Contabilidade
Aula completa para concursos públicos: teoria contábil, Lei nº 6.404/1976, Código Civil, NBCs, CPCs, patrimônio, escrituração, demonstrações contábeis, operações societárias, custos, análise econômico-financeira e questões comentadas.
Sumário estratégico
Contabilidade em concurso parece uma lista de CPCs, contas e demonstrações. Só parece. Por baixo da casca, a banca cobra uma lógica: reconhecer, mensurar, registrar, apresentar e interpretar fatos que alteram o patrimônio. Se você pega essa espinha dorsal, a disciplina deixa de ser decoreba e vira método.
- p. 04Raio-X dos editaisCebraspe, FGV, cargos de contador, fiscal, controle e contabilidade societária
- p. 09Teoria, normas e Estrutura ConceitualUsuários, atributos qualitativos, elementos, reconhecimento e mensuração
- p. 20Patrimônio e escrituraçãoAtivo, passivo, patrimônio líquido, contas, partidas dobradas, fatos e balancete
- p. 33Demonstrações contábeisBP, DRE, DRA, DMPL, DLPA, DFC, DVA e notas explicativas
- p. 45CPCs e operações avançadasEstoques, imobilizado, intangível, impairment, provisões, AVP, receita, instrumentos e MEP
- p. 61Custos e análiseTerminologia, custeio, margem de contribuição, ponto de equilíbrio e indicadores
- p. 72Mapa, revisão e questõesChecklist final, fórmulas, fontes e 10 questões comentadas
O que você vai dominar
Mapear o núcleo de Contabilidade Geral, Societária, Avançada, Custos e Análise de Demonstrações.
Usar Lei nº 6.404/1976, Código Civil, NBCs do CFC e pronunciamentos CPC sem misturar regra societária com chute.
Aplicar débito, crédito, natureza das contas, fatos permutativos, modificativos e mistos.
Interpretar BP, DRE, DFC, DVA, DMPL, DRA e notas explicativas.
Estoques, imobilizado, intangível, impairment, provisões, receita, arrendamentos, MEP e valor justo.
Calcular custos, margem, ponto de equilíbrio, liquidez, endividamento, rentabilidade e estrutura de capitais.
Dica do Fuffu
A banca adora transformar Contabilidade em labirinto. Faça o caminho inverso: todo item pergunta uma destas coisas - o que é, quando reconhece, por quanto mede, onde registra e como apresenta. Esse roteiro acende a luz.
Prof. Affonsinho explica, Módulo 011 O que mais cai em Contabilidade
O mapeamento dos editais recentes mostra um núcleo estável. A Polícia Federal Administrativa 2025 - Contador, organizada pelo Cebraspe, cobra Contabilidade Geral e Societária, Lei nº 6.404/1976, Leis nº 11.638/2007 e nº 11.941/2009, NBCs, CPCs, Estrutura Conceitual, patrimônio, plano de contas, escrituração, regime de competência, balancete, livros, demonstrações, análise econômico-financeira e custos.
No TJ-PA 2025 - Ciências Contábeis, o Cebraspe enfatiza Lei nº 6.404/1976, CPCs, demonstrações contábeis, DFC direta e indireta, BP, DRE, DMPL, DRA, valor justo, investimentos em coligadas e controladas e análise econômico-financeira. Em fiscos, como SEFAZ-SE 2025, entram Contabilidade Geral e Custos. Na FGV - Auditor Fiscal do Paraná 2025, aparecem Geral, Avançada, Custos e Auditoria Fiscal, com lista extensa de CPCs e operações.
| Fonte recente | Conteúdos recorrentes | Prioridade |
|---|---|---|
| Cebraspe - PF Administrativo 2025 | Lei societária, NBCs, CPCs, Estrutura Conceitual, patrimônio, escrituração, balancete, livros, demonstrações, análise e custos. | Altíssima |
| Cebraspe - TJ-PA 2025 | Demonstrações, CPCs, valor justo, MEP, controladas, DFC, DRA, DMPL e análise econômico-financeira. | Altíssima |
| Cebraspe - SEFAZ-SE 2025 | Conceitos, patrimônio, atos e fatos, contas, plano, escrituração, operações, balancete, BP, DRE, NBCs e custos. | Altíssima |
| FGV - Auditor Fiscal PR 2025 | Geral, Avançada, Custos, provisões, contingências, políticas, estimativas, MEP, reorganização, goodwill, impairment, arrendamentos, intangíveis e valor justo. | Altíssima |
| CFC - Exame 2025 | Estrutura Conceitual, representação fidedigna, elementos das demonstrações, NBCs e técnicas de escrituração. | Alta |
Prof. Affonsinho explica, Módulo 011.1 A ordem de prioridade
Se você começa por combinação de negócios sem saber o que é ativo, a aula vira corrida de bicicleta sem roda. A ordem boa é: teoria e patrimônio, escrituração, demonstrações, CPCs de mensuração, custos e análise. A FGV costuma pedir mais operação e cálculo; o Cebraspe gosta de conceito preciso, item com detalhe normativo e afirmação aparentemente inocente.
| Bloco | O que estudar | Erro que reprova |
|---|---|---|
| Teoria contábil | Objeto, campo, finalidade, usuários, atributos qualitativos, regime de competência e continuidade. | Decorar definições antigas sem alinhar à Estrutura Conceitual vigente. |
| Escrituração | Contas, partidas dobradas, débito, crédito, fatos, lançamentos, diário, razão e balancete. | Confundir natureza de conta com aumento ou redução em qualquer situação. |
| Demonstrações | BP, DRE, DFC, DVA, DMPL, DRA, DLPA e notas. | Trocar finalidade da demonstração ou classificar grupo no lugar errado. |
| CPCs | Estoques, imobilizado, intangível, impairment, provisões, receita, instrumentos, arrendamentos e MEP. | Aplicar regra fiscal como se fosse regra societária. |
| Custos e análise | Custeio, margem, ponto de equilíbrio, liquidez, rentabilidade e endividamento. | Achar que todo gasto vira custo e que indicador isolado decide tudo. |
Alerta do Examinador
Contabilidade Pública será aula própria nesta sequência. Aqui a régua é Contabilidade Geral, Societária, Avançada, Custos e Análise. Quando o edital mistura noções de setor público, eu marco a fronteira para você não estudar o assunto errado no mesmo pacote.
Prof. Affonsinho explica, Módulo 011.2 A hierarquia prática das fontes
Em concursos, Contabilidade vive em um triângulo: lei societária, normas profissionais e pronunciamentos técnicos. A Lei nº 6.404/1976 organiza companhias e demonstrações. O Código Civil, no art. 1.179, impõe ao empresário e à sociedade empresária sistema de contabilidade e levantamento anual de balanço patrimonial e resultado econômico, ressalvado o pequeno empresário indicado no próprio Código.
As NBCs são editadas pelo Conselho Federal de Contabilidade. O CPC emite pronunciamentos, interpretações e orientações convergentes às normas internacionais, depois aprovados pelos reguladores competentes, como CFC e CVM. Em prova, a pergunta nem sempre diz o nome da norma; ela descreve um caso. Você precisa reconhecer o CPC pela situação.
Ao fim de cada exercício social, a diretoria elabora demonstrações financeiras com base na escrituração mercantil, de modo a exprimir com clareza a situação do patrimônio e as mutações do exercício.
Bate-papo com o Seu Teoffilo
A profundidade aqui não está em inventar tese. Está em saber onde cada regra nasce: Código Civil para escrituração empresarial, Lei das S.A. para demonstrações societárias, CFC para NBCs, CPC para pronunciamentos e CVM para companhias abertas.
Prof. Affonsinho explica, Módulo 011.3 Doutrina que banca respeita
A doutrina brasileira de Contabilidade é muito cobrada indiretamente. Sérgio de Iudícibus é referência em teoria contábil, avaliação patrimonial, primazia da essência econômica e qualidade da informação. José Carlos Marion é clássico em Contabilidade Empresarial e didática de demonstrações. Eliseu Martins é nome central em Contabilidade de Custos e análise crítica da informação contábil. Gelbcke, Iudícibus, Martins e Santos formam base forte para contabilidade societária.
No plano internacional, Hendriksen e Van Breda ajudam a entender teoria contábil, reconhecimento, mensuração e divulgação; Paton e Littleton aparecem na tradição histórica da teoria; Anthony, Horngren, Datar e Rajan são referências em contabilidade gerencial e custos. A banca não pede biografia. Ela cobra a consequência: informação útil precisa representar fenômeno econômico, não apenas etiqueta jurídica.
O vilão da aula
O Professor Famoso vai dizer que Contabilidade é só decorar tabela de débito e crédito. É uma meia verdade perigosa: débito e crédito são ferramenta; o coração da prova é reconhecer o fenômeno econômico certo.
Prof. Affonsinho explica, Módulo 011.4 Onde entra jurisprudência
Contabilidade Geral não tem súmulas como eixo de cobrança, e eu não vou fingir que tem. O que existe é diálogo com decisões tributárias, societárias e regulatórias quando a contabilidade encosta em tributos, dividendos, recuperação de créditos, responsabilidade de administradores ou divulgação ao mercado. Em prova contábil pura, a regra segura é usar normas contábeis e lei societária.
Um exemplo real de diálogo é o STF, Tema 69, RE 574.706, sobre exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS. A decisão impacta tributos a recuperar, contingências e divulgação, mas a prova de Contabilidade não costuma exigir a tese constitucional em si. Ela pode exigir o efeito: quando reconhecer ativo, passivo, receita, provisão ou nota explicativa.
Prof. Affonsinho explica, Módulo 022 Objeto, campo e finalidade
O objeto da Contabilidade é o patrimônio das entidades. Patrimônio, aqui, não é só dinheiro em caixa. É o conjunto de bens, direitos e obrigações mensuráveis em moeda, analisado em seu aspecto qualitativo e quantitativo. O aspecto qualitativo diz o que compõe o patrimônio; o quantitativo informa valores.
A finalidade é fornecer informação útil para tomada de decisões e prestação de contas. A Contabilidade serve a sócios, investidores, credores, gestores, empregados, fornecedores, clientes, Estado e sociedade. A Estrutura Conceitual atual fala em informação financeira útil a investidores, credores por empréstimos e outros credores existentes e potenciais na tomada de decisões sobre fornecer recursos à entidade.
| Termo | Sentido em prova | Exemplo |
|---|---|---|
| Objeto | Patrimônio da entidade. | Bens, direitos, obrigações e patrimônio líquido. |
| Finalidade | Informar, controlar e permitir decisão. | Relatórios para investidor, banco, administrador e controle. |
| Técnicas | Escrituração, demonstrações, auditoria e análise. | Registrar no diário, elaborar BP, analisar liquidez. |
2.1 Usuários e decisões
Usuário não é personagem decorativo. A definição de usuário explica por que a informação existe. Investidores querem avaliar retorno, risco, dividendos e valorização. Credores querem avaliar capacidade de pagamento. Gestores usam relatórios internos para planejamento e controle. Governo usa dados para fiscalização, estatística e política pública. Empregados podem avaliar continuidade e capacidade de pagamento.
Na Estrutura Conceitual, o relatório financeiro para fins gerais não atende a todos os desejos informacionais de todos os usuários. Ele fornece base comum, com limitações. Quem precisa de informação específica pode exigir relatórios próprios por lei, contrato ou regulação.
Dica do Raffinha
Quando a questão falar em usuário primário, pense em quem fornece recursos: investidor, credor por empréstimo e outros credores. Quando falar em gestão interna, isso já puxa contabilidade gerencial, orçamento, custos e decisão.
2.2 Informação útil: relevância e representação fidedigna
A Estrutura Conceitual organiza os atributos qualitativos em dois grupos. Os fundamentais são relevância e representação fidedigna. Informação relevante é capaz de fazer diferença nas decisões, por valor preditivo, confirmatório ou ambos. Representação fidedigna exige informação completa, neutra e livre de erro material.
Os atributos de melhoria são comparabilidade, verificabilidade, tempestividade e compreensibilidade. Eles melhoram a utilidade, mas não compensam falta de relevância ou representação fidedigna. Informação irrelevante muito comparável continua inútil. Informação relevante, mas distorcida, continua perigosa.
| Atributo | Ideia central | Pegadinha |
|---|---|---|
| Relevância | Capaz de influenciar decisão. | Não é sinônimo de valor alto. |
| Representação fidedigna | Completa, neutra e livre de erro material. | Não significa perfeição absoluta. |
| Comparabilidade | Permite comparar períodos e entidades. | Não exige uniformidade cega. |
| Tempestividade | Disponível em tempo útil. | Informação tardia pode perder valor. |
2.3 Essência sobre forma
Um dos pontos mais importantes da teoria moderna é a primazia da essência econômica sobre a forma jurídica isolada. Isso não significa ignorar contratos. Significa que a contabilidade deve representar o fenômeno econômico. Se a entidade controla um recurso econômico e pode obter benefícios, a análise não se encerra com o rótulo formal.
Arrendamentos são o exemplo clássico. O contrato pode se chamar aluguel, mas, se transfere à entidade o direito de controlar o uso de ativo identificado por certo período em troca de contraprestação, o CPC 06 R2 exige reconhecimento de direito de uso e passivo de arrendamento, ressalvadas exceções normativas.
Pegadinha da Dotôra Soffya
Forma jurídica importa, mas não manda sozinha. A banca escreve contrato com cara de aluguel comum e pergunta o efeito contábil. Se houver controle do uso de ativo identificado, prazo e contraprestação, acenda a luz do arrendamento.
2.4 Ativo, passivo, PL, receita e despesa
Na Estrutura Conceitual, ativo é recurso econômico presente controlado pela entidade como resultado de eventos passados. Recurso econômico é direito com potencial de produzir benefícios econômicos. Passivo é obrigação presente da entidade de transferir recurso econômico como resultado de eventos passados. Patrimônio líquido é a participação residual nos ativos depois da dedução dos passivos.
Receitas são aumentos em ativos ou reduções em passivos que resultam em aumentos no patrimônio líquido, exceto contribuições dos detentores de direitos sobre o PL. Despesas são reduções em ativos ou aumentos em passivos que reduzem o patrimônio líquido, exceto distribuições aos detentores.
2.5 Quando reconhecer
Reconhecer é inserir item nas demonstrações. A Estrutura Conceitual atual não reduz reconhecimento a uma fórmula antiga de probabilidade e mensuração confiável. O foco é se o reconhecimento fornece informação relevante e representação fidedigna. A probabilidade de fluxo de benefícios e a incerteza de mensuração continuam relevantes, mas dentro do julgamento sobre utilidade.
Em prova, isso aparece assim: nem todo direito vira ativo reconhecido; nem toda possibilidade de perda vira passivo reconhecido; nem todo desembolso vira despesa imediata; nem todo recebimento vira receita. A pergunta correta é: há recurso controlado? Há obrigação presente? A mensuração representa bem? A informação é útil?
Alerta do Examinador
Não use automaticamente a palavra provável para resolver toda questão. Em provisões, sim, o CPC 25 usa critérios próprios. Na Estrutura Conceitual, o raciocínio é mais amplo: relevância, representação fidedigna e custo da informação.
2.6 Bases de mensuração
Mensurar é atribuir valor monetário ao item. As bases podem ser agrupadas em custo histórico e valor atual. Custo histórico parte do preço da transação ou do evento originário. Valor atual inclui valor justo, valor em uso, valor de cumprimento e custo corrente, conforme o caso.
O custo histórico tende a ser verificável e simples. O valor justo pode aumentar relevância quando o valor atual do item importa para decisão. Valor em uso olha o valor presente dos fluxos de caixa esperados pelo uso do ativo. Valor de cumprimento olha fluxos necessários para cumprir obrigação.
| Base | Ideia | Exemplo de cobrança |
|---|---|---|
| Custo histórico | Valor de entrada original ajustado. | Imobilizado inicialmente reconhecido pelo custo. |
| Valor justo | Preço de venda de ativo ou transferência de passivo em transação ordenada entre participantes do mercado. | CPC 46 e propriedades para investimento. |
| Valor em uso | Valor presente dos fluxos pelo uso e alienação final. | Teste de recuperabilidade. |
2.7 Premissas essenciais
A continuidade presume que a entidade continuará em operação em futuro previsível. Se a administração pretende liquidar a entidade ou cessar operações, ou não tem alternativa realista senão fazê-lo, a base de preparação muda. Isso afeta mensuração, classificação e divulgação.
O regime de competência exige reconhecer efeitos das transações quando ocorrem, e não quando o caixa entra ou sai. Venda a prazo gera receita se os critérios de reconhecimento forem cumpridos, ainda que o dinheiro entre depois. Despesa de competência do período é reconhecida no período, ainda que paga em data diferente.
Dica do Fuffu
Caixa responde à pergunta quando entrou ou saiu dinheiro?. Competência responde à pergunta quando o fato econômico aconteceu?. Concurso ama trocar uma pergunta pela outra.
Prof. Affonsinho explica, Módulo 033 Patrimônio e situação líquida
Patrimônio é o conjunto de bens, direitos e obrigações de uma entidade, expresso em moeda. Bens e direitos formam o ativo. Obrigações formam o passivo. A diferença residual entre ativo e passivo é o patrimônio líquido, também chamado de situação líquida em parte da doutrina tradicional.
Se o ativo é maior que o passivo, o PL é positivo. Se ativo e passivo são iguais, PL é nulo. Se o passivo supera o ativo, PL é negativo. A banca gosta de chamar essa última situação de passivo a descoberto. Não há mágica: a equação continua fechando.
| Situação | Equação | Interpretação |
|---|---|---|
| PL positivo | A > P | Ativos superam obrigações. |
| PL nulo | A = P | Ativos apenas cobrem obrigações. |
| PL negativo | A < P | Passivo a descoberto. |
3.1 Contas patrimoniais e de resultado
Conta é o instrumento de registro de variações de um elemento. Contas patrimoniais representam ativo, passivo e patrimônio líquido. Contas de resultado representam receitas e despesas. Ao fim do período, contas de resultado são encerradas para apuração do resultado, que afeta o patrimônio líquido.
As contas também têm natureza. Ativo e despesa têm natureza devedora. Passivo, patrimônio líquido e receita têm natureza credora. Isso não significa que débito é bom e crédito é ruim. Débito e crédito são lados do registro. Aumentam ou reduzem contas conforme a natureza.
3.2 O mecanismo das partidas dobradas
O método das partidas dobradas afirma que, para cada débito, há crédito correspondente de igual valor. Não existe lançamento contábil completo com apenas um lado. A lógica preserva a equação patrimonial.
| Conta | Aumenta com | Reduz com |
|---|---|---|
| Ativo | Débito | Crédito |
| Passivo | Crédito | Débito |
| Patrimônio líquido | Crédito | Débito |
| Receita | Crédito | Débito |
| Despesa | Débito | Crédito |
Pegadinha da Dotôra Soffya
Conta retificadora inverte o sinal dentro do grupo. Depreciação acumulada fica no ativo, mas tem natureza credora. Capital a integralizar fica no patrimônio líquido, mas tem natureza devedora.
3.3 Permutativos, modificativos e mistos
Fatos contábeis alteram o patrimônio. Permutativos alteram a composição sem alterar o PL. Compra de mercadorias à vista troca caixa por estoque. Modificativos alteram o PL por receita ou despesa. Reconhecimento de despesa de aluguel reduz resultado e PL. Mistos combinam permuta e modificação. Venda de mercadoria com lucro reduz estoque, aumenta caixa ou clientes e aumenta resultado.
| Tipo | Afeta PL? | Exemplo |
|---|---|---|
| Permutativo | Não | Pagamento de fornecedor: reduz caixa e reduz passivo. |
| Modificativo aumentativo | Sim, aumenta | Receita de juros apropriada. |
| Modificativo diminutivo | Sim, reduz | Despesa de salários incorrida. |
| Misto | Sim | Venda de mercadoria com lucro ou prejuízo. |
3.4 Fórmulas de lançamento
O lançamento contábil registra fato no diário com data, contas debitadas, contas creditadas, histórico e valor. Na linguagem tradicional, há quatro fórmulas: primeira fórmula, uma conta debitada e uma creditada; segunda, uma debitada e várias creditadas; terceira, várias debitadas e uma creditada; quarta, várias debitadas e várias creditadas.
A banca pode esconder o lançamento dentro do texto. Traduza o evento: entrou ativo? saiu ativo? nasceu obrigação? houve receita? houve despesa? Depois escolha débito e crédito.
3.5 Diário, razão e escrituração digital
O Livro Diário registra fatos em ordem cronológica e, tradicionalmente, é obrigatório. O Livro Razão organiza registros por conta, permitindo acompanhar saldos e movimentos. Com a Escrituração Contábil Digital, esses livros podem assumir forma digital dentro do Sistema Público de Escrituração Digital, observadas formalidades próprias.
O Código Civil exige escrituração uniforme dos livros, em correspondência com documentação respectiva, e levantamento anual de balanço patrimonial e resultado econômico, ressalvado o pequeno empresário. A escrituração deve ser feita em idioma e moeda corrente nacionais, com forma contábil e observância de formalidades legais.
Alerta do Examinador
Cebraspe costuma cobrar formalidade de escrituração em itens curtos: idioma, moeda, conservação, autenticação, substituição e pequeno empresário. Leia o comando com lupa, porque uma palavra muda tudo.
3.6 Balancete de verificação
Balancete de verificação lista saldos ou movimentos das contas para conferir igualdade entre débitos e créditos. Se a soma de saldos devedores não bater com a soma de saldos credores, há erro de escrituração. Mas o inverso não garante ausência de erro.
Um lançamento em conta errada, mas com débito e crédito iguais, pode deixar o balancete equilibrado. Um valor omitido dos dois lados também. Por isso, balancete verifica equilíbrio aritmético, não verdade contábil absoluta.
3.7 Competência versus caixa
No regime de competência, receitas e despesas são reconhecidas quando ocorrem, não necessariamente quando recebidas ou pagas. No regime de caixa, o foco é o fluxo financeiro. Contabilidade societária usa competência, porque quer representar desempenho econômico do período.
Exemplo: aluguel de dezembro pago em janeiro. Pela competência, a despesa pertence a dezembro. Pela caixa, o pagamento ocorre em janeiro. Venda realizada em dezembro e recebida em fevereiro pode gerar receita em dezembro, se os critérios de reconhecimento estiverem cumpridos, e direito a receber no ativo.
Dica do Fuffu
Pergunte sempre: a questão quer resultado econômico ou movimentação de dinheiro? Se quer resultado, competência. Se quer fluxo, caixa. Parece pequeno, mas resolve metade das armadilhas.
Prof. Affonsinho explica, Módulo 044 Estrutura do balanço patrimonial
O balanço patrimonial apresenta a posição financeira da entidade em determinada data. Pela Lei nº 6.404/1976, as contas são classificadas segundo os elementos do patrimônio e agrupadas para facilitar conhecimento e análise da situação financeira.
No ativo, os grupos são ativo circulante e ativo não circulante, composto por realizável a longo prazo, investimentos, imobilizado e intangível. No passivo, aparecem passivo circulante, passivo não circulante e patrimônio líquido, com capital social, reservas de capital, ajustes de avaliação patrimonial, reservas de lucros, ações em tesouraria e prejuízos acumulados.
| Grupo | Critério geral | Exemplos |
|---|---|---|
| Ativo circulante | Realização no ciclo operacional ou até 12 meses, caixa e equivalentes. | Caixa, clientes, estoques. |
| Ativo não circulante | Realização de longo prazo ou permanência. | Investimentos, imobilizado, intangível. |
| Passivo circulante | Liquidação no ciclo operacional ou até 12 meses. | Fornecedores, salários, tributos. |
| PL | Participação residual. | Capital, reservas, prejuízos. |
4.1 Ativo circulante
Ativo circulante reúne disponibilidades, direitos realizáveis no curso do exercício social subsequente e aplicações de recursos em despesas do exercício seguinte, observado o alinhamento com normas contábeis. Em linguagem de prova, entram caixa, bancos, aplicações de liquidez imediata, clientes, estoques, tributos a recuperar, adiantamentos e despesas antecipadas.
O ciclo operacional importa. Se o ciclo normal da entidade for maior que 12 meses, a classificação considera esse ciclo. Em muitos concursos, contudo, o enunciado usa o padrão de curto prazo como até 12 meses. Leia se há informação sobre ciclo operacional.
Pegadinha da Dotôra Soffya
Despesas antecipadas não são despesas no momento do pagamento quando se referem a benefício futuro. Elas entram como ativo e vão ao resultado conforme a competência.
4.2 Realizável a longo prazo, investimentos, imobilizado e intangível
O realizável a longo prazo inclui direitos realizáveis após o término do exercício seguinte e, em certas hipóteses legais, direitos derivados de vendas, adiantamentos ou empréstimos a partes relacionadas que não constituam negócios usuais. Investimentos incluem participações permanentes e direitos não destinados à manutenção da atividade, quando não classificados no circulante.
Imobilizado reúne direitos sobre bens corpóreos destinados à manutenção das atividades ou exercidos com essa finalidade. Intangível reúne direitos sobre bens incorpóreos destinados à manutenção da entidade ou exercidos com essa finalidade, como marcas adquiridas, softwares, patentes e determinados gastos de desenvolvimento quando cumpridos requisitos normativos.
| Subgrupo | Núcleo | CPC mais lembrado |
|---|---|---|
| Investimentos | Participações permanentes e propriedades para investimento. | CPC 18, CPC 28 |
| Imobilizado | Bens corpóreos de uso. | CPC 27 |
| Intangível | Ativo não monetário identificável sem substância física. | CPC 04 |
4.3 Passivo circulante e não circulante
Passivo representa obrigação presente de transferir recurso econômico. No balanço, obrigações são classificadas em circulantes ou não circulantes conforme prazo de liquidação e ciclo operacional. Fornecedores, salários a pagar, tributos a recolher, empréstimos de curto prazo e dividendos obrigatórios propostos quando atendidos os critérios aplicáveis são exemplos frequentes.
A banca costuma misturar passivo com provisão. Toda provisão reconhecida é passivo, mas nem todo passivo é provisão. Provisão é passivo de prazo ou valor incerto. Fornecedor com valor e vencimento conhecidos é passivo, mas não é provisão.
Alerta do Examinador
Obrigação possível não é passivo reconhecido automaticamente. Em CPC 25, obrigação possível ou obrigação presente sem probabilidade de saída de recursos tende a ser passivo contingente divulgado, não provisão reconhecida.
4.4 Patrimônio líquido na Lei das S.A.
O patrimônio líquido é participação residual nos ativos após dedução dos passivos. Na Lei nº 6.404/1976, o PL é dividido em capital social, reservas de capital, ajustes de avaliação patrimonial, reservas de lucros, ações em tesouraria e prejuízos acumulados. A Lei nº 11.638/2007 alterou a arquitetura anterior, retirando reservas de reavaliação como grupo ordinário e introduzindo ajustes de avaliação patrimonial.
Reservas de capital não se confundem com reservas de lucros. Reservas de capital decorrem de determinadas transações com sócios e eventos específicos; reservas de lucros decorrem da destinação do lucro. Ações em tesouraria são conta redutora do PL.
| Conta | Natureza | Comentário |
|---|---|---|
| Capital social | Credora | Recursos subscritos pelos sócios. |
| Capital a integralizar | Devedora | Retificadora do capital. |
| Ações em tesouraria | Devedora | Redutora do PL. |
| Prejuízos acumulados | Devedora | Reduzem o PL. |
4.5 Demonstração do resultado
A DRE apresenta desempenho do período. Pela Lei nº 6.404/1976, começa pela receita bruta, deduções, abatimentos e impostos para chegar à receita líquida; deduz custo das mercadorias, produtos ou serviços vendidos para apurar lucro bruto; depois despesas, receitas financeiras, resultado antes de tributos, imposto de renda, contribuição social, participações e lucro ou prejuízo líquido.
A lógica é competência. Venda reconhecida aumenta receita. O custo relacionado à receita reconhecida é apropriado para confronto. Despesas comerciais, administrativas, financeiras e outras seguem a estrutura aplicável. A banca gosta de perguntar o que entra no lucro bruto e o que fica depois.
4.6 Demonstração do resultado abrangente
Resultado abrangente inclui o lucro ou prejuízo do período e outros resultados abrangentes. Outros resultados abrangentes são itens de receita e despesa que não são reconhecidos no resultado do período conforme normas específicas. Exemplos podem envolver ajustes de avaliação patrimonial, certos efeitos atuariais e variações em instrumentos mensurados conforme regra própria.
Em concursos, a DRA aparece para separar lucro líquido de resultado abrangente total. Nem tudo que afeta PL passa pela DRE. A prova pode perguntar se determinado ajuste vai ao resultado ou a outros resultados abrangentes, conforme CPC aplicável.
Bate-papo com o Seu Teoffilo
A DRE mostra desempenho reconhecido no resultado. A DRA amplia o quadro para itens que afetam o patrimônio líquido sem passar pelo lucro líquido. É por isso que DMPL e DRA conversam tanto.
4.7 Lucros acumulados e mutações do PL
A Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados evidencia alterações em lucros ou prejuízos acumulados, destinações, dividendos e ajustes. A Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido é mais ampla: mostra alterações em todas as contas do PL.
Companhias abertas usualmente apresentam DMPL, que pode incluir a DLPA. A Lei nº 6.404/1976 prevê DLPA, mas a prática societária e normas de apresentação tornam a DMPL peça central. Em prova, se a pergunta fala em todas as mutações do patrimônio líquido, pense em DMPL.
| Demonstração | Foco | Cobrança típica |
|---|---|---|
| DLPA | Lucros ou prejuízos acumulados. | Destinação do lucro e dividendos. |
| DMPL | Todas as contas do PL. | Aumento de capital, reservas, ajustes e resultado abrangente. |
4.8 Demonstração dos fluxos de caixa
A DFC classifica fluxos de caixa em atividades operacionais, de investimento e de financiamento. Operacionais decorrem das principais atividades geradoras de receita e outras que não sejam investimento ou financiamento. Investimento envolve aquisição e venda de ativos de longo prazo e outros investimentos não incluídos em equivalentes de caixa. Financiamento altera tamanho ou composição do capital próprio e de empréstimos.
O método direto apresenta principais classes de recebimentos e pagamentos brutos. O método indireto parte do lucro líquido e ajusta efeitos sem caixa, itens de investimento/financiamento e variações em ativos e passivos operacionais.
| Atividade | Exemplo | Armadilha |
|---|---|---|
| Operacional | Recebimento de clientes, pagamento a fornecedores e empregados. | Juros e dividendos podem seguir escolhas normativas e divulgação consistente. |
| Investimento | Compra de imobilizado, venda de participação não equivalente de caixa. | Aplicação de liquidez imediata pode ser equivalente de caixa, não investimento. |
| Financiamento | Emissão de ações, empréstimos obtidos e amortizados. | Compra de ativo financiado sem caixa pode exigir divulgação, mas não fluxo. |
4.9 Demonstração do valor adicionado
A DVA evidencia a riqueza gerada pela entidade e sua distribuição entre empregados, governo, financiadores e proprietários. Para companhias abertas, a Lei nº 6.404/1976 exige a DVA. O CPC 09, correlato à NBC TG 09, disciplina a demonstração.
Valor adicionado não é igual a lucro. A entidade pode gerar muita riqueza e distribuí-la em salários, tributos e juros, restando lucro pequeno. Também pode ter lucro por eventos que não representam a mesma noção de riqueza gerada. A DVA conversa com análise socioeconômica da entidade.
Pegadinha da Dotôra Soffya
DVA não é demonstração obrigatória para toda e qualquer entidade pela Lei das S.A. A exigência legal expressa recai sobre companhia aberta. Cuidado com alternativa que universaliza a obrigação.
4.10 Notas explicativas
Notas explicativas complementam demonstrações com bases de preparação, políticas contábeis relevantes, julgamentos, estimativas, riscos, contingências e detalhamentos necessários. A Lei nº 6.404/1976, art. 176, prevê complementação por notas e outros quadros analíticos necessários ao esclarecimento da situação patrimonial e do resultado.
Nota não é depósito de texto aleatório. A OCPC 07 reforça a utilidade da divulgação, evitando excesso irrelevante e omissão relevante. O desafio é dar transparência sem transformar a nota em neblina.
Dica do Raffinha
Em prova, nota explicativa quase sempre aparece em contingência, política contábil, evento subsequente, partes relacionadas, instrumentos financeiros e mudança de estimativa. Guarde esse combo.
Prof. Affonsinho explica, Módulo 055 Estoques - CPC 16
Estoques são ativos mantidos para venda no curso normal dos negócios, em processo de produção para venda ou na forma de materiais e suprimentos a serem consumidos na produção ou prestação de serviços. A mensuração é pelo menor entre custo e valor realizável líquido.
O custo inclui custos de aquisição, transformação e outros necessários para trazer o estoque à condição e localização atuais. Não entram desperdícios anormais, gastos administrativos sem contribuição direta e despesas de venda. Métodos de avaliação aceitos incluem PEPS e custo médio ponderado. UEPS não é aceito pelas normas brasileiras convergidas ao IFRS.
| Item | Tratamento | Comentário |
|---|---|---|
| Frete de compra | Compõe custo | Quando necessário para trazer estoque ao local/condição. |
| Frete de venda | Despesa de venda | Não compõe estoque. |
| Desperdício anormal | Despesa | Não deve inflar custo do estoque. |
5.1 Compra, venda e CMV
Em empresas comerciais, o custo das mercadorias vendidas representa o custo dos itens vendidos no período. Uma fórmula clássica é: CMV = estoque inicial + compras líquidas - estoque final. Compras líquidas consideram devoluções, abatimentos e tributos recuperáveis conforme o caso.
Na venda, em geral aparecem dois registros: reconhecimento da receita e baixa do estoque vendido contra CMV. Se a venda é a prazo, entra clientes. Se há tributos incidentes sobre vendas, a questão pode trabalhar receita bruta, deduções e receita líquida.
5.2 Ativo imobilizado - CPC 27
Imobilizado é item tangível mantido para uso na produção, fornecimento de bens ou serviços, aluguel a terceiros ou fins administrativos, e que se espera usar por mais de um período. É reconhecido pelo custo quando for provável a geração de benefícios econômicos futuros e o custo puder ser mensurado de forma confiável.
O custo inclui preço de compra, tributos não recuperáveis, custos diretamente atribuíveis para colocar o ativo no local e condição de funcionamento pretendidos, e estimativa inicial de desmontagem e restauração quando aplicável. Depreciação aloca o valor depreciável ao longo da vida útil. Terreno normalmente não deprecia, salvo exceções ligadas ao uso ou exaustão.
Alerta do Examinador
Vida útil contábil não é sempre igual à vida fiscal. Concurso societário quer estimativa econômica: padrão de consumo de benefícios, valor residual e revisão periódica.
5.3 Depreciação, amortização e exaustão
Depreciação aloca valor depreciável de ativo imobilizado. Amortização aloca valor de intangível com vida útil definida. Exaustão se relaciona a recursos naturais consumidos. Valor depreciável é custo menos valor residual. Vida útil pode ser tempo, unidades produzidas ou padrão de uso.
Método linear distribui valor igualmente ao longo do tempo. Método por unidades produzidas acompanha uso. Método dos saldos decrescentes acelera depreciação. O método deve refletir padrão de consumo dos benefícios econômicos.
| Conceito | Fórmula simples | Cuidado |
|---|---|---|
| Linear | (Custo - residual) / vida útil | Não use custo total se há valor residual. |
| Valor contábil | Custo - depreciação acumulada - perdas | Não é necessariamente valor justo. |
5.4 Ativo intangível - CPC 04
Intangível é ativo não monetário identificável sem substância física. Identificável significa separável ou resultante de direitos contratuais ou legais. Também é preciso controle e potencial de benefícios econômicos futuros.
Gastos com pesquisa são despesa quando incorridos. Gastos com desenvolvimento podem ser ativados quando a entidade demonstra viabilidade técnica, intenção e capacidade de concluir e usar ou vender, geração provável de benefícios, disponibilidade de recursos e mensuração confiável. Goodwill gerado internamente não é reconhecido como ativo.
Pegadinha da Dotôra Soffya
Marca criada internamente pode ser valiosa, mas isso não basta para reconhecer ativo intangível. Sem separação confiável do custo e sem cumprimento dos critérios normativos, a empolgação fica fora do balanço.
5.5 Redução ao valor recuperável - CPC 01
O teste de recuperabilidade verifica se o valor contábil de um ativo excede seu valor recuperável. Valor recuperável é o maior entre valor justo líquido de despesas de venda e valor em uso. Se valor contábil for maior, reconhece-se perda por desvalorização.
Valor em uso é valor presente dos fluxos de caixa futuros esperados pelo uso do ativo e sua alienação final. Valor justo líquido considera preço de mercado em transação ordenada, deduzidas despesas de venda. A perda reduz o valor contábil e vai ao resultado, salvo tratamento específico de ativo reavaliado quando aplicável.
5.6 Provisões e contingências - CPC 25
Provisão é passivo de prazo ou valor incerto. Deve ser reconhecida quando há obrigação presente resultante de evento passado, é provável a saída de recursos para liquidar a obrigação e é possível estimar o valor confiavelmente. Se faltar um desses critérios, pode haver divulgação como passivo contingente, conforme o caso.
Ativo contingente não é reconhecido. Quando a entrada de benefícios for provável, divulga-se. Somente quando praticamente certa, deixa de ser contingente e o ativo pode ser reconhecido conforme a norma aplicável.
| Situação | Tratamento | Palavra-chave |
|---|---|---|
| Perda provável, estimável, obrigação presente | Reconhece provisão | Provisão no passivo |
| Perda possível | Divulga passivo contingente | Nota explicativa |
| Perda remota | Em regra, não divulga | Sem reconhecimento |
| Ganho provável | Divulga ativo contingente | Não reconhece ativo |
5.7 Ajuste a valor presente - CPC 12
Ajuste a valor presente separa componente financeiro embutido em ativos e passivos de longo prazo e, quando relevante, de curto prazo. A ideia é reconhecer o valor do dinheiro no tempo. Uma venda a prazo longa pode embutir juros; contabilmente, separa-se receita de venda e receita financeira ao longo do tempo.
Em prova, observe prazo, materialidade e taxa. O valor presente é calculado descontando fluxos futuros pela taxa apropriada. Com o passar do tempo, a atualização do valor presente reconhece receita ou despesa financeira.
Dica do Fuffu
Se o prazo é longo e o preço a prazo é maior que o preço à vista, existe cheiro de componente financeiro. A contabilidade não quer misturar venda com juro em um pacote só.
5.8 CPC 23
Política contábil é princípio, base, convenção, regra ou prática específica aplicada na elaboração e apresentação das demonstrações. Mudança de política contábil, em regra, tem aplicação retrospectiva, salvo impossibilidade ou norma específica.
Mudança de estimativa contábil decorre de nova informação ou novo desenvolvimento, não de erro. Tem aplicação prospectiva. Retificação de erro material de período anterior, em regra, exige reapresentação retrospectiva. A banca adora trocar esses três conceitos.
| Evento | Aplicação | Exemplo |
|---|---|---|
| Mudança de política | Retrospectiva em regra | Alteração de critério contábil permitido. |
| Mudança de estimativa | Prospectiva | Revisão de vida útil ou valor residual. |
| Erro material | Retrospectiva em regra | Omissão ou erro de cálculo relevante. |
5.9 CPC 24
Eventos subsequentes são eventos entre a data das demonstrações e a data de autorização para emissão. Há eventos que geram ajuste e eventos que não geram ajuste. Geram ajuste aqueles que evidenciam condições existentes na data das demonstrações. Não geram ajuste os que indicam condições surgidas depois.
Falência de cliente após o período, confirmando perda já existente na data-base, pode gerar ajuste. Incêndio relevante ocorrido depois da data-base não ajusta valores do período anterior, mas pode exigir divulgação se relevante.
Alerta do Examinador
A data crítica não é a data de divulgação, mas a data de autorização para emissão das demonstrações. Esse detalhe aparece em alternativa pequena, do tipo que parece rodapé e decide ponto.
5.10 Receita de contrato com cliente - CPC 47
O CPC 47 trabalha com modelo de cinco etapas: identificar o contrato; identificar obrigações de desempenho; determinar o preço da transação; alocar o preço às obrigações; reconhecer receita quando ou à medida que a obrigação é satisfeita.
O ponto central é transferência de controle, não apenas emissão de nota ou recebimento. Se o cliente obtém controle do bem ou serviço, a receita pode ser reconhecida conforme a obrigação satisfeita. Algumas obrigações são satisfeitas ao longo do tempo; outras, em momento específico.
5.11 CPC 48, CPC 39 e CPC 40
Instrumento financeiro é contrato que dá origem a ativo financeiro para uma entidade e passivo financeiro ou instrumento patrimonial para outra. O CPC 48 trata classificação, mensuração, perdas esperadas e hedge accounting. O CPC 39 cuida da apresentação. O CPC 40 cuida de evidenciação.
Em concursos, a cobrança costuma focar em classificação básica, custo amortizado, valor justo por resultado, valor justo por outros resultados abrangentes, perdas esperadas e distinção entre passivo financeiro e instrumento patrimonial. Não tente decorar todos os fluxos sem entender o modelo de negócios e os atributos dos fluxos contratuais.
Bate-papo com o Seu Teoffilo
Instrumentos financeiros são tema denso. Para primeira passada de concurso, guarde a espinha: contrato, ativo financeiro, passivo financeiro, instrumento patrimonial, modelo de negócios, fluxo contratual, custo amortizado e valor justo.
5.12 Arrendamentos - CPC 06 R2
Um contrato contém arrendamento quando transmite o direito de controlar o uso de ativo identificado por certo período em troca de contraprestação. Para o arrendatário, a regra geral é reconhecer ativo de direito de uso e passivo de arrendamento. Há exceções práticas para arrendamentos de curto prazo e ativos de baixo valor, conforme a norma.
No reconhecimento inicial, o passivo reflete valor presente dos pagamentos. O ativo de direito de uso parte do passivo ajustado por pagamentos, custos diretos iniciais, incentivos e estimativas de desmontagem quando aplicáveis. Depois, há depreciação do ativo e juros sobre o passivo.
Pegadinha da Dotôra Soffya
Não resolva arrendamento pelo nome do contrato. Resolva pelo controle do uso. Se há ativo identificado e o cliente decide como e para qual finalidade usar, a conversa muda de patamar.
5.13 Equivalência patrimonial - CPC 18 e ITG 09
O método da equivalência patrimonial ajusta o investimento pelo percentual de participação no patrimônio líquido da investida e reconhece o resultado de equivalência conforme o resultado da investida. Aplica-se, em linhas gerais, a coligadas, controladas e empreendimentos controlados em conjunto, observadas demonstrações individuais, separadas e consolidadas.
Coligada envolve influência significativa, presumida quando há 20% ou mais do poder de voto, salvo prova em contrário. Controlada envolve poder de dirigir políticas relevantes e exposição a retornos variáveis. O cálculo básico: valor do investimento acompanha o PL da investida multiplicado pela participação, ajustado por lucros não realizados e outros elementos quando aplicável.
5.14 Goodwill, mais-valia e deságio
Em combinações de negócios, a adquirente reconhece ativos identificáveis adquiridos e passivos assumidos pelos valores justos na data de aquisição, e reconhece ágio por expectativa de rentabilidade futura, o goodwill, quando a contraprestação transferida supera a participação nos ativos líquidos identificáveis. Se a participação nos ativos líquidos excede a contraprestação, pode haver ganho por compra vantajosa, após reavaliação dos critérios.
Em concursos, aparecem três palavras: mais-valia, quando há diferença entre valor justo e valor contábil de ativos líquidos identificáveis; goodwill, expectativa de rentabilidade futura; e compra vantajosa, quando o preço pago fica abaixo da participação no valor justo líquido.
Alerta do Examinador
Goodwill não é amortizado pelas normas atuais. Ele é submetido a teste de impairment. Alternativa falando em amortização sistemática do goodwill societário merece desconfiança.
5.15 Demonstrações consolidadas - CPC 36
Demonstrações consolidadas apresentam controladora e controladas como se fossem uma única entidade econômica. A consolidação combina itens semelhantes de ativos, passivos, patrimônio líquido, receitas, despesas e fluxos de caixa, elimina investimento da controladora contra PL da controlada e elimina transações intragrupo.
O objetivo é mostrar o grupo econômico para usuários externos. Se uma empresa vende mercadoria para controlada e o estoque ainda está no grupo, lucro não realizado intragrupo deve ser eliminado na consolidação. Sem eliminação, o grupo reconheceria lucro vendendo para si mesmo. Bonito no papel, inútil na economia real.
Dica do Raffinha
Consolidação é lente de grupo. Tudo que é transação dentro do grupo precisa ser filtrado para sobrar relação com terceiros.
5.16 Mensuração do valor justo - CPC 46
Valor justo é o preço que seria recebido pela venda de ativo ou pago pela transferência de passivo em transação ordenada entre participantes do mercado na data de mensuração. É medida baseada em mercado, não medida específica da entidade.
A hierarquia do valor justo prioriza inputs observáveis. Nível 1 usa preços cotados em mercados ativos para ativos ou passivos idênticos. Nível 2 usa outros inputs observáveis. Nível 3 usa inputs não observáveis, exigindo maior julgamento e divulgação.
| Nível | Input | Força probatória |
|---|---|---|
| 1 | Preço cotado para item idêntico em mercado ativo. | Mais forte. |
| 2 | Inputs observáveis diretos ou indiretos. | Intermediária. |
| 3 | Inputs não observáveis. | Maior julgamento. |
5.17 Apresentação e divulgação - CPC 51
O CPC lista o CPC 51 - Apresentação e Divulgação nas Demonstrações Contábeis, com aprovação em janeiro de 2026, alinhado ao movimento internacional de melhoria de apresentação das demonstrações. Para concursos tradicionais em 2026, o CPC 26 ainda aparece como base central de apresentação, mas o candidato avançado precisa saber que a agenda normativa evolui.
A ideia de fundo é melhorar estrutura, categorias, subtotais e divulgação, principalmente para tornar demonstrações mais comparáveis e úteis. Se a prova trouxer norma nova expressamente, siga o enunciado. Se cobrar edital clássico, responda pelo CPC 26, Lei nº 6.404/1976 e demais CPCs indicados.
Bate-papo com o Seu Teoffilo
Atualização normativa não autoriza chute. Ela autoriza cautela: se o edital cita CPCs em bloco, conheça o novo; se a questão pede a regra consolidada de apresentação, ainda espere CPC 26 e Lei das S.A. como referência principal.
Prof. Affonsinho explica, Módulo 066 Terminologia de custos
Contabilidade de custos mede, acumula e interpreta custos para avaliação de estoques, apuração de resultado, controle e decisão. A primeira barreira é terminológica. Gasto é sacrifício financeiro para obtenção de bem ou serviço. Investimento é gasto ativado. Custo é gasto relativo a bem ou serviço usado na produção. Despesa é gasto consumido para obtenção de receitas, fora da produção. Perda é consumo anormal ou involuntário.
| Termo | Conceito | Exemplo |
|---|---|---|
| Gasto | Aquisição de bem ou serviço. | Compra de matéria-prima. |
| Investimento | Gasto ativado. | Máquina industrial. |
| Custo | Consumo na produção. | Matéria-prima usada. |
| Despesa | Consumo para vender, administrar ou financiar. | Comissão de vendas. |
| Perda | Consumo anormal. | Incêndio em estoque. |
6.1 Diretos, indiretos, fixos e variáveis
Custo direto é identificado diretamente ao objeto de custo, como matéria-prima de produto específico. Custo indireto precisa de critério de rateio, como aluguel da fábrica. Custo variável muda no total conforme volume de produção, como material direto. Custo fixo permanece constante no total dentro de faixa relevante, como aluguel fabril.
A classificação depende do objeto de custo e da faixa relevante. Um supervisor pode ser custo direto de um departamento e indireto de um produto. Energia pode ter parcela fixa e variável. Prova boa cobra essa elasticidade conceitual.
Alerta do Examinador
Fixo não significa imutável para sempre. Significa constante dentro da faixa relevante de atividade e no período analisado. Saiu da faixa, o custo pode saltar.
6.2 Custeio por absorção
No custeio por absorção, todos os custos de produção, fixos e variáveis, são atribuídos aos produtos. Despesas não entram no custo do produto; vão ao resultado. É o método aceito para fins societários e fiscais em linhas gerais, pois estoques carregam custos de produção.
O ponto sensível é o rateio dos custos indiretos fixos. Se o critério de rateio muda, o custo dos produtos muda. Por isso, custeio por absorção atende bem à mensuração de estoque e resultado societário, mas pode distorcer decisões gerenciais de curto prazo se usado sem cuidado.
6.3 Custeio variável e margem de contribuição
No custeio variável, apenas custos variáveis de produção são atribuídos aos produtos. Custos fixos são tratados como despesa do período para fins gerenciais. O método evidencia margem de contribuição: preço de venda menos custos e despesas variáveis.
Margem de contribuição mostra quanto cada unidade contribui para cobrir custos fixos e gerar lucro. Fórmula: MC unitária = preço unitário - custo variável unitário - despesa variável unitária. Índice de margem de contribuição = MC / receita.
Dica do Fuffu
Absorção pergunta quanto custou produzir para valorar estoque. Variável pergunta quanto sobra de cada venda para cobrir fixos e lucro. São perguntas diferentes, respostas diferentes.
6.4 Custo, volume e lucro
O ponto de equilíbrio contábil é o volume em que lucro é zero. Fórmula em unidades: custos e despesas fixos divididos pela margem de contribuição unitária. Em receita: custos e despesas fixos divididos pelo índice de margem de contribuição.
Ponto de equilíbrio econômico inclui lucro desejado ou custo de oportunidade. Ponto de equilíbrio financeiro exclui itens sem desembolso, como depreciação, quando pertinente. Grau de alavancagem operacional mede sensibilidade do lucro operacional a variações na receita ou volume.
6.5 Custeio baseado em atividades
O ABC apropria custos indiretos com base em atividades que consomem recursos e direcionadores que explicam consumo. Em vez de ratear tudo por horas de mão de obra, pergunta quais atividades geram custo: setup, inspeção, compras, movimentação, atendimento, processamento. O produto consome atividades; atividades consomem recursos.
O TDABC simplifica parte da implantação usando tempo como direcionador central, estimando custo por unidade de tempo de capacidade e tempo necessário para cada atividade. FGV tem cobrado expressamente ABC e TDABC em editais fiscais.
Bate-papo com o Seu Teoffilo
ABC não é varinha mágica. Ele melhora rastreamento de indiretos quando atividades explicam consumo melhor que rateios tradicionais. Se os direcionadores forem ruins, só teremos planilha sofisticada com erro organizado.
Prof. Affonsinho explica, Módulo 077 Análise das demonstrações
Análise econômico-financeira transforma demonstrações em indicadores. Ela não substitui leitura das notas, setor, contexto e qualidade dos números. Indicador isolado é fotografia pequena. Série histórica, comparação setorial e composição do balanço dão o filme.
Análise vertical mostra participação de cada item em uma base. No balanço, cada conta pode ser comparada ao ativo total. Na DRE, itens costumam ser comparados à receita líquida. Análise horizontal mostra evolução entre períodos.
| Análise | Pergunta | Exemplo |
|---|---|---|
| Vertical | Qual o peso do item? | Estoques representam 28% do ativo. |
| Horizontal | Quanto variou? | Receita cresceu 12% em relação ao ano anterior. |
7.1 Indicadores de liquidez
Liquidez mede capacidade de cumprir obrigações. Liquidez corrente = ativo circulante / passivo circulante. Liquidez seca = (ativo circulante - estoques - despesas antecipadas, conforme critério da questão) / passivo circulante. Liquidez imediata = disponibilidades / passivo circulante. Liquidez geral = (AC + realizável a longo prazo) / (PC + PNC).
Liquidez alta não significa automaticamente empresa excelente. Pode haver caixa ocioso, estoque obsoleto ou contas a receber de baixa qualidade. Liquidez baixa também não condena sozinha, se o ciclo de caixa, acesso a crédito e previsibilidade operacional forem sólidos.
Pegadinha da Dotôra Soffya
Liquidez corrente maior que 1 não garante pagamento pontual. O ativo circulante pode estar preso em estoque lento e clientes duvidosos, enquanto o passivo vence amanhã.
7.2 Estrutura de capitais
Indicadores de endividamento avaliam dependência de capital de terceiros e composição das fontes. Participação de capitais de terceiros pode ser calculada como passivo exigível / patrimônio líquido ou passivo exigível / ativo total, conforme fórmula do edital. Composição do endividamento observa quanto da dívida está no curto prazo.
Atenção ao denominador. Bancas podem usar fórmulas ligeiramente diferentes, desde que expliquem. Se a prova não explica, use a fórmula consagrada no material do edital. Sempre confira se patrimônio líquido negativo torna indicador estranho ou sem interpretação econômica simples.
| Indicador | Fórmula comum | Interpretação |
|---|---|---|
| Endividamento geral | Passivo exigível / Ativo total | Parcela financiada por terceiros. |
| CT/PL | Passivo exigível / PL | Dependência de terceiros em relação ao capital próprio. |
| Composição | Passivo circulante / Passivo exigível | Concentração no curto prazo. |
7.3 Margens, ROA e ROE
Margem bruta relaciona lucro bruto e receita líquida. Margem operacional relaciona resultado operacional e receita. Margem líquida relaciona lucro líquido e receita líquida. ROA mede retorno sobre ativos. ROE mede retorno sobre patrimônio líquido.
ROE pode subir por melhora operacional ou por aumento de endividamento. Por isso, análise DuPont decompõe retorno em margem, giro e alavancagem. Lucro líquido alto com baixa qualidade de caixa merece cuidado. Rentabilidade contábil precisa conversar com fluxo de caixa e risco.
Dica do Raffinha
ROE bonito com dívida explosiva pode ser maquiagem de performance. Em análise, a pergunta não é só quanto rendeu, mas com que risco e com que qualidade.
7.4 Indicadores não substituem demonstrações
EBITDA aproxima resultado operacional antes de juros, tributos sobre lucro, depreciação e amortização. É usado como medida de geração operacional antes de certos efeitos contábeis e financeiros, mas não é caixa. Ignora variações de capital de giro, investimentos necessários, tributos pagos, serviço da dívida e qualidade das receitas.
Em concursos, cuidado com afirmação de que EBITDA representa fluxo de caixa livre. Não representa. Pode ser útil, mas precisa de reconciliação, divulgação e leitura crítica. Demonstração dos fluxos de caixa continua sendo fonte própria para movimentação de caixa.
Alerta do Examinador
Indicador é ferramenta, não oráculo. Se a alternativa usa palavra absoluta como sempre, nunca, garante ou prova definitivamente, desconfie.
Prof. Affonsinho explica, Módulo 088 As pegadinhas que mais derrubam
Débito é lado do lançamento. Despesa normalmente aumenta por débito, mas ativo também.
Receber e reconhecer receita podem ocorrer em datas diferentes.
Provisão é passivo incerto. Reserva fica no patrimônio líquido.
PEPS e média são aceitos; UEPS não é aceito nas normas convergidas.
Submete-se a impairment.
Ela mostra riqueza gerada e distribuída.
Mapa mental
Teoria
- Objeto: patrimônio
- Finalidade: informação útil
- Usuários primários
- Relevância e fidedignidade
Escrituração
- Contas e plano
- Débito e crédito
- Partidas dobradas
- Diário, razão, balancete
Demonstrações
- BP
- DRE e DRA
- DFC
- DMPL, DLPA, DVA
- Notas explicativas
CPCs
- CPC 00, 26 e 51
- 16, 27, 04
- 01, 25, 23, 24
- 06, 18, 36, 46, 47, 48
Custos
- Gasto, custo, despesa
- Absorção e variável
- ABC e TDABC
- Margem e equilíbrio
Análise
- Vertical e horizontal
- Liquidez
- Endividamento
- Rentabilidade
- Limites do EBITDA
Fórmulas e relações
| Assunto | Fórmula | Uso |
|---|---|---|
| Equação patrimonial | Ativo = Passivo + PL | Base de todo balanço. |
| CMV | EI + compras líquidas - EF | Custo de mercadorias vendidas. |
| Depreciação linear | (Custo - residual) / vida útil | Alocação do valor depreciável. |
| Perda por impairment | Valor contábil - valor recuperável | Quando positiva. |
| MC unitária | Preço - variáveis unitários | Custeio variável. |
| Ponto de equilíbrio | Fixos / MC unitária | Volume sem lucro nem prejuízo. |
| Liquidez corrente | AC / PC | Capacidade de curto prazo. |
| ROE | Lucro líquido / PL médio | Retorno do capital próprio. |
Dica do Fuffu
Fórmula só ajuda quando você sabe o que cada pedaço representa. Antes de calcular, nomeie as peças. Isso evita usar ativo final onde a fórmula pede média, ou custo total onde pede custo variável.
Referências e editais
Esta aula foi construída com base em editais recentes, legislação vigente e normas oficiais. Em Contabilidade, quando não há jurisprudência específica de prova, a precisão vem de norma contábil, lei societária e doutrina técnica consolidada.
Editais e provas recentes
- Cebraspe - Polícia Federal Administrativo 2025: cargo de Contador, com Contabilidade Geral e Societária, NBCs, CPCs, escrituração, demonstrações, análise e custos.
- Cebraspe - TJ-PA Servidor 2025: Ciências Contábeis, com Lei nº 6.404/1976, CPCs, demonstrações, valor justo, MEP e análise.
- Cebraspe - SEFAZ-SE 2025: Contabilidade Geral e de Custos.
- FGV - Auditor Fiscal do Paraná 2025: Contabilidade Geral, Avançada, Custos e Auditoria Fiscal.
- CFC - Exame de Suficiência 2025: Estrutura Conceitual, NBCs e princípios técnicos.
Normas e legislação
- Lei nº 6.404/1976: arts. 176 a 188 e estrutura das demonstrações societárias.
- Código Civil: art. 1.179 e escrituração empresarial.
- CFC: NBC TG Estrutura Conceitual e normas completas.
- CPC: CPC 00 R2, 01, 03, 04, 06, 12, 15, 16, 18, 23, 24, 25, 26, 27, 28, 31, 32, 36, 46, 47, 48, 51 e CPC PME.
Doutrina técnica
- Sérgio de Iudícibus: teoria da contabilidade e qualidade da informação.
- José Carlos Marion: contabilidade empresarial e demonstrações.
- Eliseu Martins: custos, análise e contabilidade societária.
- Gelbcke, Iudícibus, Martins e Santos: manual de contabilidade societária.
- Hendriksen e Van Breda: teoria da contabilidade.
Questões comentadas
Todas as questões abaixo são geradas para treino, por isso não recebem banca nem ano. O comentário segue a voz do Prof. Affonsinho e reforça a tese que a banca costuma cobrar.
Questão 01 · Comentada
Enunciado. Uma entidade possui ativo total de R$ 800.000 e passivo exigível de R$ 530.000. O patrimônio líquido é igual a:
- A) R$ 270.000.
- B) R$ 530.000.
- C) R$ 800.000.
- D) R$ 1.330.000.
- E) R$ 330.000.
Gabarito: A
Prof. Affonsinho comenta
A equação patrimonial resolve sem drama.
- A CORRETA: PL = Ativo - Passivo = 800.000 - 530.000 = 270.000.
- B errada: é o próprio passivo exigível.
- C errada: é o ativo total.
- D errada: soma ativo e passivo, o que não calcula PL.
- E errada: não corresponde à diferença correta.
Tese central: Patrimônio líquido é participação residual: ativo menos passivo.
Questão 02 · Comentada
Enunciado. A compra de mercadorias à vista por R$ 12.000 deve ser registrada, em regra, por:
- A) débito em Caixa e crédito em Estoques.
- B) débito em Estoques e crédito em Caixa.
- C) débito em Despesa e crédito em Fornecedores.
- D) débito em Receita e crédito em Caixa.
- E) débito em Fornecedores e crédito em Estoques.
Gabarito: B
Prof. Affonsinho comenta
Entrou estoque e saiu caixa.
- A errada: inverte os efeitos: caixa não aumentou.
- B CORRETA: estoques aumentam por débito; caixa reduz por crédito.
- C errada: compra para estoque não é despesa imediata e não foi a prazo.
- D errada: não há receita.
- E errada: não há pagamento de fornecedor nem baixa de estoque.
Tese central: Ativo de natureza devedora aumenta por débito e reduz por crédito.
Questão 03 · Comentada
Enunciado. Uma despesa de aluguel referente a dezembro foi paga apenas em janeiro. Pelo regime de competência, a despesa deve ser reconhecida:
- A) em janeiro, porque foi quando saiu caixa.
- B) em dezembro, porque foi quando ocorreu o fato gerador econômico.
- C) apenas quando houver emissão de nota fiscal.
- D) metade em dezembro e metade em janeiro.
- E) somente no encerramento do exercício seguinte.
Gabarito: B
Prof. Affonsinho comenta
Competência não espera o caixa.
- A errada: usa regime de caixa.
- B CORRETA: a despesa pertence ao período em que foi incorrida.
- C errada: o documento é relevante, mas não substitui a competência.
- D errada: não há base para rateio temporal no enunciado.
- E errada: adiaria indevidamente a despesa.
Tese central: Competência reconhece efeitos quando ocorrem, independentemente de pagamento.
Questão 04 · Comentada
Enunciado. Uma empresa apresentou estoque inicial de R$ 20.000, compras líquidas de R$ 75.000 e estoque final de R$ 18.000. O CMV é:
- A) R$ 57.000.
- B) R$ 77.000.
- C) R$ 93.000.
- D) R$ 113.000.
- E) R$ 95.000.
Gabarito: B
Prof. Affonsinho comenta
Use a fórmula clássica de mercadorias.
- A errada: subtrai compras de forma indevida.
- B CORRETA: CMV = 20.000 + 75.000 - 18.000 = 77.000.
- C errada: soma estoque inicial e compras sem subtrair corretamente o estoque final.
- D errada: soma todos os itens.
- E errada: não considera a baixa final corretamente.
Tese central: CMV é estoque disponível para venda menos estoque final.
Questão 05 · Comentada
Enunciado. Máquina adquirida por R$ 100.000 tem valor residual estimado de R$ 10.000 e vida útil de 9 anos. Pelo método linear, a depreciação anual é:
- A) R$ 10.000.
- B) R$ 11.111.
- C) R$ 90.000.
- D) R$ 9.000.
- E) R$ 12.222.
Gabarito: A
Prof. Affonsinho comenta
Deprecia-se o valor depreciável, não necessariamente o custo integral.
- A CORRETA: (100.000 - 10.000) / 9 = 10.000.
- B errada: divide o custo total por 9, ignorando valor residual.
- C errada: é o valor depreciável total.
- D errada: não corresponde ao cálculo.
- E errada: não decorre dos dados.
Tese central: Depreciação linear = custo menos residual, dividido pela vida útil.
Questão 06 · Comentada
Enunciado. Na DFC, a obtenção de empréstimo bancário de longo prazo, com entrada de caixa, é classificada em regra como atividade:
- A) operacional.
- B) de investimento.
- C) de financiamento.
- D) sem efeito de caixa.
- E) de resultado abrangente.
Gabarito: C
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A transação altera a estrutura de financiamento.
- A errada: não decorre da atividade principal geradora de receita.
- B errada: não é aquisição ou venda de ativo de longo prazo.
- C CORRETA: empréstimos obtidos são fluxo de financiamento.
- D errada: houve entrada de caixa.
- E errada: DRA não classifica fluxo de caixa.
Tese central: Financiamento altera capital próprio ou endividamento da entidade.
Questão 07 · Comentada
Enunciado. Investidora detém 40% de uma coligada que apurou lucro de R$ 200.000 no período. Desconsiderados ajustes adicionais, o resultado de equivalência patrimonial é:
- A) R$ 40.000.
- B) R$ 80.000.
- C) R$ 120.000.
- D) R$ 200.000.
- E) R$ 500.000.
Gabarito: B
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A equivalência acompanha a participação no resultado da investida.
- A errada: usa 20%, percentual não informado.
- B CORRETA: 40% de 200.000 = 80.000.
- C errada: usa 60%.
- D errada: considera lucro total da investida.
- E errada: não decorre da participação.
Tese central: No MEP, a investidora reconhece sua parcela no resultado da investida.
Questão 08 · Comentada
Enunciado. Segundo a lógica do CPC 25, perda provável, decorrente de obrigação presente e mensurável com confiabilidade, deve ser tratada como:
- A) ativo contingente reconhecido.
- B) passivo contingente sem divulgação.
- C) provisão reconhecida no passivo.
- D) reserva de lucros.
- E) ajuste de avaliação patrimonial.
Gabarito: C
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Os três critérios de provisão foram preenchidos.
- A errada: não se trata de ganho.
- B errada: perda provável com obrigação presente e mensuração confiável é provisão.
- C CORRETA: reconhece-se passivo de prazo ou valor incerto.
- D errada: reserva fica no PL, não representa obrigação.
- E errada: não é ajuste de valor justo no PL.
Tese central: Provisão exige obrigação presente, saída provável e estimativa confiável.
Questão 09 · Comentada
Enunciado. Um ativo tem valor contábil de R$ 300.000, valor justo líquido de despesas de venda de R$ 260.000 e valor em uso de R$ 280.000. A perda por impairment é:
- A) R$ 0.
- B) R$ 20.000.
- C) R$ 40.000.
- D) R$ 280.000.
- E) R$ 300.000.
Gabarito: B
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O valor recuperável é o maior entre os dois valores recuperáveis possíveis.
- A errada: valor contábil excede o recuperável.
- B CORRETA: valor recuperável = 280.000; perda = 300.000 - 280.000 = 20.000.
- C errada: usa valor justo líquido, mas a norma manda escolher o maior entre ele e valor em uso.
- D errada: é o valor recuperável.
- E errada: é o valor contábil.
Tese central: Impairment compara valor contábil com o valor recuperável, que é o maior entre valor justo líquido e valor em uso.
Questão 10 · Comentada
Enunciado. Produto vendido por R$ 150 tem custo variável unitário de R$ 90 e despesa variável unitária de R$ 10. A margem de contribuição unitária é:
- A) R$ 40.
- B) R$ 50.
- C) R$ 60.
- D) R$ 90.
- E) R$ 150.
Gabarito: B
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Margem de contribuição tira os variáveis do preço.
- A errada: subtrai valor indevido.
- B CORRETA: 150 - 90 - 10 = 50.
- C errada: ignora a despesa variável.
- D errada: é o custo variável unitário.
- E errada: é o preço de venda.
Tese central: Margem de contribuição unitária = preço - custos variáveis - despesas variáveis.
você fechou
Contabilidade
agora o balanço fecha, a DRE conversa com o caixa e o CPC deixa de parecer sopa de siglas.






