra-argumento + refutação: apresenta a posição contrária e refuta com argumento próprio. Demonstra maturidade analítica.
  • Aspecto social + aspecto econômico: divide a análise em dois eixos complementares.
  • Histórico + atual: parágrafo 1 contextualiza; parágrafo 2 analisa o presente.

Técnicas de conclusão

A conclusão fecha o texto e deve ser proporcional. Não é resumo escolar; é arremate argumentativo. Padrões:

  • Síntese com retomada da tese: relembra a tese e os argumentos principais. Indicado para textos analíticos.
  • Proposta de intervenção: padrão ENEM. Cinco elementos: agente (quem age), ação (o que faz), modo/meio (como), finalidade (para quê), detalhamento (qual o desdobramento concreto).
  • Reflexão prospectiva: aponta caminhos futuros sem propostas concretas. Útil em temas abertos.
  • Frase de impacto: encerramento marcante, com ironia, paradoxo ou aforismo. Use com cautela.

Pegadinha da Dotôra Soffya

A banca adora derrubar a redação que usa frases feitas na conclusão: "É preciso refletir sobre o tema", "Para finalizar, podemos concluir que", "O Estado tem o dever de agir". Frase de manual derruba nota. Conclusão tem que ter conteúdo próprio. Outra pegadinha: proposta de intervenção sem agente claro. "É preciso investir em educação" vale pouco. "O Ministério da Educação deve, por meio do FUNDEB, ampliar o repasse a municípios com menor IDH, com prazo de 12 meses, para reduzir a evasão escolar" vale muito.

Prof. Affonsinho explica, Módulo 07

7 Tipos de argumento

Argumentar é mais do que dar opinião: é apresentar razões organizadas para convencer o leitor. Existem padrões consagrados de argumentação que você precisa conhecer e aplicar.

Argumento de autoridade

Apoia-se em fonte reconhecida: cientista, jurista, instituição, dado oficial. Funciona quando a fonte tem credibilidade na matéria.

Ex.: "Conforme dados do IBGE de 2023, 35,3 milhões de brasileiros não têm acesso a saneamento básico - número que escancara a desigualdade no acesso a serviços essenciais."

Cuidado: o argumento de autoridade vira falácia quando a autoridade citada não é especialista no tema, é distorcida ou inventada. Atribuir frase falsa a Einstein ou a Machado de Assis derruba a redação.

Argumento de exemplificação

Sustenta o argumento com caso concreto. O exemplo pode ser histórico, contemporâneo, literário, científico. Ex.: "A escolarização em massa promove ascensão social: a Coreia do Sul é caso emblemático, tendo passado de país agrário a potência tecnológica em três gerações por meio do investimento maciço em educação."

O exemplo precisa ser verdadeiro e relevante. Exemplo inventado cai como mentira; exemplo solto, sem amarração, vira ornamento vazio.

Argumento de causa e consequência

Estabelece relação causal entre dois fenômenos. Ex.: "O subfinanciamento da pesquisa científica leva à evasão de cérebros, com consequências econômicas de longo prazo: o Brasil perde profissionais formados com dinheiro público para mercados estrangeiros, sem retorno."

Cuidado com a causa falsa: nem toda correlação implica causalidade. "Aumentou a venda de sorvete e aumentou o número de afogamentos" - não é o sorvete que afoga, é o calor que aumenta as duas coisas.

Argumento por comparação

Confronta duas realidades para iluminar a tese. Ex.: "Enquanto a Finlândia investe 7,1% do PIB em educação e tem um dos melhores sistemas do mundo, o Brasil investe cerca de 5,5% e ainda enfrenta desafios estruturais."

A comparação precisa de termos comparáveis. Comparar Brasil com Suíça em PIB per capita é descontextualização barata.

Argumento por raciocínio lógico

Constrói o argumento pela cadeia dedutiva ou indutiva. Ex.: "Se a Constituição garante saúde universal (premissa 1) e o sistema atual exclui populações vulneráveis (premissa 2), então o sistema atual descumpre a Constituição (conclusão)."

É o argumento mais sofisticado. Funciona bem em textos analíticos e em provas que exigem raciocínio jurídico.

Argumento por ilustração histórica

Recupera evento ou processo do passado para iluminar o presente. Ex.: "A Lei Áurea, de 1888, libertou os escravizados sem políticas de inclusão; o resultado foi a marginalização que se estendeu por gerações."

Use com precisão histórica: data correta, evento real, conexão clara com a tese atual.

Argumento por contraste ou paradoxo

Aproveita uma oposição aparente para gerar tensão analítica. Ex.: "O país detém uma das maiores biodiversidades do planeta e, ao mesmo tempo, lidera índices globais de desmatamento."

Coach Jeff manda ver

Bora! Mistura tipos de argumento no mesmo texto: um parágrafo com dado oficial (autoridade), outro com exemplo histórico (exemplificação), outro com cadeia lógica (raciocínio). Texto monotípico cansa o leitor; texto variado mostra repertório. Você não precisa usar os 7 padrões: 2 ou 3 bem aplicados já fazem a diferença.

Prof. Affonsinho explica, Módulo 07

7 Falácias - o que evitar e o que detectar

Falácia é argumento aparentemente válido, mas com defeito lógico que invalida a conclusão. Reconhecer falácias é dupla competência: você não comete as suas, e detecta as do interlocutor.

Ad hominem

Ataca a pessoa, não o argumento. Em vez de refutar a tese, desqualifica quem a defende. Ex.: "Não dá para levar a sério essa proposta, vinda de alguém que não tem formação em economia." Em redação de concurso, ad hominem mata a nota: você precisa atacar a ideia, não a pessoa.

Ad populum (apelo à maioria)

Sustenta que algo é verdade porque a maioria acredita. Ex.: "A maioria dos brasileiros é a favor da redução da maioridade penal, logo essa medida é justa." A maioria pode estar errada; concordância coletiva não é prova de verdade.

Falsa analogia

Compara duas situações cujas semelhanças são superficiais. Ex.: "Educação é como mercado: quem oferece melhor serviço cresce. Logo, escolas devem competir entre si." Educação não é mercadoria; a analogia ignora diferenças estruturais.

Causa falsa (post hoc)

Atribui causa a um fato apenas porque ele veio antes. Ex.: "Depois que aprovaram a nova lei, a inflação subiu, logo a lei causou a inflação." Correlação temporal não é causalidade. Pode haver outras variáveis.

Generalização indevida

Conclui sobre um conjunto a partir de uma amostra insuficiente. Ex.: "Conheci dois servidores públicos preguiçosos; logo, servidor público é preguiçoso." Generalizar a partir de poucos casos é vício recorrente. Em prova, generalização derruba a nota.

Espantalho (straw man)

Distorce a posição do oponente para refutar mais facilmente. Ex.: o oponente defende controle ambiental, e o autor responde como se ele estivesse defendendo o fechamento de toda atividade econômica. É refutar uma versão exagerada.

Falso dilema

Apresenta apenas duas opções, ignorando alternativas. Ex.: "Ou aprovamos esta reforma, ou o sistema entra em colapso." Pode haver terceira via, ajustes parciais, alternativas mistas.

Apelo à emoção

Substitui argumento racional por gatilho emocional. Ex.: "Pense nas crianças que vão sofrer se essa lei não passar." A emoção pode ser legítima, mas precisa ser acompanhada de razões. Apelo emocional puro é manipulação.

Apelo à tradição

Sustenta que algo é válido porque sempre foi assim. Ex.: "Esse procedimento existe há 50 anos, logo deve ser mantido." Tempo de existência não prova qualidade. A escravidão durou séculos e era injusta.

Apelo à ignorância

Afirma que algo é verdade porque não foi provado o contrário (ou vice-versa). Ex.: "Ninguém provou que essa política é ruim, então ela é boa." Ausência de prova contrária não é prova favorável.

Petição de princípio

Usa a conclusão como premissa, em forma circular. Ex.: "A lei é justa porque foi aprovada democraticamente, e a democracia produz leis justas." A premissa pressupõe o que se quer provar.

Alerta do Examinador

Em prova de redação, três falácias derrubam mais redação: generalização indevida, causa falsa e apelo à emoção. O candidato escreve com paixão, joga um exemplo solto, generaliza em uma frase e o avaliador identifica falha de raciocínio. Para evitar: cada afirmação genérica precisa de qualificador ("em geral", "na maior parte", "tendência"); cada relação causal precisa de mecanismo explicado; emoção sempre acompanhada de dado ou raciocínio.

Prof. Affonsinho explica, Módulo 08

8 Coesão - amarração explícita do texto

Coesão e coerência andam juntas, mas não são a mesma coisa. Coesão é a amarração linguística explícita: pronomes, conjunções, advérbios que ligam frases e parágrafos. Coerência é a unidade de sentido: o texto faz sentido como um todo, sem contradição interna.

Mecanismos de coesão referencial

A coesão referencial liga partes do texto por meio de retomadas. Existem dois movimentos principais:

  • Anáfora: retoma elemento já citado. "O servidor recebeu a notificação. Ele respondeu no prazo." O pronome "ele" retoma "o servidor".
  • Catáfora: antecipa elemento que aparecerá depois. "O importante é isto: respeitar a Constituição." O "isto" anuncia o que vem.

Recursos de retomada:

  • Pronomes pessoais: ele, ela, eles, elas, o, a, lhe.
  • Pronomes demonstrativos: este, esse, aquele, isto, isso, aquilo.
  • Pronomes possessivos: seu, sua, dele, dela.
  • Sinônimos e expressões equivalentes: "o presidente" → "o chefe do Executivo" → "o mandatário".
  • Hiperônimos e hipônimos: "rosa" → "flor" (hiperônimo); "veículo" → "carro" (hipônimo).
  • Elipse: omissão de termo já mencionado, recuperável pelo contexto.

Mecanismos de coesão sequencial - conectivos

Os conectivos articulam ideias e marcam a relação lógica entre elas. Saber escolher o conectivo certo é metade da redação argumentativa.

  • Adição: e, também, além disso, ademais, outrossim, igualmente, do mesmo modo, não só... mas também.
  • Oposição/contraste: mas, porém, contudo, todavia, entretanto, no entanto, em contrapartida, por outro lado, ao passo que.
  • Causa: porque, pois, visto que, dado que, uma vez que, já que, na medida em que.
  • Consequência: portanto, logo, por conseguinte, assim, dessa forma, então, de modo que, tanto que.
  • Finalidade: para que, a fim de que, com o intuito de, com o objetivo de.
  • Condição: se, caso, desde que, contanto que, salvo se, a menos que.
  • Conformidade: conforme, segundo, de acordo com, consoante.
  • Comparação: como, tal qual, assim como, tanto quanto, mais... do que, menos... do que.
  • Concessão: embora, ainda que, mesmo que, apesar de, posto que, conquanto, se bem que.
  • Tempo: quando, enquanto, antes que, depois que, assim que, logo que, mal.
  • Conclusão: portanto, enfim, em síntese, em suma, em resumo, ou seja, isto é.
  • Explicação: pois, porque, isto é, ou seja, vale dizer, em outras palavras.

Erros comuns de coesão

  • Repetição vazia: "O Estado deve agir. O Estado deve cumprir. O Estado tem que..." sem variação. Use sinônimos e elipses.
  • Pronome com referente ambíguo: "João disse a Pedro que ele estava errado." Quem está errado? João ou Pedro?
  • Conectivo errado para a relação: usar "porque" no lugar de "embora", trocar causa por concessão. Muda o sentido.
  • Quebra entre parágrafos: parágrafo 2 começa sem ligação com o parágrafo 1, como se fossem textos diferentes.

Dica do Fuffu

Tenha um repertório mínimo de 12 conectivos na ponta da língua: 2 de adição, 2 de oposição, 2 de causa, 2 de consequência, 2 de concessão, 2 de conclusão. Você varia ao longo do texto e evita o "e", "mas" e "então" repetidos. Texto coeso ganha pontos sem você precisar inventar nada.

Prof. Affonsinho explica, Módulo 08

8 Coerência - unidade de sentido

Coerência é o que faz um texto fazer sentido como um todo. Um texto pode estar coeso (com conectivos no lugar) e ainda assim incoerente (sem unidade). Os teóricos da Linguística Textual (Beaugrande, Dressler, Koch, Travaglia) trabalham com quatro princípios.

Princípio da não contradição

O texto não pode afirmar A e depois negar A sem motivação. Ex.: "A educação pública brasileira é um dos melhores sistemas do mundo. Por isso, milhões de crianças estão fora da escola." Há contradição direta.

Em redação, a contradição mais comum é entre tese e desenvolvimento, ou entre desenvolvimento e conclusão. Faça uma releitura final só para checar consistência.

Princípio da não tautologia

O texto não pode repetir a mesma ideia em palavras diferentes, sem acrescentar nada. Ex.: "É importante destacar a relevância de ressaltar a significância..." - três sinônimos para a mesma ideia, sem progressão.

Princípio da relevância

Cada parte do texto deve contribuir para a tese central. Trechos irrelevantes desviam o leitor e diluem o argumento. Ex.: redação sobre saúde pública que dedica um parágrafo inteiro a estatísticas de futebol - perde relevância.

Princípio da continuidade temática

O texto desenvolve um tema e o sustenta até o fim. Mudança brusca de tema, sem transição, quebra a coerência. O leitor se perde. Cada parágrafo deve manter o tema central, ainda que enfocando aspecto novo.

Coerência interna versus coerência externa

  • Coerência interna: o texto não se contradiz, mantém o tema, progride logicamente.
  • Coerência externa: o texto dialoga com o conhecimento de mundo do leitor, com fatos verificáveis, com a coletânea de apoio (em provas tipo ENEM).

A coerência externa é especialmente cobrada em prova com texto de apoio: o autor deve dialogar com os textos motivadores, sem ignorá-los nem copiá-los.

Inferências e implícitos

Texto coerente trabalha bem com o que está dito (explícito) e com o que se deduz (implícito). Implícitos vêm em duas formas:

  • Pressuposto: ideia tomada como certa, base do que se diz. "João parou de fumar" pressupõe que ele fumava antes.
  • Subentendido: ideia sugerida pelo contexto, sem comprometer o autor. Ex.: ironia, dupla leitura.

Em redação argumentativa, controle os pressupostos: você não pode pressupor o que está em discussão, sob pena de cometer petição de princípio.

Bate-papo com o Seu Teoffilo

A Linguística Textual brasileira (Ingedore Koch, Luiz Antônio Marcuschi, Leonor Lopes Fávero) consolidou a distinção entre coesão e coerência a partir dos estudos de Beaugrande e Dressler ("Introduction to Text Linguistics", 1981). Para concursos, lembre: coesão é superficial (linguística), coerência é profunda (semântica). Texto pode ter coesão sem coerência, mas dificilmente tem coerência sem alguma coesão.

Prof. Affonsinho explica, Módulo 09

9 Concordância e regência

Norma culta é o padrão linguístico exigido em concurso. Você pode ter ideias brilhantes, argumentação sólida, repertório vasto, mas se errar concordância ou regência, perde nota. As bancas (Cespe/Cebraspe, FGV, FCC) cobram norma culta com rigor cirúrgico.

Concordância verbal - regras-chave

  • Sujeito composto antes do verbo: verbo no plural. "João e Maria estudam."
  • Sujeito composto depois do verbo: pode concordar com o mais próximo ou ir para o plural. "Estuda João e Maria" / "Estudam João e Maria".
  • Sujeito coletivo singular: verbo no singular, em regra. "A multidão gritou." Cuidado: "A multidão de pessoas gritava" pode ir para o plural se o coletivo está afastado e há especificação ("a multidão de pessoas, animadas, gritavam").
  • Expressões de quantidade aproximada ("cerca de", "mais de", "menos de", "perto de"): verbo concorda com o numeral. "Mais de mil pessoas compareceram."
  • Verbos impessoais (haver no sentido de existir, fazer no sentido de tempo): vão para o singular. "Havia muitos candidatos." "Faz dez anos que..."
  • Pronome relativo "que": verbo concorda com o antecedente. "Sou eu que estudo" (não "que estuda").
  • Pronome relativo "quem": verbo na 3ª pessoa do singular ou em concordância com o sujeito. "Sou eu quem estuda" ou "Sou eu quem estudo".
  • Sujeito "um e outro" / "nem um nem outro": verbo no singular ou plural (preferência singular).
  • Sujeito "a maioria de", "a maior parte de": verbo no singular ou no plural (preferência singular).

Concordância nominal - regras-chave

  • Adjetivo após substantivos: concorda com o mais próximo ou vai para o plural masculino. "Livros e revistas novos" / "Livros e revistas novas".
  • "É proibido", "é necessário", "é bom" com sujeito sem artigo: ficam invariáveis. "É proibido entrada." Com artigo, concordam: "É proibida a entrada."
  • "Anexo", "incluso", "obrigado": concordam com o substantivo. "Segue anexa a planilha." "Muito obrigada." (mulher fala).
  • "Mesmo", "próprio": concordam com o sujeito. "Ela mesma fez" / "Eles próprios fizeram".
  • "Bastante": como adjetivo, concorda; como advérbio, invariável. "Bastantes alunos vieram" (adj.) / "Os alunos estudaram bastante" (adv.).
  • "Meio": como numeral, concorda; como advérbio, invariável. "Meio quilo" (num.) / "Ela ficou meio cansada" (adv.).

Regência verbal - verbos críticos

  • Aspirar: respirar (transitivo direto: "aspirar o ar"); desejar (transitivo indireto com "a": "aspirar ao cargo").
  • Visar: mirar/dar visto (TD: "visar o alvo"); desejar (TI com "a": "visar ao êxito").
  • Implicar: acarretar (TD: "implicar prejuízo"); envolver-se (TI com "em": "implicar-se em fraude"). Não use "implicar em" no sentido de acarretar.
  • Assistir: ver (TI com "a": "assistir ao filme"); ajudar (TD: "assistir o doente"); morar (TI com "em": "assistir em São Paulo").
  • Obedecer/desobedecer: TI com "a". "Obedecer à lei", "desobedecer ao chefe".
  • Chamar: convocar (TD: "chamar o amigo"); apelidar (TD ou TI: "chamar (de) burro" / "chamar-lhe burro").
  • Esquecer/lembrar: pronominal pede preposição ("esquecer-se de"); não pronominal não pede ("esquecer algo").
  • Preferir: TD + TI com "a". "Preferir café a chá." Nunca "preferir mais... do que".

Pegadinha da Dotôra Soffya

A pegadinha clássica de Cespe é a regência mista: "o livro a que me refiro" (não "que me refiro"); "o cargo a que aspiro" (não "que aspiro"). Sempre que o verbo pede preposição, ela vai antes do "que". Outra pegadinha: "obedecer à lei" com crase (porque "à" = "a + a"). Se você esquecer a crase, perde ponto.

Prof. Affonsinho explica, Módulo 09

9 Crase e pontuação

Crase - quando ocorre

Crase é a fusão de duas vogais "a" iguais: a preposição "a" + o artigo "a" (ou os pronomes "aquela", "aquele", "aquilo"). Marca-se com acento grave: à.

Casos clássicos:

  • Antes de palavra feminina específica: "Vou à escola" (escola feminina + verbo que pede "a").
  • Em locuções adverbiais femininas: "à noite", "à tarde", "às vezes", "à vontade", "à toa".
  • Em locuções prepositivas: "à frente de", "à beira de", "à custa de", "à medida que", "à proporção que".
  • Em locuções conjuntivas: "à medida que", "à proporção que".
  • Antes de "aquela", "aquele", "aquilo": "refiro-me àquela proposta", "respondi àquilo".
  • Em horas determinadas: "às 14h", "à uma da tarde".

Crase - quando NÃO ocorre

  • Antes de palavra masculina: "vou a pé", "vendi a prazo".
  • Antes de verbo: "começou a chover".
  • Antes de pronome pessoal: "entreguei a ele". "Refiro-me a você."
  • Antes de pronome de tratamento (em geral): "encaminhei a Vossa Excelência".
  • Antes de palavra repetida: "cara a cara", "frente a frente", "gota a gota".
  • Antes de plural genérico (sem artigo): "fui a reuniões importantes" (sem crase). Com artigo, há crase: "fui às reuniões importantes".
  • Antes de nomes de cidade sem qualificativo: "fui a São Paulo" (sem crase). Com qualificativo, há crase: "fui à bela São Paulo".

Truque do "voltar de"

Para saber se há crase antes de cidade, use o teste: se "volta da" cidade, há crase ("vou à"); se "volta de", sem crase ("vou a"). Ex.: "Voltei da França" → "Vou à França" (com crase). "Voltei de São Paulo" → "Vou a São Paulo" (sem crase).

Pontuação - vírgula

A vírgula tem regras claras, e errar vírgula derruba redação. Os casos principais:

  • Separa elementos enumerados: "estudei português, matemática e direito".
  • Isola adjuntos adverbiais deslocados: "Em 2026, o concurso será realizado." Sem deslocamento, vírgula opcional.
  • Isola apostos: "João, professor de redação, escreveu o livro."
  • Isola vocativos: "Senhor presidente, peço a palavra."
  • Separa orações coordenadas: "Estudei muito, mas não passei."
  • Isola orações subordinadas adverbiais antepostas: "Quando terminei, fui dormir." Pospostas, vírgula opcional.
  • Isola orações adjetivas explicativas: "O candidato, que estudou muito, passou." (todos os candidatos passaram). Restritivas não levam vírgula: "O candidato que estudou muito passou." (só esse passou).

Erros graves de pontuação

  • Vírgula entre sujeito e verbo: "O servidor, recebeu o ofício." Erro grave.
  • Vírgula entre verbo e complemento: "Recebeu, o ofício." Erro grave.
  • Sem vírgula em adjunto deslocado: "No início do ano todos voltam." Falta vírgula após "ano".
  • Confundir restritiva e explicativa: muda o sentido completamente.

Pontuação - ponto e vírgula

Usado para separar itens longos de uma enumeração, especialmente quando esses itens já têm vírgulas internas; e para marcar pausa intermediária entre o ponto e a vírgula. Em texto argumentativo, o ponto e vírgula confere ritmo e maturidade.

Pontuação - dois-pontos

Anuncia: enumeração, citação, esclarecimento, fala. Não use dois-pontos antes de elemento que conclua frase já completa.

Truque da Raffinha

Releia sua redação contando as vírgulas. Se um parágrafo tem mais de 5 vírgulas, desconfia: pode estar usando vírgula como respiração, não como regra. Se um parágrafo não tem vírgula nenhuma e tem mais de 4 linhas, desconfia: pode estar faltando isolamento de adjunto, aposto ou oração subordinada. Calibrar pontuação é exercício de releitura.

Prof. Affonsinho explica, Módulo 10

10 Vícios de linguagem - o que NÃO escrever

Vícios de linguagem são desvios da norma culta que prejudicam a clareza, a precisão ou a elegância do texto. A doutrina (Cegalla, Bechara, Sacconi) classifica em vários tipos. Vamos ao que mais cai em prova.

Ambiguidade (anfibologia)

Frase com mais de uma interpretação possível, gerando confusão. Ex.: "Vi o homem com o telescópio." Quem estava com o telescópio, eu ou o homem?

Solução: reescrever a frase para tornar a referência clara. "Com o telescópio, vi o homem." ou "Vi o homem que estava com o telescópio."

Cacofonia

Encontro de sílabas que forma palavra ou som desagradável. Ex.: "boca dela" (forma "cadela"); "vou-me já" (forma "vu-mejá"). Em texto formal, evita-se cacofonia por elegância.

Eco

Repetição de sílabas finais ou rimas em prosa. Ex.: "A consideração da situação da nação na avaliação..." Cinco terminações em "ção" no mesmo período. Substitua sinônimos.

Pleonasmo vicioso

Repetição inútil de ideia. Ex.: "subir para cima", "entrar para dentro", "elo de ligação", "encarar de frente", "hemorragia de sangue", "principal protagonista". O pleonasmo de reforço (literário) é admitido; o vicioso, não.

Solecismo

Erro de sintaxe (concordância, regência, colocação). Ex.: "houveram problemas" (correto: "houve problemas"); "fazem dez anos" (correto: "faz dez anos"); "o livro que me referi" (correto: "o livro a que me referi").

Barbarismo

Erro na forma ou significado da palavra. Pode ser de:

  • Pronúncia: "rúbrica" em vez de "rubrica" (sem acento na sílaba "ru").
  • Grafia: "previlégio" em vez de "privilégio".
  • Acentuação: "júri" sem acento, "interim" sem acento.
  • Sentido: usar "iminente" no lugar de "eminente" ou vice-versa.
  • Estrangeirismo desnecessário: usar "performance" quando cabe "desempenho".

Estrangeirismo - quando aceitar

O estrangeirismo é admissível quando não há equivalente claro em português, ou quando o termo já se incorporou ao idioma (ex.: "marketing", "software", "online"). Em texto oficial, prefira a forma portuguesa quando existir: "comércio eletrônico" em vez de "e-commerce", "linha" em vez de "online" (em contextos onde caiba).

Neologismo - quando admitir

Neologismo é palavra nova ou sentido novo. Em redação oficial, evita-se; em texto dissertativo-argumentativo, pode ser usado com parcimônia, sobretudo se já dicionarizado. Cuidado: neologismo gratuito ou jocoso ("googlar", "tuitar") não cabe em texto formal.

Alerta do Examinador

O vício mais punido em concurso público é o solecismo, especialmente o de regência. "Visar o cargo" (no sentido de aspirar) está errado: o correto é "visar ao cargo". "Implicar em" no sentido de "acarretar" também é solecismo. Decora as regências dos verbos críticos: aspirar, visar, implicar, assistir, obedecer, preferir. Cai em quase toda prova.

Prof. Affonsinho explica, Módulo 10

10 Vícios de estilo e armadilhas finais

Prolixidade

Excesso de palavras para expressar ideia simples. Ex.: "É de fundamental importância destacar a profunda relevância de mencionar..." em vez de "convém destacar". O texto fica empolado, sem ganho de conteúdo.

Solução: corte adjetivos vazios ("fundamental", "relevante", "essencial" em sequência), advérbios de intensidade desnecessários ("profundamente", "extremamente"), expressões enrolovas ("em virtude do fato de", troque por "porque").

Vulgarismo

Uso de termo coloquial, gíria ou expressão chula em texto formal. Ex.: "a galera dos concursos", "tipo assim", "rolar uma reforma". Em texto oficial ou de redação dissertativa, é grave. No furafila, a aula é coloquial e respira humor; em redação de prova, não.

Modismos

Palavras ou expressões da moda, que perdem sentido com o tempo. Ex.: "enquanto isso", "no que tange", "à luz de", "em sede de". Algumas são aceitas; outras viraram bordão de redação ruim. Use com parcimônia e prefira termos transparentes.

Clichês

Frases prontas, gastas pelo uso. Ex.: "no mundo globalizado em que vivemos", "a sociedade atual cada vez mais...", "é imprescindível que o Estado tome providências". Banca pena clichê; corretor humano também. Cada parágrafo deve ter conteúdo próprio.

Linguagem oral em texto escrito

Em texto formal, evite:

  • Abreviações informais ("vc", "pq", "tb").
  • Reduções ("tá", "né", "pra").
  • Marcadores conversacionais ("né", "tipo", "olha", "veja bem").
  • Pontuação expressiva (múltiplos pontos de exclamação, reticências em excesso).

Impessoalidade na redação oficial

A redação oficial é impessoal: não há "eu", "nós", "minha opinião". Use formas indiretas:

  • Voz passiva: "É solicitado que..." em vez de "Solicito que...".
  • Verbo na 3ª pessoa do singular: "Conforme dispõe a lei..." em vez de "Como sabemos...".
  • Sujeito indeterminado: "Encaminha-se o documento" em vez de "Estou encaminhando o documento".

Impessoalidade na redação dissertativa

Em redação argumentativa para concurso, a impessoalidade é parcial. Em geral, evita-se 1ª pessoa do singular ("eu acredito", "minha opinião"). A tese é apresentada de forma assertiva, sem precisar do "eu". Use:

  • Tese assertiva: "A educação básica brasileira precisa..." em vez de "Eu acho que a educação...".
  • 1ª pessoa do plural (com cuidado): "Devemos refletir..." Use raramente, e nunca em provas que exigem impessoalidade total.
  • Sujeito indeterminado: "Constata-se que..." em vez de "Eu constato".

Frases longas versus frases curtas

Boa redação alterna frases curtas e longas. Frase curta dá impacto; frase longa desenvolve raciocínio. Texto só com frases curtas vira fragmentado; texto só com frases longas vira cansativo.

Regra prática: parágrafo de 5 a 8 linhas, com 2 a 4 períodos. Período médio de 1 a 2 linhas, com pico de 3 linhas em desenvolvimento argumentativo. Frase de 5 ou mais linhas é alarme: provavelmente precisa de ponto.

Repetição lexical

Evite repetir a mesma palavra próximas no texto. Substitua por sinônimos, hiperônimos ou retomadas pronominais. Mas cuidado: variar demais com sinônimos forçados ("o pacote azul-marinho") fica ridículo. Equilíbrio.

Pegadinha da Dotôra Soffya

O candidato que escreve com paixão tende a abusar de adjetivos: "fundamental", "essencial", "profundo", "imprescindível". Cada um deles, isoladamente, é aceitável. Mas três em duas linhas sinalizam prolixidade. A banca corta. Releia e elimine adjetivos que não acrescentam conteúdo. Substitua por verbos fortes e dados concretos.

Antes do mapa mental

O vilão da aula

O Professor de Cursinho

"Decora essa fórmula, copia esse modelo, repete esse jargão. Quanto mais clichê, mais corretor humano gosta. Confia." Ele tem aula gravada em 2002, antes da 3ª edição do Manual de Redação da Presidência da República (2018). Ainda ensina ofício, memorando e aviso como expedientes distintos. Ainda usa Times New Roman 12. Ainda manda decorar "no mundo globalizado em que vivemos" e "a sociedade atual cada vez mais...". Em redação para concurso e ENEM, ele é o vilão perfeito: fórmula vence o iniciante, mas perde a banca treinada.

Para vencer o vilão: escrever com autoria. A banca leu 5 mil redações com as mesmas frases. O corretor passa o olho, identifica a "redação de cursinho" e reduz nota por falta de autoria. No ENEM, há competência específica para autoria e para proposta de intervenção criativa: redação fórmula vai mal nas duas.

A jogada do vilão

O Professor de Cursinho é o vilão clássico da redação. Ele te ensina fórmulas prontas, parágrafos modelo, conectivos enlatados e frases-feitas que pareciam ouro nos anos 90 mas hoje são marca registrada de redação ruim. Ele insiste em "no mundo globalizado em que vivemos", em "a sociedade atual cada vez mais...", em "é imprescindível que o Estado tome providências".

Como derrotar o Professor de Cursinho

  1. Repertório verdadeiro: leia jornais (Folha, Estadão, Nexo, Piauí), livros de não ficção, dados oficiais (IBGE, IPEA, OMS). Cite o que você sabe, não o que decorou.
  2. Argumentos próprios: pense de verdade no problema antes de escrever. Não copie o que viu na redação modelo do livro.
  3. Conectivos variados: troque "portanto" por "destarte", "logo", "por conseguinte". Mas não exagere: variação para fugir do banal, não para mostrar erudição vazia.
  4. Tese específica: foge do genérico. "A educação é importante" é fórmula. "A descentralização do FUNDEB com critério de IDH é caminho para reduzir desigualdade educacional regional" é tese.
  5. Proposta de intervenção concreta: agente claro, ação específica, modo definido, finalidade explícita, detalhamento real. Sem "o Estado deve agir".
  6. Voz autoral: escreva como você pensa, com estilo próprio, dentro da norma. A banca quer ver uma pessoa escrevendo, não um robô de cursinho.

A regra de ouro

Toda vez que você escrever uma frase e pensar "essa frase eu já vi mil vezes", apague e reescreva. Se você não consegue reescrever, é porque a ideia também é gasta. Procure outra. Texto autoral exige esforço; é por isso que vale ponto.

Bate-papo com o Seu Teoffilo

O Professor de Cursinho não é um vilão único: é a soma de uma cultura de ensino que confunde decorar com aprender. Em redação, decorar fórmula tem retorno marginal decrescente: funciona para nota mediana, não para nota alta. Bancas modernas (FGV, Cespe/Cebraspe, ENEM) calibram correção justamente para identificar e penalizar a redação fórmula. Quem quer nota acima de 800 (no ENEM) ou acima de 90 (em concursos) precisa de autoria, repertório e proposta concreta.

M Mapa mental da Redação

REDAÇÃO
Manual PR 3ª ed. + Argumentação + Norma Culta

1. Redação Oficial

  • Características: impessoalidade, formalidade, padronização, concisão, clareza
  • Padrão Ofício: unifica ofício, memo, aviso (3ª ed.)
  • Mensagem: Pte → Congresso (CF arts. 84, 165, 166)
  • EM: Ministro → Pte (informativa/propositiva)
  • Outros: parecer, despacho, ata, atestado, declaração, certidão, apostila, e-mail oficial

2. Pronomes e Vocativos

  • V.Exa.: alta autoridade (Pte, Min., parlamentares, juízes)
  • V.Sa.: tratamento padrão (cidadão, servidor)
  • V.Magnf.: reitores
  • V.Em.: cardeais
  • Fechos: Atenciosamente / Respeitosamente

3. Formatação Técnica

  • Fonte Calibri/Carlito 12 (3ª ed., 2018)
  • Margens 4-2-3-1,5 (sup-inf-esq-dir, em cm)
  • Papel A4, espaçamento simples
  • Parágrafo 6 pt antes/depois
  • Numeração: "Ofício nº X/AAAA/SIGLA"

4. Texto Dissertativo

  • Estrutura: introdução + 2-3 argumentos + conclusão
  • Tese: clara, específica, defensável
  • Progressão: linear / constante / hipertema
  • Tipos de argumento: autoridade, exemplo, causa-cons., comparação, lógico, histórico

5. Falácias

  • Ad hominem (ataque pessoal)
  • Ad populum (apelo à maioria)
  • Falsa analogia / Causa falsa
  • Generalização indevida / Espantalho
  • Falso dilema / Apelo à emoção / tradição / ignorância
  • Petição de princípio

6. Coesão e Coerência

  • Coesão referencial: anáfora, catáfora, retomadas
  • Coesão sequencial: 12 famílias de conectivos
  • Coerência: não contradição, não tautologia, relevância, continuidade
  • Implícitos: pressuposto e subentendido

7. Norma Culta

  • Concordância verbal e nominal
  • Regência: aspirar, visar, implicar, assistir, obedecer, preferir
  • Crase: a + a feminino, locuções fem., "àquela"
  • Pontuação: vírgula, ponto e vírgula, dois-pontos

8. Vícios de Linguagem

  • Ambiguidade, cacofonia, eco
  • Pleonasmo vicioso, solecismo, barbarismo
  • Estrangeirismo desnecessário, neologismo gratuito
  • Prolixidade, vulgarismo, modismo, clichê
  • Linguagem oral em texto escrito

R Revisão consolidada

Antes da prova, este é o material que você deve ter na ponta da língua. Revisão por módulo:

Módulo 1 - Características da redação oficial

Impessoalidade (sem "eu"), formalidade, padronização, concisão, clareza, norma culta. Fonte Calibri/Carlito 12. Margens 4-2-3-1,5 cm. Papel A4. Espaçamento simples. Parágrafo 6 pt antes/depois.

Módulo 2 - Pronomes, vocativos, fechos, signatário

V.Exa. para autoridades altas; V.Sa. para tratamento padrão. Vocativo conforme cargo. Fechos: Respeitosamente (subordinado a superior); Atenciosamente (entre pares e a inferior). Signatário em CAIXA-ALTA, abaixo da linha de assinatura.

Módulo 3 - Padrão Ofício

3ª ed. (2018) unificou ofício, memorando e aviso no Padrão Ofício. Estrutura: cabeçalho, identificação, local/data, vocativo, texto, fecho, identificação do signatário, anexos. Numeração "Ofício nº X/AAAA/SIGLA". Cabeçalho com brasão e órgão.

Módulo 4 - Mensagem e Exposição de Motivos

Mensagem: Pte → Congresso (CF arts. 84, XI; 165; 166). Hipóteses: abertura legislativa, encaminhamento, veto, convocação, indicação, contas. EM: Ministro → Pte; informativa ou propositiva; pode ser conjunta. Filtro Casa Civil.

Módulo 5 - Outros expedientes

Parecer (opinativo, com ementa, relatório, fundamentação, conclusão). Despacho (decisório). Ata (corrida, sem parágrafos). Atestado (fato presenciado). Declaração (situação jurídica). Certidão (registro oficial, fé pública). Apostila (averbação funcional). E-mail oficial: domínio @gov.br, formal, com Lei 14.063/20.

Módulo 6 - Texto dissertativo

Estrutura clássica: introdução (apresenta + tese), desenvolvimento (2-3 argumentos), conclusão (síntese / proposta de intervenção em 5 elementos). Progressão linear, constante ou por hipertema. Técnicas de introdução: contextualização, citação, definição, pergunta, dado, paradoxo.

Módulo 7 - Argumentação e falácias

7 tipos de argumento: autoridade, exemplo, causa-consequência, comparação, raciocínio lógico, ilustração histórica, contraste/paradoxo. 11 falácias clássicas: ad hominem, ad populum, falsa analogia, causa falsa, generalização indevida, espantalho, falso dilema, apelo à emoção, à tradição, à ignorância, petição de princípio.

Módulo 8 - Coesão e coerência

Coesão referencial (anáfora, catáfora, retomadas). Coesão sequencial: 12 famílias de conectivos. Coerência: não contradição, não tautologia, relevância, continuidade temática. Implícitos: pressuposto (vem com a frase) e subentendido (sugerido pelo contexto).

Módulo 9 - Norma culta

Concordância verbal: sujeito composto, coletivo, expressões aproximativas, verbos impessoais, "que" e "quem". Concordância nominal: adjetivo, "é proibido", "anexo", "mesmo", "bastante", "meio". Regência: aspirar, visar, implicar, assistir, obedecer, preferir. Crase: a+a fem., locuções, "àquela". Pontuação: vírgula em adjuntos, apostos, vocativos, coordenadas, subordinadas antepostas.

Módulo 10 - Vícios de linguagem

Ambiguidade, cacofonia, eco, pleonasmo vicioso, solecismo, barbarismo, estrangeirismo, neologismo, prolixidade, vulgarismo, modismo, clichê, linguagem oral em texto escrito. Impessoalidade na redação oficial (voz passiva, 3ª pessoa, sujeito indeterminado). Frases curtas e longas alternadas.

P 10 pegadinhas que mais caem

  1. 1. Times New Roman vs. Calibri. A 3ª edição do Manual de Redação da Presidência da República (2018) substituiu Times New Roman por Calibri ou Carlito 12. Banca cobra a fonte atual. Quem decorou da 2ª edição (2002) erra.
  2. 2. Margens 4-2-3-1,5. Ordem: superior 4 cm, inferior 2 cm, esquerda 3 cm, direita 1,5 cm. A pegadinha clássica é trocar a ordem ou os números. Decora.
  3. 3. Padrão Ofício unificou três expedientes. A 3ª edição extinguiu memorando e aviso, unificando todos no Padrão Ofício. Quem responde "ofício, memorando e aviso são distintos" erra. Hoje todos seguem o mesmo padrão.
  4. 4. Respeitosamente vs. Atenciosamente. Respeitosamente: subordinado a superior hierárquico. Atenciosamente: entre pares e a inferior. Trocar derruba a questão. O Manual fixa exatamente esses dois fechos.
  5. 5. V.Exa. vs. V.Sa. V.Exa.: Pte, Ministros, parlamentares, juízes, governadores, prefeitos. V.Sa.: cidadão comum, servidor sem cargo de cúpula, autoridades de menor relevo. Confundir é erro grave.
  6. 6. Mensagem ≠ Exposição de Motivos. Mensagem: Pte → Congresso. EM: Ministro → Pte. Cuidado com a inversão. A EM Conjunta é assinada por dois ou mais Ministros.
  7. 7. Aspirar e visar pedem preposição. "Aspirar ao cargo" (não "aspirar o cargo"). "Visar ao êxito" (não "visar o êxito"). No sentido literal (respirar, mirar), são TD: "aspirar o ar", "visar o alvo".
  8. 8. "Implicar" no sentido de acarretar é TD. "A reforma implica mudança" (sem "em"). "Implicar em" só no sentido de envolver-se: "implicou-se em fraude". Pegadinha de Cespe.
  9. 9. Crase em "à medida que" e "à proporção que". São locuções conjuntivas que pedem crase. A pegadinha é confundir com "na medida em que" (sem crase, conjunção causal).
  10. 10. Vírgula entre sujeito e verbo. Erro grave. "O servidor recebeu o ofício" (sem vírgula). A pegadinha aparece em frases longas, com sujeito extenso, em que o candidato instintivamente coloca vírgula antes do verbo.

Pegadinha bônus da Dotôra Soffya

Decorar essas 10 pegadinhas resolve cerca de 60% das questões objetivas de redação oficial nos últimos 5 anos. Mas atenção: a banca evolui. Lê o Manual da PR direto, do site oficial (planalto.gov.br ou serpro). Manual é gratuito e atual. Resumo de cursinho às vezes está desatualizado.

Q 10 questões comentadas

01

Padrão Ofício e formatação técnica

Enunciado. Conforme o Manual de Redação da Presidência da República (3ª edição, 2018), assinale a alternativa correta sobre formatação dos expedientes oficiais.

  1. A) A fonte oficial é Times New Roman 12, com espaçamento 1,5.
  2. B) As margens são: superior 3 cm, inferior 2 cm, esquerda 3 cm, direita 2 cm.
  3. C) A fonte é Calibri ou Carlito 12, com margens 4-2-3-1,5 cm e papel A4.
  4. D) O papel padrão é ofício (216 x 330 mm), com fonte Arial 11.
  5. E) O espaçamento entre linhas é duplo, e o parágrafo é recuado em 2 cm.

Gabarito: C

Prof. Affonsinho comenta

A 3ª edição do Manual (2018) atualizou os parâmetros técnicos. A fonte mudou de Times New Roman (2ª edição) para Calibri ou Carlito 12. As margens fixas são 4 cm superior, 2 cm inferior, 3 cm esquerda e 1,5 cm direita. O papel é A4. Espaçamento simples, com 6 pt antes e depois entre parágrafos.

  • A errada: Times New Roman é da 2ª edição. A 3ª (2018) usa Calibri/Carlito.
  • B errada: As margens são 4-2-3-1,5, não 3-2-3-2.
  • C correta: Reproduz exatamente o disposto na 3ª edição.
  • D errada: O papel é A4, não ofício; a fonte é Calibri/Carlito 12.
  • E errada: O espaçamento é simples, não duplo, e o recuo é padrão (sem indicação de 2 cm).

Tese central: Decorar os números (Calibri/Carlito 12, margens 4-2-3-1,5, A4, simples, 6 pt) resolve a questão direto.

02

Pronomes de tratamento e vocativos

Enunciado. Em comunicação oficial dirigida ao Presidente da República, o vocativo correto é:

  1. A) Senhor Presidente,
  2. B) Excelentíssimo Senhor Presidente da República,
  3. C) Vossa Excelência o Senhor Presidente,
  4. D) Sua Excelência o Senhor Presidente,
  5. E) Senhor Presidente da República,

Gabarito: B

Prof. Affonsinho comenta

Para o Presidente da República, o vocativo cerimonioso adequado é "Excelentíssimo Senhor Presidente da República,". O Manual da PR reserva a forma plena "Excelentíssimo" para três autoridades: Presidente da República, Presidente do Senado Federal e Presidente da Câmara dos Deputados. Para os demais cargos altos, basta "Senhor".

  • A errada: Falta a especificação "da República" e a forma cerimoniosa "Excelentíssimo".
  • B correta: É a única das cinco autoridades "Excelentíssimas", junto com PSF e PCD.
  • C errada: "Vossa Excelência" é pronome de tratamento, não vocativo. Não se mistura com vocativo.
  • D errada: "Sua Excelência" é referência indireta, em terceira pessoa.
  • E errada: Falta a forma cerimoniosa "Excelentíssimo".

Tese central: Excelentíssimo é reservado a 3 autoridades: Pte da República, PSF, PCD.

03

Mensagem presidencial

Enunciado. A respeito da Mensagem como expediente oficial, conforme o Manual de Redação da Presidência da República, julgue a afirmação: "A Mensagem é o expediente pelo qual o Ministro de Estado se dirige ao Presidente da República, com finalidade informativa ou propositiva, podendo ser assinada por dois ou mais Ministros." (Certo / Errado)

Gabarito: Errado

Prof. Affonsinho comenta

A definição apresentada confunde Mensagem com Exposição de Motivos. Mensagem é a comunicação do Pte da República ao Congresso Nacional. EM é a comunicação do Ministro de Estado ao Pte da República, e pode ser conjunta (assinada por dois ou mais Ministros).

  • C errada: Definição apresentada corresponde à EM, não à Mensagem.
  • E correta: A inversão é o erro: Mensagem é Pte → Congresso, não Ministro → Pte.

Tese central: Mensagem: Pte → Congresso. EM: Ministro → Pte (ou conjunta).

04

Texto dissertativo - estrutura

Enunciado. Sobre a estrutura do texto dissertativo-argumentativo, marque a alternativa correta.

  1. A) A introdução deve apresentar a tese apenas no final do texto.
  2. B) O desenvolvimento deve apresentar uma tese diferente em cada parágrafo.
  3. C) A introdução apresenta o tema, contextualiza e enuncia a tese; o desenvolvimento sustenta a tese com argumentos; a conclusão a retoma e fecha o texto.
  4. D) A conclusão deve apresentar uma tese nova, diferente da apresentada na introdução.
  5. E) A estrutura do texto dissertativo é a mesma da redação oficial: cabeçalho, identificação, vocativo, texto, fecho, signatário.

Gabarito: C

Prof. Affonsinho comenta

O texto dissertativo-argumentativo tem três partes funcionais: introdução (apresenta o tema, contextualiza e enuncia a tese), desenvolvimento (sustenta a tese com 2 ou 3 argumentos, cada um com tópico frasal, explicação, exemplo e arremate) e conclusão (retoma a tese, sintetiza os argumentos e fecha com síntese ou proposta de intervenção).

  • A errada: A tese deve estar na introdução, geralmente como frase de fechamento dela.
  • B errada: A tese é única; cada parágrafo apresenta um argumento que a sustenta.
  • C correta: Define corretamente as três funções.
  • D errada: A conclusão retoma a tese, não introduz tese nova.
  • E errada: Estrutura de redação oficial é diferente da dissertativa.

Tese central: Introdução: apresenta + tese. Desenvolvimento: argumentos. Conclusão: retoma + fecha.

05

Falácias argumentativas

Enunciado. "A maioria dos brasileiros é favorável à medida X; logo, a medida X é correta." O argumento configura qual falácia?

  1. A) Ad hominem.
  2. B) Falsa analogia.
  3. C) Ad populum (apelo à maioria).
  4. D) Causa falsa (post hoc).
  5. E) Petição de princípio.

Gabarito: C

Prof. Affonsinho comenta

A falácia ad populum consiste em sustentar que algo é verdadeiro ou correto porque a maioria das pessoas concorda com ele. A maioria pode estar equivocada; concordância coletiva não é critério de verdade. A falácia é tradicional na lógica clássica e cai com frequência em provas de redação e raciocínio.

  • A errada: Ad hominem ataca a pessoa, não invoca a maioria.
  • B errada: Falsa analogia compara realidades distintas; não é o caso.
  • C correta: A definição clássica de ad populum: "a maioria acha, logo é verdade".
  • D errada: Causa falsa atribui causalidade a sucessão temporal; não se aplica.
  • E errada: Petição de princípio usa a conclusão como premissa; não há circularidade no enunciado.

Tese central: Ad populum = apelo à maioria como critério de verdade.

06

Coesão e conectivos

Enunciado. Para introduzir uma oposição em um período argumentativo, qual conectivo é adequado?

  1. A) Portanto.
  2. B) Visto que.
  3. C) Outrossim.
  4. D) Em contrapartida.
  5. E) A fim de que.

Gabarito: D

Prof. Affonsinho comenta

Conectivos de oposição/contraste: mas, porém, contudo, todavia, entretanto, no entanto, em contrapartida, por outro lado, ao passo que. Cada um dos demais conectivos da questão tem função distinta: "portanto" (consequência), "visto que" (causa), "outrossim" (adição), "a fim de que" (finalidade).

  • A errada: Portanto: consequência ou conclusão, não oposição.
  • B errada: Visto que: causa.
  • C errada: Outrossim: adição.
  • D correta: Em contrapartida: oposição. Função adequada.
  • E errada: A fim de que: finalidade.

Tese central: Saber as 12 famílias de conectivos resolve quase toda questão de coesão.

07

Concordância verbal

Enunciado. Assinale a alternativa em que a concordância verbal está correta.

  1. A) Houveram muitos candidatos no concurso.
  2. B) Fazem dez anos que o decreto foi publicado.
  3. C) Mais de mil pessoas compareceu à audiência.
  4. D) Sou eu que estudo todos os dias.
  5. E) A multidão de torcedores invadiu, gritou e saíram em festa.

Gabarito: D

Prof. Affonsinho comenta

Verbo "haver" no sentido de existir é impessoal: vai sempre na 3ª pessoa do singular ("houve" ou "havia"). "Fazer" indicando tempo decorrido também é impessoal ("faz dez anos"). "Mais de" + numeral pede plural ("compareceram"). Pronome relativo "que" concorda com o antecedente ("sou eu que estudo", não "estuda"). Coletivo seguido de especificação pode ir ao plural, mas a coordenação "invadiu, gritou e saíram" mistura singular e plural sem motivação.

  • A errada: "Houveram" é erro grave. O correto: "houve muitos candidatos".
  • B errada: "Fazem" também é erro: o correto é "faz dez anos".
  • C errada: "Mais de mil" pede plural: "compareceram".
  • D correta: "Sou eu" + "que estudo": o pronome "que" concorda com "eu".
  • E errada: Mistura inadequada de singular e plural na mesma oração.

Tese central: Verbo impessoal: singular sempre. Pronome "que" concorda com antecedente.

08

Crase

Enunciado. Em qual frase a crase está corretamente empregada?

  1. A) Vou à pé até a repartição.
  2. B) Refiro-me à aquela proposta apresentada na semana passada.
  3. C) Estaremos atentos à medida que o processo avança.
  4. D) Encaminhei o documento à Vossa Excelência.
  5. E) Ele saiu à correr quando soube da notícia.

Gabarito: C

Prof. Affonsinho comenta

Crase é fusão de "a" (preposição) + "a" (artigo ou pronome). Em locuções conjuntivas femininas, há crase: "à medida que", "à proporção que". "A pé" (palavra masculina, sem crase). "Àquela" (já tem crase incorporada; não se usa "à aquela"). Antes de pronome de tratamento, em regra não há crase: "a Vossa Excelência". Antes de verbo, nunca há crase: "a correr".

  • A errada: "A pé" não tem crase: "pé" é palavra masculina e a expressão é fixa.
  • B errada: Crase já está em "àquela" - não se acumula com "à aquela".
  • C correta: "À medida que" é locução conjuntiva temporal/proporcional, com crase obrigatória.
  • D errada: Antes de "Vossa Excelência" não há crase, em regra.
  • E errada: Antes de verbo (correr) não há crase.

Tese central: Locuções fem. (à medida que, à proporção que, às vezes, à toa) sempre com crase.

09

Vícios de linguagem

Enunciado. A frase "Houveram diversos elos de ligação entre os fatos, que precisaram subir para cima na hierarquia da investigação" apresenta quais vícios?

  1. A) Apenas pleonasmo vicioso.
  2. B) Apenas solecismo.
  3. C) Solecismo e dois pleonasmos viciosos.
  4. D) Apenas barbarismo.
  5. E) Cacofonia e ambiguidade.

Gabarito: C

Prof. Affonsinho comenta

A frase contém: solecismo ("houveram" no sentido de "existiram" - "haver" impessoal pede singular), pleonasmo vicioso ("elos de ligação" - elo já significa ligação) e outro pleonasmo vicioso ("subir para cima" - subir já implica direção ascendente). Três vícios na mesma frase.

  • A errada: Há também solecismo (houveram), além dos pleonasmos.
  • B errada: Há, além do solecismo, dois pleonasmos viciosos.
  • C correta: Captura todos os três vícios: solecismo + 2 pleonasmos.
  • D errada: Não há barbarismo (erro de forma de palavra).
  • E errada: Não há cacofonia nem ambiguidade.

Tese central: Pleonasmo vicioso é repetição inútil de ideia (subir para cima, elo de ligação, hemorragia de sangue).

10

Falácias e argumentação

Enunciado. Considere o argumento: "Esse procedimento sempre funcionou no nosso órgão por décadas. Logo, não há motivo para mudar." Trata-se de qual falácia?

  1. A) Ad hominem.
  2. B) Apelo à tradição.
  3. C) Falso dilema.
  4. D) Espantalho.
  5. E) Apelo à ignorância.

Gabarito: B

Prof. Affonsinho comenta

Apelo à tradição: sustenta que algo é válido porque sempre foi assim, sem avaliar os méritos próprios da prática. "Sempre fizemos assim" não prova qualidade; tempo de existência não é argumento. A escravidão durou séculos; o trabalho infantil foi legal por muito tempo. Tradição não convalida.

  • A errada: Ad hominem ataca a pessoa, não a tradição.
  • B correta: Apelo à tradição: o argumento se baseia no tempo de existência.
  • C errada: Falso dilema apresenta duas opções restritas; não é o caso.
  • D errada: Espantalho distorce a posição do oponente; não há oponente distorcido aqui.
  • E errada: Apelo à ignorância argumenta com ausência de prova; não é a estrutura.

Tese central: Apelo à tradição = "sempre foi assim" como justificativa.

Fuffu aprovado

Aula concluída.

Parabéns. Você cobriu o essencial de redação para concurso público.

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