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furafila
$Macroeconomia

Mercado de
Trabalho e
Curva de Phillips

Desemprego, força de trabalho, taxa natural (NAIRU), Curva de Phillips original (1958) e moderna (Friedman, Phelps), Lei de Okun (1962) e a empiria do mercado de trabalho brasileiro pós-PNAD Contínua e pós-Reforma Trabalhista de 2017.

Aula06 / 14
DisciplinaMacroeconomia
AtualizadoAbr / 2026
Nesta aula

Sumário

Desemprego é a variável macroeconômica mais sentida pela população. Aqui você vai saber medir corretamente, distinguir os tipos, entender o que é taxa natural, dominar a Curva de Phillips em suas duas versões e a Lei de Okun. Fechamos com o mercado de trabalho brasileiro contemporâneo, com PNAD Contínua e Reforma Trabalhista de 2017.

  1. Conceitos do mercado de trabalho
    PIA, força de trabalho, ocupados, desocupados; PNAD Contínua e seus indicadores
    p. 04
  2. Tipos de desemprego
    Friccional, estrutural, cíclico, sazonal; subutilização da força de trabalho
    p. 08
  3. Taxa natural de desemprego e NAIRU
    Hipótese da taxa natural (Friedman 1968, Phelps 1968); estimativas para o Brasil
    p. 12
  4. Curva de Phillips original (1958)
    A.W. Phillips, dados britânicos 1861-1957; Samuelson e Solow (1960) com dados americanos
    p. 16
  5. Curva de Phillips moderna
    Crítica de Friedman e Phelps; curva aumentada por expectativas; modelo Novo-Keynesiano
    p. 20
  6. Lei de Okun (1962)
    Relação empírica entre crescimento do PIB e variação do desemprego; coeficientes
    p. 24
  7. Mercado de trabalho brasileiro
    Taxa de desemprego histórica, informalidade, Reforma Trabalhista 2017, conjuntura
    p. 28
  8. Mapa mental, revisão e questões comentadas
    10 questões fechando a aula
    p. 32
Meta desta aula
Sair daqui sabendo medir desemprego pela PNAD Contínua, distinguir os quatro tipos clássicos, articular a hipótese da taxa natural, derivar a Curva de Phillips original e a aumentada por expectativas, aplicar a Lei de Okun e debater o mercado de trabalho brasileiro pós-Reforma Trabalhista.
Antes de começar

O que você vai aprender

01
Conceitos do mercado de trabalho

Distinguir PIA, força de trabalho, ocupados, desocupados, fora da força. Calcular taxa de desemprego e taxa de participação.

02
PNAD Contínua

Conhecer a metodologia do IBGE pós-2012, conceitos de subutilização e taxa composta.

03
Tipos de desemprego

Identificar friccional, estrutural, cíclico, sazonal e oculto. Articular causas e políticas para cada tipo.

04
Taxa natural e NAIRU

Entender a hipótese da taxa natural de Friedman (1968) e Phelps (1968). Discutir estimativas para o Brasil.

05
Curva de Phillips original

Conhecer Phillips (1958, Economica) e Samuelson-Solow (1960, AER). A relação negativa entre w e u.

06
Curva de Phillips moderna

Aplicar π = π^e + α(u_n - u) + ε. Argumentar a verticalidade no longo prazo. Citar Calvo (1983) e a NK Phillips Curve.

07
Lei de Okun

Aplicar Okun (1962): ΔY% = c - β·Δu. Discutir coeficientes para EUA (~2) e Brasil.

08
Brasil contemporâneo

Discutir taxa de desemprego pós-pandemia, informalidade, Lei 13.467/2017, transferências sociais e mercado de trabalho recente.

Dica do Fuffu

Mercado de trabalho é tema obrigatório em concursos do BACEN, da AFRFB e do TCU. Curva de Phillips, em particular, é cobrada quase sempre, em formatos previsíveis. Quem domina autores, anos e equação central garante pontos certos.

Prof. Affonsinho explica, Módulo 01

1 Conceitos do mercado de trabalho

A divisão da população

O ponto de partida para entender o mercado de trabalho é a divisão da população residente em categorias mutuamente exclusivas. O IBGE, na PNAD Contínua, organiza assim:

CategoriaDefinição
População totalTodas as pessoas residentes no país
População em Idade Ativa (PIA)Pessoas com 14 anos ou mais (corte etário do IBGE)
Força de trabalhoSubconjunto da PIA: pessoas ocupadas + pessoas desocupadas
Pessoas ocupadasTrabalharam pelo menos 1 hora na semana de referência
Pessoas desocupadasSem trabalho, mas procuraram ativamente nos últimos 30 dias e estão disponíveis
Fora da força de trabalhoPessoas em PIA que nem trabalharam nem procuraram trabalho

As taxas centrais

Com essas categorias, o IBGE calcula três taxas-chave:

Taxas oficiais do IBGE Taxa de desocupação = (pessoas desocupadas / força de trabalho) × 100. Taxa de participação = (força de trabalho / PIA) × 100. Nível da ocupação = (pessoas ocupadas / PIA) × 100.

A taxa de desocupação (popularmente "taxa de desemprego") é o indicador mais divulgado. Mede a fração da força de trabalho que está sem emprego e procurando. Em 2024-2025, a taxa de desemprego brasileira oscila entre 6 e 8 por cento, próximo dos menores níveis históricos da série recente do IBGE.

Cuidado terminológico: o IBGE usa "desocupação" oficialmente. "Desemprego" é uso popular. Em prova de concurso, atenção ao termo exato usado pela banca.

Conceitos pós-PNAD Contínua

Desde 2012, o IBGE adota a PNAD Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua), que substituiu a PNAD anual e a PME (Pesquisa Mensal de Emprego). As principais inovações conceituais:

  • Força de trabalho potencial: pessoas que poderiam estar na força de trabalho mas não estão. Subdivide-se em: (a) procuraram trabalho mas não estavam disponíveis na semana de referência; (b) estavam disponíveis mas não procuraram (desalentados).
  • Subocupação por insuficiência de horas: pessoas ocupadas que trabalham menos de 40 horas semanais, gostariam de trabalhar mais e estão disponíveis.
  • Desalentados: subconjunto da força de trabalho potencial que desistiu de procurar emprego por motivos específicos (acreditam que não há emprego, falta experiência, etc.).

Bate-papo com o Seu Teoffilo

A introdução da PNAD Contínua em 2012 melhorou substancialmente a mensuração do mercado de trabalho brasileiro. A pesquisa é maior em amostra, mais frequente (mensal e trimestral) e adota conceitos internacionais alinhados à OIT (Organização Internacional do Trabalho). Permite séries comparáveis com OCDE e União Europeia. Mas há ressalva: a série da PNAD Contínua começa em 2012, então comparações com períodos anteriores exigem reconstruções estatísticas e devem ser tratadas com cuidado.

Prof. Affonsinho explica, Módulo 01

Taxa composta de subutilização da força de trabalho

A taxa de desocupação tradicional captura apenas as pessoas que estão sem emprego e procurando. Mas há um conjunto maior de pessoas que enfrentam alguma forma de subutilização da capacidade produtiva. O IBGE calcula uma taxa composta de subutilização que agrega:

  • Pessoas desocupadas (numerador da taxa de desocupação tradicional).
  • Pessoas subocupadas por insuficiência de horas.
  • Pessoas da força de trabalho potencial (que poderiam estar trabalhando mas não procuraram ou não estavam disponíveis).

O denominador é ampliado: força de trabalho + força de trabalho potencial.

Em 2024-2025, com taxa de desocupação do Brasil em torno de 7 por cento, a taxa composta de subutilização fica próxima de 17 a 19 por cento. A diferença mostra que o mercado de trabalho brasileiro tem fragilidade não capturada pelo indicador tradicional.

Outros indicadores relevantes

O IBGE e o BACEN também acompanham:

IndicadorO que medePeriodicidade
CAGED (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados)Saldo de admissões e demissões no mercado formal (com carteira)Mensal (Ministério do Trabalho)
RAIS (Relação Anual de Informações Sociais)Estatísticas anuais sobre o mercado formalAnual (Ministério do Trabalho)
Taxa de informalidadeFração dos ocupados sem carteira ou sem proteção previdenciáriaTrimestral (PNAD Contínua)
Rendimento médio realSalário médio dos ocupados, descontada inflaçãoTrimestral (PNAD Contínua)
Massa de rendimento realSoma dos rendimentos de todos os ocupados, descontada inflaçãoTrimestral (PNAD Contínua)

A informalidade brasileira

Um dos traços marcantes do mercado de trabalho brasileiro é a alta informalidade. Em 2024-2025, aproximadamente 40 por cento dos ocupados são informais (sem carteira, conta-próprios sem CNPJ, trabalhadores domésticos sem carteira). Esse percentual coloca o Brasil entre os países com maior informalidade do mundo desenvolvido e médio-emergente.

A informalidade tem consequências múltiplas: menor proteção social (acesso ao seguro-desemprego, aposentadoria, FGTS), menor acesso a crédito formal, menor produtividade, menor arrecadação tributária. É um dos focos centrais das reformas estruturais brasileiras.

Alerta do Examinador

Decora as duas taxas: taxa de desocupação (tradicional, ~7% em 2024-2025) e taxa composta de subutilização (ampliada, ~18%). Brasil tem informalidade de ~40 por cento dos ocupados. PIA = pessoas com 14 anos ou mais. PNAD Contínua substituiu PME e PNAD em 2012. Esses números aparecem em prova com regularidade.

Prof. Affonsinho explica, Módulo 02

2 Tipos de desemprego

Os quatro tipos clássicos

A literatura macroeconômica clássica distingue quatro tipos principais de desemprego, com causas e políticas públicas distintas:

TipoCausaPolítica sugerida
FriccionalTempo entre deixar um emprego e encontrar outro; busca normal em economia dinâmicaSistema de informação sobre vagas (SINE), agências de intermediação
EstruturalDescompasso entre habilidades dos trabalhadores e exigências dos postos disponíveisEducação, treinamento profissional, política industrial
CíclicoQueda da demanda agregada em recessãoPolítica monetária e fiscal anticíclicas
SazonalVariação previsível ao longo do ano (turismo, agricultura)Programas regionais; ajuste sazonal nos dados

Detalhamento de cada tipo

Desemprego friccional: ocorre porque o mercado de trabalho não é instantâneo. Quando uma pessoa sai de um emprego (por escolha, demissão ou fim de contrato), leva tempo até encontrar o próximo. Esse tempo de busca é considerado normal e até saudável: indica fluidez do mercado, mobilidade entre setores. Política pública pode reduzi-lo via melhor informação (SINE, plataformas digitais), mas não eliminá-lo. Em economias avançadas, friccional típico fica entre 2 e 4 por cento.

Desemprego estrutural: ocorre quando há vagas disponíveis mas os trabalhadores desempregados não têm as habilidades necessárias para preenchê-las. Causa típica: mudança tecnológica que torna obsoletas certas profissões e cria demanda por outras. Política pública: educação técnica, programas de requalificação, política industrial. É o desemprego mais resistente a estímulo macroeconômico.

Desemprego cíclico: oscila com o ciclo econômico. Em recessão, demanda agregada cai, empresas reduzem contratações ou demitem, desemprego sobe. Em expansão, ocorre o oposto. Política monetária expansionista (juros mais baixos) e política fiscal expansionista (gasto público, transferências) podem estimular demanda agregada e reduzir o desemprego cíclico. É o tipo mais responsivo à política de curto prazo.

Desemprego sazonal: previsível e recorrente. Setores como turismo, agricultura e construção civil têm flutuações sazonais. Trabalhadores se preparam para isso (poupança, renda alternativa). Os dados oficiais costumam ser ajustados sazonalmente para isolar o componente cíclico do sazonal.

Desemprego oculto e disfarçado

Categoria adicional, especialmente relevante em economias emergentes:

  • Desemprego oculto por desalento: pessoas que desistiram de procurar trabalho. Não entram nas estatísticas de desemprego (não são "desocupadas" pela definição), mas estariam ocupadas se houvesse oportunidades. A força de trabalho potencial captura essa categoria parcialmente.
  • Desemprego disfarçado por subocupação: pessoas ocupadas em atividades de baixa produtividade ou em jornada inferior à desejada. Trabalham, mas estão subutilizadas.

No Brasil, desemprego oculto + subocupação somam, na taxa composta de subutilização, aproximadamente o dobro do desemprego tradicional. É indicador importante para qualificar diagnósticos do mercado de trabalho.

Dica do Fuffu

Decora os quatro tipos: friccional (transição), estrutural (habilidade), cíclico (demanda), sazonal (calendário). Cada um pede política diferente. Friccional → sistema de informação. Estrutural → educação. Cíclico → política macro. Sazonal → ajustes regionais. Banca cobra a correspondência.

Prof. Affonsinho explica, Módulo 02

A natureza ambígua do desemprego em recessão

Em recessão, o desemprego sobe predominantemente por causa do componente cíclico (queda da demanda). Mas a recessão prolongada pode transformar desemprego cíclico em estrutural por dois mecanismos:

  1. Erosão de habilidades: trabalhador desempregado por longo tempo perde competências, atualização e contatos profissionais. Mesmo quando a demanda volta, ele tem dificuldade de reinserção.
  2. Estigma: empregadores tendem a preferir candidatos com emprego ou com período curto de desemprego. Quem fica muito tempo desempregado sofre discriminação implícita.

Esse fenômeno é chamado histerese (do grego hystéresis, "atraso"). Em macroeconomia, refere-se à dependência do equilíbrio de longo prazo em relação ao caminho percorrido. A recessão deixa "marcas permanentes": parte do que era cíclico vira estrutural.

O conceito foi formalizado por Olivier Blanchard e Lawrence Summers em Hysteresis and the European Unemployment Problem (NBER Macroeconomics Annual, 1986), aplicado ao desemprego europeu dos anos 1980, que permaneceu alto mesmo após a recuperação cíclica. Aplicação ao Brasil: a recessão de 2015-2016 (queda de 7,2 por cento do PIB) deixou cicatrizes no mercado de trabalho que perduraram além da recuperação cíclica.

Custo social do desemprego

O desemprego, em qualquer modalidade, gera custos sociais significativos:

  • Renda perdida: trabalhador sem emprego perde renda; família perde nível de consumo.
  • Saúde mental: estudos longitudinais mostram correlação entre desemprego prolongado e depressão, ansiedade, divórcios, suicídios.
  • Capital humano: erosão de habilidades, atraso no desenvolvimento de carreira, perda de contatos.
  • Demanda agregada: menos consumo, mais inadimplência, efeito multiplicador negativo.
  • Arrecadação: menos contribuição previdenciária, menos imposto sobre renda. Mais gasto com seguro-desemprego e benefícios sociais.

Por isso, política macroeconômica que reduz desemprego (especialmente o cíclico) tem retorno social muito superior ao retorno privado isolado. É um dos argumentos centrais para política fiscal e monetária anticíclica.

Categorias de desemprego em prova de concurso

Em prova, os quatro tipos clássicos são quase sempre cobrados, com pegadinhas no nível de detalhamento. Atenção a:

  • Estrutural ≠ friccional: friccional é tempo de transição normal; estrutural é descompasso de habilidades, mais grave e duradouro.
  • Cíclico ≠ sazonal: cíclico segue ciclos econômicos (anos); sazonal segue calendário (meses).
  • Histerese: conceito de Blanchard e Summers (1986); cíclico de longa duração vira estrutural.

Pegadinha da Dotôra Soffya

Banca confunde desemprego cíclico com estrutural. Política monetária expansionista resolve qualquer tipo de desemprego? ERRADO. Política monetária estimula demanda agregada, reduzindo principalmente o cíclico. Estrutural exige educação e treinamento; friccional exige melhor informação. Quem aplica receita única para todos os tipos repete erro de iniciante.

Prof. Affonsinho explica, Módulo 03

3 Taxa natural de desemprego e NAIRU

A hipótese da taxa natural (Friedman e Phelps, 1968)

Em 1968, dois trabalhos independentes mudaram a teoria macroeconômica do mercado de trabalho:

  • Milton Friedman, em discurso presidencial à American Economic Association, publicado como The Role of Monetary Policy (American Economic Review, vol. 58, n. 1, p. 1-17, 1968).
  • Edmund Phelps, em Money-Wage Dynamics and Labor-Market Equilibrium (Journal of Political Economy, vol. 76, n. 4, p. 678-711, 1968).

Os dois autores formularam, simultaneamente, a hipótese da taxa natural de desemprego:

Existe uma taxa de desemprego de equilíbrio determinada por fatores estruturais (instituições do mercado de trabalho, demografia, tecnologia, distribuição setorial). Política monetária pode desviar temporariamente o desemprego dessa taxa, mas não permanentemente. No longo prazo, o desemprego sempre converge para a taxa natural, independentemente da política monetária.

A taxa natural não é zero

Pela definição, a taxa natural é positiva. Ela engloba os componentes friccional + estrutural + parte do natural sazonal. Não inclui o componente cíclico. Em equilíbrio de longo prazo (sem ciclo), o desemprego é igual à taxa natural.

Ela tampouco é constante. Pode mudar ao longo do tempo conforme:

  • Composição demográfica (jovens têm taxa de friccional maior).
  • Instituições do mercado de trabalho (legislação trabalhista, sindicatos, salário mínimo).
  • Política industrial e tecnologia (mudança setorial).
  • Educação e qualificação da força de trabalho.

Por isso, falar em "taxa natural" sem especificar período e país pode ser impreciso. Estimativas são necessariamente datadas e contextualizadas.

NAIRU: o conceito-irmão

Termo correlato e frequentemente usado como sinônimo: NAIRU (Non-Accelerating Inflation Rate of Unemployment), ou taxa de desemprego que não acelera a inflação. Definição operacional: a taxa de desemprego abaixo da qual a inflação tende a acelerar; acima da qual, tende a desacelerar.

NAIRU e taxa natural são conceitualmente próximos mas têm origens diferentes. Taxa natural é conceito teórico (Friedman, Phelps). NAIRU é conceito empírico, derivado de estimações econométricas. Na prática, são tratados como aproximações da mesma realidade subjacente.

Estimativas de taxa natural / NAIRU para o Brasil

Estimativas econométricas para o Brasil oscilam entre 8 e 12 por cento, dependendo do período e da metodologia. Algumas referências:

  • Estudos do BACEN (Boletim Focus, Relatório de Inflação): NAIRU em torno de 8-10 por cento na década recente.
  • Estudos do IPEA: estimativas variam entre 9 e 11 por cento, dependendo do método.
  • Trabalhos acadêmicos (Bonelli, Ramos): estimativas próximas, com tendência de queda nas estimativas após 2015 (alguns autores indicam 7-8 por cento atualmente).

A queda da NAIRU brasileira nos anos recentes tem sido associada a: maior formalidade, melhor educação, transferências sociais (que melhoram correspondência entre vagas e candidatos via redução do custo de busca).

Bate-papo com o Seu Teoffilo

A discussão sobre a taxa natural de desemprego brasileira é tecnicamente complexa e politicamente sensível. Estimativas baixas (7-8 por cento) sugerem que o Brasil pode operar com desemprego baixo sem gerar inflação acelerada; estimativas altas (10-12 por cento) sugerem o contrário. A diferença tem implicação direta para política monetária: BACEN com NAIRU baixa pode tolerar mais aquecimento; com NAIRU alta, deve apertar mais cedo. Em prova de BACEN e AFRFB, conhecer essa discussão é diferencial.

Prof. Affonsinho explica, Módulo 03

Implicações da taxa natural para política monetária

A hipótese da taxa natural tem implicações fortes para política monetária, todas cobradas em concursos do BACEN, AFRFB e TCU:

  1. Política monetária expansionista persistente não reduz o desemprego no longo prazo. Pode reduzi-lo temporariamente (enquanto surpreende as expectativas), mas no longo prazo o desemprego volta à taxa natural, e a inflação fica permanentemente mais alta.
  2. Tentativa de manter o desemprego abaixo da taxa natural acelera a inflação. É a ideia central da NAIRU: abaixo dela, pressão sobre salários e preços; inflação acelera continuamente.
  3. Política monetária deve focar em estabilidade de preços, deixando o emprego para políticas estruturais (educação, treinamento, instituições do mercado de trabalho).
  4. BC com mandato dual (Fed) pode acomodar desvios temporários do desemprego em relação à taxa natural, mas não permanentemente.

A revolução teórica que abriu caminho para o regime de metas

A hipótese da taxa natural foi a base teórica para a transição global, nos anos 1980-90, do regime de mandato dual rígido (curva de Phillips estável) para o regime de metas de inflação (foco em preços). Se política monetária só afeta inflação no longo prazo, faz sentido focá-la nesse objetivo. Foi exatamente o caminho percorrido pelo Brasil em 1999, com a adoção do regime de metas (Decreto 3.088/1999).

Crítica e contra-argumentos

A hipótese da taxa natural não é unânime. Argumentos críticos:

  • Histerese (Blanchard e Summers 1986): se o desemprego cíclico de longa duração afeta a taxa natural (via erosão de habilidades), então política monetária persistente pode afetar o desemprego natural. A "natural" não é exógena.
  • Dificuldade de medição: a taxa natural não é diretamente observável. Estimativas são incertas e variam com método. Pode haver risco de superestimar a taxa natural (apertar política demais) ou subestimar (acomodar inflação demais).
  • Mudanças estruturais: globalização, automação, novas formas de trabalho podem alterar a taxa natural mais rápido do que estimativas conseguem captar.

Esses argumentos justificam, na prática, política monetária com discrição limitada (não regra mecânica). É a síntese moderna que vimos na Aula 05.

A taxa natural na curva de Phillips moderna

A taxa natural aparece como peça central da Curva de Phillips moderna, que veremos em detalhe nos próximos módulos:

π = πe + α(un - u) + ε

Onde un é a taxa natural. Quando u = un, a inflação é igual à esperada (sem aceleração). Quando u < un, inflação acelera (pressão de salários). Quando u > un, inflação desacelera (folga no mercado de trabalho).

Alerta do Examinador

Decora os autores: Friedman (1968, AER) e Phelps (1968, JPE), formularam independentemente a hipótese da taxa natural. NAIRU: conceito empírico (Non-Accelerating Inflation Rate of Unemployment). Brasil estimado entre 8-12 por cento. Histerese: Blanchard e Summers (1986), cíclico de longa duração afeta taxa natural.

Prof. Affonsinho explica, Módulo 04

4 Curva de Phillips original (1958)

A descoberta empírica

Alban William Phillips, economista neozelandês na London School of Economics, publicou em 1958, na revista Economica, o artigo The Relation between Unemployment and the Rate of Change of Money Wage Rates in the United Kingdom, 1861-1957. O título é específico: relação entre desemprego e taxa de variação dos salários monetários, no Reino Unido, ao longo de quase um século.

Phillips construiu uma série temporal longa de duas variáveis: a taxa de desemprego (u) e a variação anual dos salários monetários (w). Ao plotar os dados em um diagrama de dispersão, observou um padrão claro: relação negativa entre as duas variáveis. Quanto maior u, menor w. Quanto menor u, maior w.

Em forma funcional aproximada:

w = -α + β/u + γ·du/dt

Onde os parâmetros α, β, γ são estimados pelos dados. A relação é não-linear: quando o desemprego é muito baixo, qualquer redução adicional gera grande aceleração de salários (curva inclina-se acentuadamente). Quando o desemprego é alto, mudanças em u têm pouco efeito sobre w (curva achata-se).

A interpretação econômica

A intuição econômica da relação: quando o desemprego é baixo, o mercado de trabalho está apertado. Empresas competem por trabalhadores escassos, oferecendo salários mais altos. Sindicatos têm poder de barganha. Salários sobem rapidamente. Quando o desemprego é alto, há excesso de oferta de mão-de-obra. Sindicatos perdem poder. Salários ficam estagnados ou caem.

O artigo de Phillips foi recebido como descoberta empírica importante. Confirmava intuições antigas sobre o mercado de trabalho com dados sólidos de longo prazo.

Samuelson e Solow (1960): a passagem para o trade-off inflação-desemprego

Dois anos depois, em 1960, Paul Samuelson (futuro Nobel 1970) e Robert Solow (futuro Nobel 1987), no artigo Analytical Aspects of Anti-Inflation Policy (American Economic Review Papers and Proceedings, vol. 50, n. 2), aplicaram a curva de Phillips a dados americanos e fizeram uma transformação interpretativa importante.

Em economias com taxa de crescimento estável da produtividade, a variação dos salários monetários traduz-se diretamente em variação dos preços (inflação). Substituindo w por π (inflação), a curva de Phillips vira:

π = f(u), com df/du < 0

Ou seja, relação negativa entre inflação e desemprego. É essa formulação que ficou conhecida nos anos 1960 como "Curva de Phillips" e que dominou a política macroeconômica da década.

Samuelson e Solow apresentaram a curva como menu de opções de política: o governo poderia escolher um ponto na curva, aceitando inflação maior em troca de desemprego menor (e vice-versa). Sugeriram, por exemplo, que para os EUA dos anos 1960, manter inflação em 3 por cento gerava desemprego em torno de 6 por cento; reduzir o desemprego a 4 por cento exigiria aceitar inflação de 5-6 por cento. A escolha era política, não técnica.

Pegadinha da Dotôra Soffya

Banca cobra a distinção entre as duas formulações. Phillips (1958, Economica): relação entre variação de salários monetários (w) e desemprego (u), dados britânicos 1861-1957. Samuelson e Solow (1960, AER P&P): relação entre inflação (π) e desemprego (u), dados americanos. A passagem de w para π exige hipótese de produtividade estável. Pegadinha clássica: atribuir a Phillips a relação inflação-desemprego (que é versão de Samuelson-Solow).

Prof. Affonsinho explica, Módulo 04

A era de ouro da curva de Phillips: 1960-1973

Entre 1958 (publicação de Phillips) e 1973 (primeira crise do petróleo), a curva de Phillips dominou a política macroeconômica das economias desenvolvidas. Era vista como relação estável e explorável pela política monetária e fiscal. O argumento da época, em síntese:

  • Existe trade-off estável entre inflação e desemprego.
  • Política expansionista pode "comprar" menos desemprego ao custo de mais inflação.
  • A escolha do ponto na curva é decisão política, refletindo preferências sociais.
  • Política monetária ativa é justificada para administrar esse trade-off.

O período coincide com baixa inflação e desemprego baixo nos EUA, Europa e Japão. A relação parecia funcionar.

A estagflação dos anos 1970 e a refutação empírica

Em 1973-1979, a economia mundial enfrentou um fenômeno que era inconsistente com a curva de Phillips original: estagflação (estagnação + inflação). Inflação e desemprego subiram simultaneamente. A relação negativa quebrou.

Em particular nos EUA:

AnoInflação (CPI)Desemprego
19695,5%3,5%
19736,2%4,9%
19759,1%8,5%
197911,3%5,8%
198013,5%7,1%
198110,3%7,6%

Os pontos saíram da curva original. Em 1975, inflação alta E desemprego alto. Em 1980-81, inflação altíssima E desemprego alto. A curva de Phillips estável não conseguia explicar isso.

A vitória teórica de Friedman e Phelps

O fenômeno foi exatamente o que Friedman (1968) e Phelps (1968) haviam previsto teoricamente. A explicação: a curva de Phillips estável só vale enquanto as expectativas de inflação são constantes. Quando políticas monetárias expansionistas elevam a inflação por anos seguidos, agentes ajustam suas expectativas para cima. A curva de Phillips se desloca: para qualquer taxa de desemprego, a inflação é mais alta.

Foi a crise teórica que pavimentou o caminho para a reformulação da curva de Phillips com expectativas, que veremos no próximo módulo. Foi também a base teórica para o regime de metas de inflação (anos 1990 em diante) e para o consenso atual de banco central focado em estabilidade de preços.

Bate-papo com o Seu Teoffilo

A história da curva de Phillips entre 1958 e 1980 é caso clássico de paradigma macroeconômico. Curva descoberta empiricamente (1958), interpretada como menu de política (1960), aplicada por uma década (1960-70), refutada empiricamente (1973-80), reformulada teoricamente (Friedman, Phelps) e adaptada institucionalmente (regime de metas, anos 1990). É exemplo de como teoria e empiria interagem na construção do conhecimento macroeconômico.

Prof. Affonsinho explica, Módulo 05

5 Curva de Phillips moderna

A reformulação aumentada por expectativas

A reformulação central da curva de Phillips, proposta por Friedman (1968) e Phelps (1968), introduz expectativas de inflação como variável-chave. A formulação moderna em forma simples:

Curva de Phillips aumentada por expectativas π = πe + α(un - u) + ε, onde π é a inflação corrente, πe é a inflação esperada, α é coeficiente positivo de sensibilidade, un é a taxa natural de desemprego, u é a taxa de desemprego corrente e ε é um termo de choque de oferta (ex: petróleo, alimentos, câmbio).

Em palavras: a inflação corrente depende de três componentes:

  1. Inflação esperadae): salários e preços são fixados com base no que as pessoas esperam de inflação futura. Se esperam 5 por cento, isso já está embutido na renegociação salarial e nos reajustes de preços.
  2. Hiato do desemprego (un - u): se desemprego corrente está abaixo da taxa natural (mercado apertado), pressão sobre salários e preços, inflação acelera. Se está acima, folga, pressão para baixo.
  3. Choque de oferta (ε): eventos exógenos como aumento do petróleo, quebra de safra, choque cambial, que afetam preços diretamente, sem passar pelo mercado de trabalho.

A curva de Phillips de longo prazo é vertical

Implicação central: no longo prazo, expectativas se ajustam à inflação efetiva (πe = π). Substituindo na equação:

π = π + α(un - u) → α(un - u) = 0 → u = un

No longo prazo, o desemprego sempre converge para a taxa natural, independentemente da política monetária. A curva de Phillips de longo prazo é vertical em un. Política monetária expansionista no longo prazo afeta apenas inflação, não emprego.

Trade-off no curto prazo, neutralidade no longo

Mas no curto prazo, enquanto expectativas estão "atrasadas", há trade-off temporário entre inflação e desemprego. Política monetária expansionista pode:

  1. Reduzir o desemprego corrente abaixo da taxa natural.
  2. Acelerar a inflação corrente acima da esperada.
  3. Eventualmente, expectativas se ajustam para cima (πe sobe).
  4. Para manter o desemprego baixo, BC precisa criar nova surpresa inflacionária (mais expansão).
  5. O ciclo se repete, com inflação acelerando indefinidamente, sem ganho permanente em emprego.

Esse é o argumento central contra políticas expansionistas persistentes baseadas na curva de Phillips estável original. Foi confirmado empiricamente pela estagflação dos anos 1970.

O Raffinha confirma

Pra prova: Curva de Phillips moderna = π = πe + α(un - u) + ε. Longo prazo: vertical em un (política monetária só afeta inflação). Curto prazo: trade-off temporário (enquanto expectativas estão atrasadas). Choque de oferta ε: pode quebrar a relação (estagflação 1970s).

Prof. Affonsinho explica, Módulo 05

A Curva de Phillips Novo-Keynesiana (NK Phillips Curve)

A formulação moderna da Curva de Phillips usada em modelos macroeconômicos contemporâneos (DSGE, modelos do BACEN e outros bancos centrais) é a NK Phillips Curve (New Keynesian Phillips Curve). Suas raízes são em:

  • Calvo, G.A. "Staggered Prices in a Utility-Maximizing Framework". Journal of Monetary Economics, vol. 12, n. 3, p. 383-398, 1983.
  • Roberts, J.M. "New Keynesian Economics and the Phillips Curve". Journal of Money, Credit and Banking, vol. 27, n. 4, p. 975-984, 1995.

A formulação NK típica:

πt = β·Ett+1) + κ·ŷt

Onde β é o fator de desconto intertemporal, Ett+1) é a inflação esperada para o próximo período (expectativa racional), ŷt é o hiato do produto (variável que substitui un - u em algumas formulações), e κ é o coeficiente de sensibilidade.

Diferenças em relação à versão original aumentada por expectativas:

  • Forward-looking: inflação corrente depende da inflação esperada futura, não da passada. Reflete que firmas, ao fixar preços, olham para frente.
  • Microfundamentação: derivada de modelo com firmas que têm poder de mercado (concorrência monopolística) e fixam preços de forma escalonada (Calvo lottery: cada firma tem probabilidade 1-θ de ajustar preço a cada período).
  • Coeficiente κ: depende de θ (frequência de ajuste de preços). Quando preços são muito rígidos (θ alto), κ é baixo, e a curva é mais "horizontal" (política monetária tem mais efeito real).

Estimativas para o Brasil

Estudos brasileiros estimam variantes da curva NK Phillips para o Brasil. As principais conclusões:

  • O coeficiente do hiato do produto (κ) é positivo e significativo, mas modesto (~0,1-0,3). Indica que pressões de demanda têm efeito sobre inflação, mas não dominante.
  • A inflação inercial (componente backward-looking) é significativa no Brasil, capturando a indexação histórica e a memória inflacionária. Algumas formulações incluem termo (1-γ)·πt-1 + γ·Ett+1), com γ próximo de 0,5-0,7.
  • Choques de oferta (ε) têm peso significativo: câmbio, alimentos, energia e administrados explicam grande parte da variância da inflação no Brasil.

A pandemia e a "Phillips Curve flat"

Discussão recente: na década de 2010, em vários países, observou-se que a curva de Phillips parecia achatada (flat). Desemprego baixíssimo (EUA abaixo de 4 por cento, Reino Unido abaixo de 4,5 por cento) não gerava aceleração relevante da inflação. Hipóteses para explicar:

  • Globalização e cadeias produtivas mundiais limitam pressão sobre preços locais.
  • Tecnologia e plataformas digitais aumentam concorrência, comprimem margens.
  • Sindicatos enfraquecidos reduzem poder de barganha salarial.
  • Expectativas bem ancoradas reduzem inércia inflacionária.

A pandemia 2020-2022 quebrou essa "moderação". Choques de oferta (cadeias produtivas, energia), demanda fiscal expansionista e expectativas desancoradas geraram retorno da inflação global. A discussão sobre a forma da curva continua ativa.

Bate-papo com o Seu Teoffilo

A curva de Phillips é talvez o conceito mais discutido da macroeconomia contemporânea. Foi descoberta empiricamente (1958), aplicada como menu de política (1960s), refutada empiricamente (estagflação 1970s), reformulada teoricamente (Friedman, Phelps), microfundamentada (Calvo 1983), aparentemente achatada nos anos 2010 e ressuscitada com a pandemia. Quem domina essa trajetória entende a evolução da própria macroeconomia moderna.

Prof. Affonsinho explica, Módulo 06

6 Lei de Okun (1962)

A descoberta empírica

Arthur Okun, economista americano, presidente do Council of Economic Advisers do governo Lyndon Johnson e professor em Yale, publicou em 1962 o ensaio Potential GNP: Its Measurement and Significance (Proceedings of the Business and Economic Statistics Section, American Statistical Association). O artigo formulou uma das relações empíricas mais robustas da macroeconomia moderna.

A descoberta de Okun: existe relação empírica robusta entre variação do PIB real e variação da taxa de desemprego. Em forma simples:

Lei de Okun ΔY/Y = c - β · Δu, onde ΔY/Y é a taxa de crescimento real do PIB, Δu é a variação da taxa de desemprego (em pontos percentuais), c é uma constante (próxima da taxa de crescimento de longo prazo) e β é o coeficiente de Okun (parâmetro empírico).

Para os EUA da época (anos 1960), Okun estimou β ≈ 3. Mais tarde, estimativas atualizadas convergiram para β ≈ 2 (cada 1pp de queda no desemprego associa-se a aproximadamente 2pp de aumento no PIB).

Por que a relação não é 1 para 1?

Intuição econômica: quando o PIB cresce, três coisas acontecem simultaneamente:

  1. Empresas contratam mais trabalhadores (queda direta no desemprego).
  2. Trabalhadores que estavam fora da força de trabalho voltam (aumenta a força de trabalho, atenuando a queda na taxa de desemprego).
  3. Trabalhadores ocupados aumentam horas trabalhadas (aumento de produção sem novos contratados).
  4. Produtividade por trabalhador aumenta (aumento de produção sem novos contratados).

Os fatores 2, 3 e 4 fazem com que aumento de Y não se traduza linearmente em queda de u. Por isso o coeficiente de Okun é maior que 1: precisa de muito crescimento de Y para mover u em 1pp.

A versão da diferença (forma original)

Okun originalmente formulou em termos da relação entre variação cíclica do PIB e variação cíclica do desemprego:

(Y - Y*)/Y* = -β · (u - un)

Onde Y* é o PIB potencial, un é a taxa natural de desemprego, e o lado esquerdo é o "hiato do produto" em termos percentuais. A relação diz: quando o desemprego está acima da taxa natural, o PIB está abaixo do potencial, em magnitude proporcional ao coeficiente de Okun.

Aplicações em política econômica

A Lei de Okun é usada para conversão entre desemprego e produto, central em vários cálculos macroeconômicos:

  • Estimar o "custo" de uma recessão em termos de PIB perdido (multiplicar a alta do desemprego pelo coeficiente de Okun).
  • Projetar a queda do desemprego necessária para fechar o hiato do produto.
  • Calibrar regras de política monetária que dependem do hiato (Regra de Taylor: necessita estimativa de y*, e a Lei de Okun ajuda a derivar y* a partir de un).

Coach Jeff, macete

Decora a Lei de Okun: β ≈ 2 para EUA. Hiato do produto ≈ -2 × hiato do desemprego. Cada 1pp de aumento em u associa-se a aproximadamente 2pp a menos de Y em relação ao potencial. Em prova de concurso, usa esse multiplicador como aproximação.

Prof. Affonsinho explica, Módulo 06

Estimativas brasileiras

A Lei de Okun foi estimada para o Brasil em diversos trabalhos. As estimativas são mais variadas que as americanas, refletindo características específicas do mercado de trabalho brasileiro:

  • Estudos do IPEA: coeficiente de Okun para o Brasil entre 1,5 e 2,5, com tendência de queda nas últimas décadas.
  • Estudos do BACEN (Boletim Focus, Relatório de Inflação): estimativas próximas, com refinamentos para considerar ciclo econômico e mudanças estruturais.
  • Trabalhos acadêmicos (USP, FGV, UnB): coeficiente médio de 1,5 a 2,0 nas estimativas mais recentes.

Por que o coeficiente é menor que o americano? Algumas hipóteses:

  1. Maior informalidade no Brasil: ajuste do mercado ocorre não só por demissões mas por queda de horas e migração para informalidade.
  2. Mecanismos de proteção (FGTS, seguro-desemprego) podem afetar a relação no Brasil.
  3. Taxa de participação feminina ainda em expansão: pode amortecer mudanças cíclicas.

Quebra durante a pandemia (2020-2021)

Durante a pandemia, a Lei de Okun mostrou sinais de quebra temporária no Brasil. Em 2020, o PIB caiu 3,9 por cento, mas a taxa de desemprego "oficial" subiu apenas 2,5 pontos percentuais (de 11,9 para 14,7 por cento), uma magnitude inferior ao previsto pelo coeficiente. Razões:

  • BEm (Benefício Emergencial de Manutenção do Emprego), instituído pela Lei 14.020/2020, permitiu redução temporária de jornada e suspensão de contratos sem demissão.
  • Auxílio Emergencial e medidas trabalhistas mantiveram pessoas fora da força de trabalho (não procurando emprego, então não contadas como desocupadas).
  • A taxa de participação caiu fortemente (de 62 para 56 por cento), reduzindo o denominador do desemprego.

Considerando a taxa composta de subutilização (que captura desalentados e subocupados), a queda do PIB e a deterioração do mercado de trabalho ficaram mais alinhadas à Lei de Okun. Mostra que a relação ainda é válida, mas indicadores tradicionais podem distorcer-se em situações extremas.

Aplicação da Lei de Okun em política econômica brasileira

A Lei de Okun aparece, implícita ou explicitamente, em muitas decisões de política econômica:

  • BACEN: estimativas de hiato do produto, usadas em modelos de política monetária, dependem de estimativas de Okun.
  • Tesouro Nacional: projeções de receita federal usam relação entre Y e mercado de trabalho.
  • Ministério do Planejamento: cálculos de PPA (Plano Plurianual) e estimativas de impacto de política industrial.
  • IPEA, IBGE, BNDES: usam Okun em análises estruturais e relatórios técnicos.

Em prova de concurso, a Lei de Okun aparece principalmente em questões aplicadas (cálculos de hiato, custos sociais de recessão, efeitos esperados de políticas de estímulo). Conhecer a fórmula e o coeficiente típico (β ≈ 2 para EUA, 1,5-2 para Brasil) é diferencial.

Alerta do Examinador

Memoriza: Okun (1962): ΔY/Y = c - β·Δu. Coeficiente para EUA: β ≈ 2. Para Brasil: 1,5 a 2,5 (mais variável). Hiato do produto = -β × hiato do desemprego. Pegadinha clássica: confundir o sinal (lembre que aumento de u corresponde a queda de Y, então o sinal é negativo na fórmula).

Prof. Affonsinho explica, Módulo 07

7 Mercado de trabalho brasileiro

A trajetória recente da taxa de desemprego

A taxa de desocupação brasileira (pela PNAD Contínua, série iniciada em 2012) teve trajetória marcada por momentos distintos:

PeríodoTaxa de desempregoCaracterísticas
2012-20146-8%Mercado aquecido, pleno emprego efetivo
2015-20168-12%Recessão (queda de 7,2% do PIB acumulado), aumento rápido
2017-201911-13%Recuperação lenta, desemprego persistente
2020 (pandemia)11-15%BEm e Auxílio Emergencial limitaram alta da taxa "oficial"
2021-20239-12%Recuperação pós-pandemia, formalização avançou
2024-20256-8%Mínimos históricos da série; mercado aquecido, em parte por aumento da informalidade

A queda da taxa de desemprego em 2024-2025 para níveis próximos de 6,5-7 por cento é fenômeno econômico e político relevante. Reflete recuperação econômica, formalização parcial, aumento de transferências sociais, e também efeito demográfico (envelhecimento reduzindo a força de trabalho).

A informalidade brasileira

O grande traço estrutural do mercado de trabalho brasileiro é a alta informalidade. Em 2024-2025, aproximadamente 40 por cento dos ocupados são informais. Subdivisão típica:

  • Trabalhador sem carteira: aproximadamente 13 milhões de pessoas (~13% dos ocupados).
  • Conta-própria sem CNPJ: aproximadamente 22 milhões (~22% dos ocupados).
  • Empregadores sem CNPJ: pequena fração.
  • Trabalhador familiar não remunerado: pequena fração.

A informalidade está concentrada em determinados setores (comércio varejista, alimentação, serviços pessoais), regiões (Norte, Nordeste, periferia urbana) e perfis (jovens, baixa escolaridade, trabalhadores mais velhos).

A Reforma Trabalhista de 2017 (Lei 13.467/2017)

Em julho de 2017, foi sancionada a Lei 13.467/2017, conhecida como Reforma Trabalhista, que alterou mais de 100 dispositivos da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho). Os pontos centrais:

  • Negociado sobre o legislado: convenções e acordos coletivos passaram a prevalecer sobre vários dispositivos da CLT.
  • Trabalho intermitente: nova modalidade de contrato com previsão para trabalho descontínuo.
  • Trabalho remoto (home office): regulamentação formal.
  • Regulamentação de terceirização: liberação para atividade-fim, não só atividade-meio.
  • Mudanças na contribuição sindical: tornou-se voluntária (não mais obrigatória).
  • Flexibilização de jornada: banco de horas, jornadas 12x36, parcelamento de férias.

O efeito da Reforma sobre o mercado de trabalho é tema de discussão. Alguns estudos indicam aumento marginal da formalidade; outros, queda da renda média e da arrecadação previdenciária. A discussão é técnica e politicamente sensível.

Bate-papo com o Seu Teoffilo

O mercado de trabalho brasileiro tem características próprias que não podem ser ignoradas em concursos. Alta informalidade (~40%), heterogeneidade regional (taxas de desemprego do Nordeste muito acima das do Sul), participação feminina em expansão estrutural, juventude com taxa de desemprego significativamente maior que adultos, e impacto crescente da reforma trabalhista. Tudo isso aparece em provas atuais de BACEN, AFRFB e do Tesouro.

Prof. Affonsinho explica, Módulo 07

Programas sociais e impacto no mercado de trabalho

O Brasil tem programas de transferência de renda relevantes que afetam o mercado de trabalho:

ProgramaBeneficiáriosValor médio (2024-2025)
Bolsa Família (rebatizado em 2023)~21 milhões de famíliasR$ 600+ por família, com adicionais
BPC (Benefício de Prestação Continuada)~5 milhões (idosos e pessoas com deficiência)1 salário mínimo
Seguro-DesempregoVariável, em torno de 7-9 milhões anuais1 a 5 salários mínimos por 3-5 meses
Salário FamíliaTrabalhadores formais de baixa rendaR$ 60 por filho até 14 anos

Os programas sociais têm efeito ambíguo sobre o mercado de trabalho:

  • Efeito positivo: reduzem pobreza extrema, permitem que trabalhadores busquem emprego adequado (em vez de aceitar o primeiro disponível), reduzem o "custo de busca".
  • Efeito negativo: criam desincentivo à formalização (entrar no mercado formal pode reduzir benefícios), favorecem oferta de mão-de-obra abaixo do potencial, ampliam a informalidade.

A literatura empírica brasileira (estudos do IPEA, da FGV, do Banco Mundial) mostra que o efeito líquido depende da magnitude da transferência, das regras de elegibilidade e da fase do ciclo econômico. Em geral, transferências focalizadas em pobreza extrema têm efeito positivo; transferências amplas podem gerar desincentivos significativos.

Conjuntura recente (2024-2025)

O mercado de trabalho brasileiro em 2024-2025 está em conjuntura específica:

  • Taxa de desemprego em mínima histórica: 6,5-7 por cento, abaixo até de pré-pandemia (2019).
  • Crescimento da formalidade: número de empregados com carteira em alta. Aproximadamente 40 milhões de empregados formais.
  • Rendimento real em recuperação: após queda em 2021-2022, rendimento médio voltou a crescer em 2023-2024.
  • Massa de rendimento real: também em recuperação, refletindo combinação de mais ocupados e maior salário real.
  • Participação feminina: ligeira recuperação após queda na pandemia, ainda abaixo dos níveis pré-2020.

A combinação favorável (desemprego baixo, salário em alta, formalização em expansão) é positiva para a economia. Mas levanta dúvida sobre se o desemprego brasileiro atual está abaixo da taxa natural, o que poderia gerar pressão inflacionária. É discussão central no COPOM.

Desafios estruturais persistentes

Mesmo com conjuntura favorável, desafios estruturais permanecem:

  1. Produtividade do trabalho estagnada há quatro décadas.
  2. Qualidade da educação básica: PISA brasileiro abaixo da média OCDE.
  3. Informalidade persistente: ~40 por cento, com tendência apenas marginal de queda.
  4. Desemprego entre jovens: tipicamente 2-3 vezes a taxa total.
  5. Desigualdade regional: Nordeste com taxa muito superior à do Sul/Sudeste.
  6. Desemprego de longa duração: percentual de pessoas há mais de 1 ano sem emprego.

Dica do Fuffu

Pra concursos atualizados, conheça os números: taxa de desemprego ~7%, informalidade ~40%, 40 milhões de empregados formais, 21 milhões de famílias no Bolsa Família. Reforma Trabalhista: Lei 13.467/2017. PNAD Contínua: desde 2012, IBGE, conceitos OIT. Esses pontos aparecem em prova com regularidade.

Mapa mental

Doze ramos para fixar o esqueleto da aula. Reler antes de qualquer prova.

Mercado de Trabalho e Phillips

Conceitos básicos (PNAD Contínua)

  • PIA: 14 anos ou mais
  • Força de trabalho = ocupados + desocupados
  • Taxa de desocupação = desocupados / força
  • Taxa de participação = força / PIA

Indicadores ampliados

  • Força de trabalho potencial (desalentados, indisponíveis)
  • Subocupação por insuficiência de horas
  • Taxa composta de subutilização (~18% no Brasil)
  • Informalidade (~40% dos ocupados)

Tipos de desemprego

  • Friccional (transição entre empregos)
  • Estrutural (descompasso de habilidades)
  • Cíclico (queda de demanda)
  • Sazonal (calendário previsível)
  • Oculto/desalento; subocupação

Histerese

  • Blanchard e Summers (1986, NBER)
  • Cíclico de longa duração vira estrutural
  • Erosão de habilidades + estigma

Taxa natural de desemprego

  • Friedman (1968, AER)
  • Phelps (1968, JPE)
  • Determinada por fatores estruturais
  • Brasil: estimativas 8-12%

NAIRU

  • Non-Accelerating Inflation Rate of Unemployment
  • Conceito empírico, irmão da taxa natural
  • Abaixo dela: inflação acelera
  • Acima dela: inflação desacelera

Curva de Phillips original (1958)

  • A.W. Phillips (1958, Economica)
  • Reino Unido 1861-1957
  • Relação negativa entre w e u
  • Samuelson e Solow (1960, AER P&P): aplicação aos EUA, w → π

Curva moderna (1968)

  • Friedman (1968) e Phelps (1968)
  • π = π^e + α(u_n - u) + ε
  • Longo prazo: vertical em u_n
  • Curto prazo: trade-off temporário

NK Phillips Curve

  • Calvo (1983, JME): preços escalonados
  • Roberts (1995, JMCB)
  • π_t = β·E_t(π_{t+1}) + κ·ŷ_t
  • Forward-looking, microfundamentada

Lei de Okun (1962)

  • Okun (1962, ASA Proceedings)
  • ΔY/Y = c - β · Δu
  • EUA: β ≈ 2
  • Brasil: β 1,5-2,5
  • Hiato do produto = -β × hiato do desemprego

Brasil contemporâneo

  • Taxa de desemprego 2024-25: ~7%
  • PNAD Contínua desde 2012 (IBGE)
  • Lei 13.467/2017 (Reforma Trabalhista)
  • Bolsa Família: 21 mi famílias
  • Informalidade ~40%

Estagflação 1970s e refutação

  • Choques do petróleo 1973 e 1979
  • Inflação alta + desemprego alto
  • Refutou a curva de Phillips estável
  • Confirmou Friedman e Phelps

Revisão relâmpago

Se você tem 5 minutos antes da prova, leia só isto.

  1. PNAD Contínua (IBGE, 2012+): substituiu PME e PNAD anual. Conceitos OIT.
  2. PIA = pessoas com 14 anos ou mais. Força de trabalho = ocupados + desocupados. Taxa de desocupação = desocupados / força de trabalho.
  3. Brasil 2024-2025: taxa de desocupação ~7%; taxa composta de subutilização ~18%; informalidade ~40%.
  4. Quatro tipos de desemprego: friccional (transição), estrutural (habilidades), cíclico (demanda), sazonal (calendário).
  5. Política para cada tipo: friccional → SINE; estrutural → educação; cíclico → política macro; sazonal → ajuste regional.
  6. Histerese (Blanchard e Summers 1986): cíclico de longa duração vira estrutural por erosão de habilidades.
  7. Taxa natural de desemprego: Friedman (1968, AER) e Phelps (1968, JPE). Determinada por fatores estruturais.
  8. NAIRU: Non-Accelerating Inflation Rate of Unemployment. Brasil: 8-12% historicamente.
  9. Curva de Phillips original: Phillips (1958, Economica), dados Reino Unido 1861-1957. Relação negativa entre w e u.
  10. Samuelson e Solow (1960, AER P&P): passaram a relação para inflação versus desemprego, dados americanos.
  11. Era de ouro 1958-1973: curva vista como menu estável de política.
  12. Estagflação 1973-1980: refutou empiricamente a curva original. Confirmou Friedman e Phelps.
  13. Curva de Phillips moderna: π = πe + α(un - u) + ε.
  14. Longo prazo: vertical em un. Política monetária só afeta inflação no longo prazo.
  15. NK Phillips Curve: Calvo (1983, JME) e Roberts (1995, JMCB). Forward-looking, microfundamentada com Calvo lottery.
  16. Lei de Okun (1962): ΔY/Y = c - β·Δu. EUA: β ≈ 2. Brasil: β 1,5-2,5.
  17. Hiato do produto = -β × hiato do desemprego. Cada 1pp de aumento em u corresponde a ~2pp a menos de Y.
  18. Lei 13.467/2017: Reforma Trabalhista. Negociado sobre legislado, trabalho intermitente, contribuição sindical voluntária, terceirização ampla.
  19. Programas sociais: Bolsa Família (~21 mi famílias), BPC (~5 mi), seguro-desemprego, salário-família. Efeitos ambíguos sobre mercado de trabalho.
  20. Pandemia 2020: BEm (Lei 14.020/2020) limitou a alta da taxa "oficial" de desemprego mas não a deterioração geral. Indicadores ampliados (subutilização) refletiram a realidade melhor.
Você está pronto
Vinte pontos densos, dos conceitos básicos à empiria brasileira atual. Decora autores, anos e fórmulas centrais. Bora para as questões.

? 10 questões comentadas

As dez questões a seguir foram elaboradas para cobrir o essencial desta aula. Cada uma vem com gabarito e comentário detalhado do Prof. Affonsinho, alternativa por alternativa, seguido de uma tese central que sintetiza o ponto cobrado.

Sugestão de uso:

  1. Leia cada questão sem olhar o gabarito.
  2. Marque sua resposta num papel.
  3. Só depois, confira o gabarito e leia o comentário.
  4. Se errou, marque em um caderno qual conceito ou autor falhou, e volte ao módulo correspondente.

O vilão da aula: PhD em Concursos

Esse vilão cobra jurisprudência de turma específica e conhece detalhes técnicos que poucos sabem. Em mercado de trabalho, ele cobra a autoria exata de Phillips (1958), distingue NAIRU de taxa natural, sabe os coeficientes da Lei de Okun para o Brasil. Nas dez próximas questões, ele ataca exatamente os deslizes técnicos que aluno desavisado comete. O aluno que estudou com profundidade leva.

Q1

Questão 01 · Comentada

Enunciado. Conforme metodologia da PNAD Contínua do IBGE, a População em Idade Ativa (PIA) é composta por:

  1. A) Todas as pessoas residentes no país, independentemente da idade.
  2. B) Apenas pessoas que estão trabalhando ou procurando emprego.
  3. C) Pessoas com 14 anos ou mais de idade.
  4. D) Pessoas entre 18 e 65 anos de idade.
  5. E) Pessoas com nível superior completo.

Gabarito: C

Prof. Affonsinho comenta

Cobra a definição precisa de PIA na PNAD Contínua brasileira.

  • A errada: PIA exclui crianças e adolescentes mais novos. Não é toda a população residente.
  • B errada: essa é a definição de força de trabalho (ocupados + desocupados), não de PIA. PIA é mais amplo: inclui também pessoas fora da força de trabalho.
  • C CORRETA PNAD Contínua: PIA brasileira na PNAD Contínua = pessoas com 14 anos ou mais de idade. É o corte etário oficial do IBGE, alinhado a recomendações da OIT (Organização Internacional do Trabalho).
  • D errada: o limite superior etário não existe no Brasil. Idosos continuam contados na PIA. O corte é 14 anos no inferior, sem limite superior.
  • E errada: escolaridade não tem nenhuma relação com a definição de PIA. Confusão completa de critérios.

Tese central: PIA brasileira (PNAD Contínua, IBGE): pessoas com 14 anos ou mais. Sem limite superior. PIA = força de trabalho + fora da força de trabalho.

Q2

Questão 02 · Comentada

Enunciado. São tipos de desemprego classicamente identificados pela literatura macroeconômica:

  1. A) Apenas desemprego cíclico e estrutural.
  2. B) Friccional, estrutural, cíclico e sazonal.
  3. C) Voluntário e involuntário.
  4. D) Formal e informal.
  5. E) Apenas desemprego natural e desemprego inflacionário.

Gabarito: B

Prof. Affonsinho comenta

Cobra os quatro tipos clássicos de desemprego, com causas e políticas distintas.

  • A errada: lista incompleta. Os tipos clássicos são quatro, não dois. Friccional e sazonal também são categorias importantes.
  • B CORRETA tipologia clássica: Friccional (transição entre empregos), estrutural (descompasso de habilidades), cíclico (queda de demanda), sazonal (calendário). Cada tipo pede política distinta.
  • C errada: voluntário/involuntário é distinção secundária, com discussão controversa. Não é a tipologia clássica das teorias macroeconômicas.
  • D errada: formal/informal é categorização da modalidade de inserção no trabalho, não dos tipos de desemprego propriamente ditos.
  • E errada: desemprego 'inflacionário' não é categoria padrão. Confusão com NAIRU, que é conceito relacionado mas distinto (taxa abaixo da qual inflação acelera).

Tese central: Quatro tipos clássicos de desemprego: friccional (transição), estrutural (habilidades), cíclico (demanda), sazonal (calendário). Cada tipo pede política diferente.

Q3

Questão 03 · Comentada

Enunciado. Sobre a hipótese da taxa natural de desemprego, conforme formulada por Friedman (1968) e Phelps (1968):

  1. A) Política monetária expansionista persistente reduz indefinidamente a taxa de desemprego sem efeito sobre inflação.
  2. B) Existe uma taxa natural de desemprego determinada por fatores estruturais, que política monetária pode desviar apenas temporariamente. No longo prazo, o desemprego converge para essa taxa, e tentativas de mantê-lo abaixo aceleram a inflação.
  3. C) A taxa natural de desemprego foi formulada por Phillips em 1958.
  4. D) A taxa natural é zero em economias com pleno emprego.
  5. E) A taxa natural é constante ao longo do tempo, independente de fatores estruturais.

Gabarito: B

Prof. Affonsinho comenta

Cobra a tese central de Friedman e Phelps (1968) sobre a taxa natural.

  • A errada: ao contrário, é justamente o que Friedman e Phelps refutam. Política monetária expansionista persistente não reduz desemprego no longo prazo; só acelera inflação.
  • B CORRETA Friedman 1968 + Phelps 1968: tese central: existe taxa natural determinada por fatores estruturais (instituições, demografia, tecnologia). Política monetária pode desviar temporariamente; longo prazo, sempre converge à natural. Tentativa de manter abaixo acelera inflação.
  • C errada: Phillips (1958) descobriu a relação empírica entre desemprego e variação salarial; não formulou a hipótese da taxa natural. Esta é de Friedman (1968) e Phelps (1968), publicada uma década depois.
  • D errada: ao contrário: a taxa natural é positiva, englobando friccional + estrutural + sazonal. Pleno emprego em sentido econômico significa estar na taxa natural, não em zero.
  • E errada: a taxa natural pode mudar com instituições do mercado de trabalho, demografia, tecnologia, educação. Não é constante. Brasil teve taxa natural variando entre 8-12 por cento ao longo das últimas décadas.

Tese central: Friedman (1968 AER) e Phelps (1968 JPE): hipótese da taxa natural de desemprego. Determinada por fatores estruturais. Curva de Phillips de longo prazo é vertical. Base teórica para regime de metas de inflação.

Q4

Questão 04 · Comentada

Enunciado. A Curva de Phillips original, publicada em 1958 pelo economista A.W. Phillips, descreve a relação entre:

  1. A) Inflação corrente e expectativa de inflação futura.
  2. B) Crescimento do PIB real e taxa de variação dos salários nominais.
  3. C) Taxa de desemprego e taxa de variação dos salários monetários, com base em dados do Reino Unido entre 1861 e 1957.
  4. D) Inflação esperada e taxa de juros nominal, conforme a equação de Fisher.
  5. E) Hiato do produto e taxa natural de desemprego, conforme a Lei de Okun.

Gabarito: C

Prof. Affonsinho comenta

Cobra a formulação exata da curva de Phillips original (1958).

  • A errada: essa é a relação que aparece na curva de Phillips moderna (Friedman, Phelps, NK), não na original. Phillips em 1958 não trabalhou com expectativas explicitamente.
  • B errada: Phillips relacionou desemprego com salários, não PIB com salários. A relação Y-w surge na Lei de Okun (1962), separada.
  • C CORRETA Phillips 1958 Economica: exatamente: relação entre taxa de desemprego (u) e taxa de variação dos salários monetários (w). Dados britânicos longos (1861-1957). Relação negativa: u maior → w menor; u menor → w maior. Foi Samuelson e Solow (1960) que substituíram w por π (inflação).
  • D errada: essa é a equação de Fisher (i = r + π^e), tema separado, ligado ao mercado monetário e à taxa de juros real.
  • E errada: essa é a Lei de Okun (1962), relação entre PIB e desemprego. É outra relação empírica, separada da curva de Phillips.

Tese central: Phillips (1958, Economica): relação negativa entre desemprego (u) e variação dos salários monetários (w). Reino Unido 1861-1957. Samuelson e Solow (1960) traduziram w para inflação (π).

Q5

Questão 05 · Comentada

Enunciado. Sobre a Curva de Phillips moderna, aumentada por expectativas:

  1. A) É linear estável e válida em qualquer horizonte temporal.
  2. B) A formulação típica é π = π^e + α(u_n - u) + ε. No longo prazo, com π^e = π, ela é vertical em u_n: política monetária expansionista permanente afeta apenas a inflação, não o desemprego.
  3. C) A curva moderna sempre apresenta trade-off explorável de longo prazo entre inflação e desemprego.
  4. D) A curva moderna ignora o componente de choque de oferta.
  5. E) A curva moderna foi desenvolvida por Phillips em 1958.

Gabarito: B

Prof. Affonsinho comenta

Cobra a formulação central da curva de Phillips moderna e sua implicação de longo prazo.

  • A errada: a curva moderna distingue claramente curto prazo (com trade-off) de longo prazo (vertical, sem trade-off). Não é estável em qualquer horizonte.
  • B CORRETA Friedman-Phelps reformulada: π = π^e + α(u_n - u) + ε. No longo prazo, expectativas se ajustam (π^e = π), e a equação implica u = u_n. Curva vertical: política monetária só afeta inflação no longo prazo.
  • C errada: exatamente o oposto: a curva moderna afirma que não há trade-off de longo prazo. Trade-off é só temporário, enquanto expectativas estão atrasadas.
  • D errada: ao contrário, a formulação inclui explicitamente o termo ε de choque de oferta (petróleo, alimentos, câmbio). Justamente esse termo explica casos como a estagflação dos anos 1970.
  • E errada: a curva original é de Phillips (1958), com w como variável dependente. A reformulação aumentada por expectativas é de Friedman (1968) e Phelps (1968). Posteriormente, a NK Phillips Curve foi formulada por Calvo (1983) e Roberts (1995).

Tese central: Curva de Phillips moderna (Friedman-Phelps 1968): π = π^e + α(u_n - u) + ε. Longo prazo vertical em u_n. Política monetária expansionista permanente afeta só inflação, não desemprego.

Q6

Questão 06 · Comentada

Enunciado. A Lei de Okun, formulada por Arthur Okun em 1962:

  1. A) Estabelece relação inversa estável entre crescimento do PIB real e variação da taxa de desemprego, com coeficiente próximo de 2 nos EUA.
  2. B) Estabelece relação direta e proporcional entre PIB e desemprego.
  3. C) Foi formulada por Friedman em 1968 como complemento à hipótese da taxa natural.
  4. D) Aplica-se exclusivamente a economias com câmbio fixo.
  5. E) Implica que cada 1 ponto percentual de aumento no desemprego corresponde a aproximadamente 0,5 ponto percentual de aumento no PIB.

Gabarito: A

Prof. Affonsinho comenta

Cobra a formulação central da Lei de Okun e o coeficiente típico para os EUA.

  • A CORRETA Okun 1962: ΔY/Y = c - β·Δu. Relação inversa: PIB sobe → desemprego cai (e vice-versa). Coeficiente β ≈ 2 para EUA: 1pp de queda em u corresponde a aproximadamente 2pp de aumento em Y. Brasil: 1,5-2,5.
  • B errada: ao contrário: a relação é inversa (negativa), não direta. Quando PIB cresce, desemprego cai.
  • C errada: Okun (1962) é separado e anterior a Friedman (1968). Embora ambos sejam relacionados, são contribuições distintas. Lei de Okun é especificamente sobre PIB-desemprego; Friedman trata da hipótese da taxa natural.
  • D errada: a Lei de Okun é geral, aplicável a qualquer regime cambial. Não tem especificidade de câmbio fixo.
  • E errada: o coeficiente correto é aproximadamente 2 para EUA, não 0,5. Cada 1pp de aumento em u corresponde a 2pp de queda em Y (aproximadamente). Inversão de magnitude e direção.

Tese central: Lei de Okun (1962): ΔY/Y = c - β·Δu. Relação inversa entre PIB e desemprego. Coeficiente β ≈ 2 para EUA, 1,5-2,5 para Brasil. Aplicação: hiato do produto = -β × hiato do desemprego.

Q7

Questão 07 · Comentada

Enunciado. Considere uma economia em que o coeficiente de Okun é β = 2 e o produto potencial cresce em torno de 3 por cento ao ano. Se o PIB real crescer 1 por cento em determinado ano, a taxa de desemprego provavelmente:

  1. A) Permanecerá constante.
  2. B) Aumentará em aproximadamente 1 ponto percentual.
  3. C) Aumentará em aproximadamente 2 pontos percentuais.
  4. D) Cairá em aproximadamente 1 ponto percentual.
  5. E) Cairá em aproximadamente 2 pontos percentuais.

Gabarito: B

Prof. Affonsinho comenta

Aplicação da Lei de Okun em forma incremental. Hiato negativo do PIB → aumento do desemprego.

  • A errada: o desemprego não permanece constante quando o PIB cresce abaixo do potencial. Há ajuste no mercado de trabalho.
  • B CORRETA fórmula aplicada: ΔY/Y = c - β·Δu. Com c = 3% (potencial), ΔY/Y = 1% e β = 2: 1 = 3 - 2·Δu → Δu = 1pp. Desemprego sobe em ~1pp porque o PIB cresce abaixo do potencial.
  • C errada: 2 pontos seria se a queda em ΔY/Y fosse de 4pp (de 3% para -1%, por exemplo). No problema, a queda é de 2pp (de 3% para 1%), gerando aumento de 1pp em u.
  • D errada: desemprego cai apenas quando PIB cresce acima do potencial. Como PIB cresceu abaixo (1% vs 3% potencial), desemprego sobe, não cai.
  • E errada: ainda mais errado: queda de 2pp em u exigiria PIB crescendo 4pp acima do potencial (em torno de 7%). Não é o caso.

Tese central: Lei de Okun aplicada: PIB acima do potencial → u cai; PIB abaixo do potencial → u sobe. Magnitude proporcional ao coeficiente β.

Q8

Questão 08 · Comentada

Enunciado. Sobre o conceito de histerese aplicado ao desemprego, em sua formulação por Blanchard e Summers (1986):

  1. A) Histerese significa que a taxa natural de desemprego é constante e exógena à política macroeconômica.
  2. B) Histerese significa que períodos prolongados de desemprego cíclico podem afetar a taxa natural de desemprego, transformando desemprego cíclico em estrutural via erosão de habilidades e estigma.
  3. C) Histerese é fenômeno aplicável apenas a economias com câmbio fixo.
  4. D) Histerese foi descartada como conceito após a publicação dos artigos de Friedman e Phelps em 1968.
  5. E) Histerese é sinônimo de NAIRU.

Gabarito: B

Prof. Affonsinho comenta

Cobra o conceito de histerese e suas implicações para a hipótese da taxa natural.

  • A errada: ao contrário, histerese é justamente a hipótese de que a taxa natural não é constante nem exógena. É afetada por choques cíclicos persistentes.
  • B CORRETA Blanchard-Summers 1986: histerese (do grego, 'atraso'): cíclico de longa duração afeta a taxa natural via (1) erosão de habilidades, (2) estigma do desempregado de longo prazo, (3) descapitalização da rede de contatos. Implicação: política monetária persistente pode afetar a taxa natural.
  • C errada: histerese é fenômeno geral, aplicável a qualquer regime cambial. Foi originalmente discutida no contexto do desemprego europeu dos anos 1980, em economia integrada.
  • D errada: ao contrário: a discussão de histerese é exatamente uma crítica à hipótese da taxa natural pura (Friedman-Phelps 1968). Mostra que a 'natural' pode não ser tão exógena quanto Friedman-Phelps sugeriam.
  • E errada: NAIRU é Non-Accelerating Inflation Rate of Unemployment (taxa de desemprego que não acelera a inflação). Histerese é fenômeno separado, ligado a permanência de choques cíclicos. São conceitos relacionados mas distintos.

Tese central: Histerese (Blanchard e Summers 1986, NBER): cíclico de longa duração afeta taxa natural via erosão de habilidades e estigma. Implicação: política monetária persistente pode afetar a 'natural'. Crítica à hipótese pura de Friedman-Phelps.

Q9

Questão 09 · Comentada

Enunciado. Sobre o mercado de trabalho brasileiro contemporâneo (2024-2025):

  1. A) A taxa de desemprego está em torno de 20 por cento, em elevação contínua desde 2020.
  2. B) A taxa de desocupação oscila em torno de 6 a 8 por cento, próxima dos mínimos históricos da série da PNAD Contínua, com taxa de informalidade em torno de 40 por cento.
  3. C) A informalidade brasileira é de aproximadamente 5 por cento dos ocupados, alinhada à média da OCDE.
  4. D) A PNAD Contínua mensura apenas trabalhadores formais com carteira assinada.
  5. E) O Brasil não possui programa de transferência de renda em escala nacional.

Gabarito: B

Prof. Affonsinho comenta

Cobra dados estruturais e conjunturais do mercado de trabalho brasileiro 2024-2025.

  • A errada: ao contrário: a taxa de desemprego em 2024-2025 está em mínimos históricos da série, em torno de 6,5-7 por cento. Nunca esteve perto de 20 por cento desde 2012.
  • B CORRETA PNAD Contínua dados atuais: taxa de desocupação ~6-8 por cento em 2024-2025, próxima dos mínimos da série iniciada em 2012. Informalidade ~40 por cento: trabalhadores sem carteira + conta-própria sem CNPJ. Mercado aquecido, em parte por aumento da informalidade.
  • C errada: informalidade brasileira é ~40 por cento, não 5 por cento. Brasil tem uma das informalidades mais altas dos países comparáveis. Média OCDE é muito menor (~13-15 por cento).
  • D errada: a PNAD Contínua mensura todos os ocupados, formais e informais, com e sem carteira. Conceitos OIT. CAGED é que mensura apenas formais.
  • E errada: o Brasil tem o Bolsa Família (rebatizado em 2023), com aproximadamente 21 milhões de famílias beneficiadas. É um dos maiores programas de transferência de renda do mundo.

Tese central: Brasil 2024-2025: taxa de desocupação 6-8% (mínimos históricos), informalidade ~40%, Bolsa Família ~21 mi famílias, 40 milhões de empregados formais. PNAD Contínua mede formais e informais.

Q10

Questão 10 · Comentada

Enunciado. Sobre a Lei 13.467/2017 (Reforma Trabalhista brasileira):

  1. A) Eliminou a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e a substituiu por um novo código.
  2. B) Alterou mais de 100 dispositivos da CLT, estabelecendo prevalência do negociado sobre o legislado em diversas matérias, criando o trabalho intermitente, regulamentando o trabalho remoto, ampliando a terceirização para atividade-fim e tornando voluntária a contribuição sindical.
  3. C) Aplicou-se exclusivamente a empresas estatais.
  4. D) Aboliu o salário mínimo e o seguro-desemprego.
  5. E) Foi declarada inconstitucional pelo STF em 2018 e nunca entrou em vigor.

Gabarito: B

Prof. Affonsinho comenta

Cobra os principais dispositivos da Reforma Trabalhista (Lei 13.467/2017).

  • A errada: a CLT continua vigente. A Lei 13.467/2017 a alterou em mais de 100 dispositivos, mas não a substituiu por um novo código. A estrutura geral da CLT permanece.
  • B CORRETA Lei 13.467/2017 essencial: todos os pontos centrais da Reforma: negociado sobre legislado (acordos coletivos prevalecem em várias matérias), trabalho intermitente, trabalho remoto (home office), terceirização ampla (incluindo atividade-fim), contribuição sindical voluntária (não mais obrigatória).
  • C errada: a Lei 13.467/2017 aplica-se a relações de trabalho privadas regidas pela CLT em geral. Empresas estatais têm regime próprio (Lei 13.303/2016). Aplicação restrita a estatais é incorreta.
  • D errada: salário mínimo e seguro-desemprego permanecem, com seus regimes próprios (Lei 13.152/2015 atualizada para mínimo; Lei 7.998/1990 para seguro). Não foram abolidos.
  • E errada: a Reforma Trabalhista foi sancionada em julho de 2017 e entrou em vigor em novembro de 2017. STF tem julgado controvérsias específicas (ADIs), mas a lei como um todo está em vigor.

Tese central: Lei 13.467/2017 (Reforma Trabalhista): alterou mais de 100 dispositivos da CLT. Negociado sobre legislado, trabalho intermitente, home office regulamentado, terceirização ampla (atividade-fim incluída), contribuição sindical voluntária. CLT continua vigente.

§ Referências

Artigos seminais, livros clássicos e literatura empírica utilizada nesta aula.

Artigos seminais sobre Curva de Phillips e taxa natural

  • Phillips, A. W. "The Relation between Unemployment and the Rate of Change of Money Wage Rates in the United Kingdom, 1861-1957". Economica, vol. 25, n. 100, p. 283-299, 1958.
  • Samuelson, P. A.; Solow, R. M. "Analytical Aspects of Anti-Inflation Policy". American Economic Review Papers and Proceedings, vol. 50, n. 2, p. 177-194, 1960.
  • Friedman, M. "The Role of Monetary Policy". American Economic Review, vol. 58, n. 1, p. 1-17, 1968.
  • Phelps, E. S. "Money-Wage Dynamics and Labor-Market Equilibrium". Journal of Political Economy, vol. 76, n. 4, p. 678-711, 1968.
  • Lucas, R. E. "Expectations and the Neutrality of Money". Journal of Economic Theory, vol. 4, n. 2, p. 103-124, 1972.
  • Calvo, G. A. "Staggered Prices in a Utility-Maximizing Framework". Journal of Monetary Economics, vol. 12, n. 3, p. 383-398, 1983.
  • Roberts, J. M. "New Keynesian Economics and the Phillips Curve". Journal of Money, Credit and Banking, vol. 27, n. 4, p. 975-984, 1995.
  • Blanchard, O. J.; Summers, L. H. "Hysteresis and the European Unemployment Problem". NBER Macroeconomics Annual, vol. 1, p. 15-78, 1986.

Lei de Okun

  • Okun, A. M. "Potential GNP: Its Measurement and Significance". Proceedings of the Business and Economic Statistics Section, American Statistical Association, p. 98-104, 1962.

Manuais clássicos

  • Mankiw, N. G. Macroeconomia. 10a ed. Rio de Janeiro: LTC, 2024.
  • Blanchard, O. Macroeconomia. 8a ed. São Paulo: Pearson, 2024.
  • Romer, D. Advanced Macroeconomics. 5th ed. New York: McGraw-Hill, 2019. Capítulos sobre desemprego e curvas de Phillips.
  • Lopes, L. M.; Vasconcellos, M. A. S. Manual de Macroeconomia: básico e intermediário. 5a ed. São Paulo: Atlas, 2022.
  • Carvalho, F. J. C. et al. Economia Monetária e Financeira: teoria e política. 3a ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2015.

Normativos brasileiros

  • Lei 13.467/2017: Reforma Trabalhista, alterações na CLT.
  • Lei 14.020/2020: Programa Emergencial de Manutenção do Emprego (BEm).
  • CLT (Decreto-lei 5.452/1943): Consolidação das Leis do Trabalho.

Fontes oficiais

  • IBGE, PNAD Contínua (publicações mensal e trimestral).
  • IBGE, Notas Metodológicas da PNAD Contínua.
  • Ministério do Trabalho, CAGED (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados): mensal.
  • Ministério do Trabalho, RAIS (Relação Anual de Informações Sociais): anual.
  • BACEN, Boletim Focus (estimativas Markey de NAIRU e variáveis correlatas).
  • IPEA, Carta de Conjuntura: análise trimestral do mercado de trabalho.

Dica do Fuffu

Pra concursos do BACEN, ler a Carta de Conjuntura do IPEA (trimestral) e o Boletim Focus é diferencial. Pra AFRFB e Tesouro, dominar a Lei 13.467/2017 e a metodologia da PNAD Contínua é obrigatório. Pra consultorias do Senado/Câmara, conhecer os principais programas sociais (Bolsa Família, BPC, BEm) e seu impacto no mercado de trabalho é essencial.

Fim da aula 06

Você dominou o mercado de trabalho.
Conceitos da PNAD Contínua, tipos de desemprego,
taxa natural e NAIRU, Curva de Phillips em três versões,
Lei de Okun, Reforma Trabalhista e empiria brasileira.
Pronto para a inflação.

f
furafila

Aula 06 de 14 · Macroeconomia
Próxima: Inflação - teorias, indexação e regime de metas.

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